SOBRE A NUDEZ CRUA DO PECADO...
Sobra-me de alma e falta-me saúde...
São coisas desta idade indefinida,
Quando se passa além da meia-vida
E não mais a pujança nos ilude...
São coisas que, pensadas amiúde,
Vos falam da Mulher-Interrompida,
Da que voltou por si (ou foi trazida...)
De um outro espaço doutra latitude...
Sobra-me um somatório de ilusões,
De rastos-de-cometa, sensações
De algo que se passou sem ter passado.
Sobram-me, de mim mesma, mil pedaços
Que transformei em manchas e em traços
Sobre a crua nudez do meu pecado.
Imagem retirada da internet
Pormenor de: "Sobre a nudez crua da Verdade, o manto diáfano da Fantasia"
Estátua de Mestre Teixeira Lopes, representando Eça de Queiroz estendendo sobre a Verdade o ténue manto da Fantasia.
Olá Maria João, como deves saber melhor que eu, a fé não se discute nem as suas manifestações requerem perdão, desde que não as pretendam impor aos outros como dogmas. De resto, façamos como o Eça da estátua: estendamos sobre a verdade o ténue manto da fantasia... Abraço
ResponderEliminarEu não sei nada melhor do que ninguém, Zé, mas não duvido minimamente do que dizes. E tens toda a razão, quanto ao manto diáfano da Fantasia. Toma sempre essa Fantasia como a minha Verdade, quando te deres ao trabalho de ler as minhas maluqueiras... tenho mais um borrachinho de pombo. Perdi - ou ganhei - horas com ele e ainda não sei se vai sobreviver, mas não conseguiria viver comigo própria se passasse por aquela criaturinha moribunda e não lhe acudisse. é nestas coisinhas ínfimas que me vou "chocando" com os comportamentos gerais da humanidade. Não sei se é altruísmo ou se é egoísmo... é uma coisa que não posso deixar de fazer sob pena de me abominar. Também não sei se é fé, no sentido em que a maioria o entende... não tenho saúde nem forças para andar por esse mundo em busca das vítimas dos teatros da guerra e da miséria humana... vou-me ficando por estas pequeninas coisas que se cruzam no mu caminho, que vêem ter á minha porta... no fundo procuro que me entendam e aceitem, como todos os seres humanos, mas estou habituadíssima a que o não façam... cá vou sobrevivendo enquanto me aceitar a mim mesma, enquanto não desgostar de mim.
Eliminardesculpa-me esta longa dissertação, que tem muito mais de monólogo do que de diálogo! Faz-me bem ter estes ataquezitos de verborreia, quando passei a manhã inteira a arrulhar como uma pomba-mãe. O pequeno Nestor começa a entender-me... e depois isto é belo! Ainda há poucos dias era mais um ovinho... agora comunica, à sua maneira, tem um temperamento, necessita de afecto para além de alimento e calor. Posso ser louca, mas tudo isto me fascina.
Abraço, Zé.
Eu também quero ir Maria Jo!... Eu também queria ir no manto da fantasia. A minha verdade é tão nua e crua! O sistema é tão óbvio, tão cruelmente evidente, tão trapaceiramente evidente, que não vale a pena falar... está tudo directo à fonte. Basta escutar, e a resposta está lá: ponto por ponto.
ResponderEliminarÉ um diálogo que escuta enquanto fala, que não conhece espaços p'ra pergunta e p'ra resposta, que airosamente não consegue escapar ao comentário. Violências do sistema... Até amanhã
Até amanhã? Então não tomas cafezinho hoje? Sabes, esse manto da fantasia é aquele que o sonho nos permite... é aquele que nos ajuda a seguir em frente mesmo quando o sistema parece apostado em aniquilar-nos, em eliminar-nos da face do planeta... é capaz de ser ele o responsável pelo facto de eu ter mais uma cria de pombo cá em casa... é um manto um tanto ou quanto maluquito, mas eu gosto dele assim.
EliminarBeijinho!
Bonito soneto este, e a capa da fantasia eu também a uso muitas vezes para tapar aquilo que não me apetece ver, mas a capa é tão ténue que a maioria das vezes deixa passar algumas sombras , mas isso chama-se cruel realidade.
ResponderEliminarComo esse pombinho que precisa dos seus mimos, há milhões de seres indefesos á procura de alguém que lhe dê comida e carinho, mas em vez disso há as bombas, e a indiferença dos "Senhores da guerra".
Eu não sei o que se passa hoje mas os comentários estão a ser um pouco diferentes do habitual, já viu que um borrachinho indefeso deu matéria para nós conversar-mos um pouco mais.
Um grande abraço e boa noite.
A maioria das pessoas não acredita na importância das pequeninas coisas, mas eu penso que elas são muitíssimo importantes!
EliminarO pequeno Nestor transmite-me uma paz enorme e uma imensa alegria enquanto o estou a cuidar! E deu para uma grande conversa, sem dúvida. Já as duas amigas que eu fiz, aqui no Cafezinho, só vim a conhecê-las por causa dos meus cães. Elas próprias o reconhecem.
Um grande abraço e uma boa noite!