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QUERO-ME!

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Eu quero-me da cor destas palmeiras! Quero este tronco esguio, estas raízes, Quero-me assim feliz entre os felizes Vivendo as minhas horas derradeiras!   Eu quero-me primeira entre as primeiras E, tal como tu pensas, mas não dizes, Quero-me decomposta em mil matizes Sendo igual ao que sou, de mil maneiras!   Assumo esta total imperfeição De quanta perfeição em mim houver, Sem ter falsas modéstias ou segredos!   Eu quero-me uma só, mas dividida Por cada átomo alheio à minha vida, Sem loucas ambições, sem dor, sem medos!     Fotografia (via mms) tirada, agora mesmo, da janela da minha sala-atelier. O cãozito lá embaixo é a minha amiga Lupa.

MUNDO, PEQUENO MUNDO... (I e II)

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I   ... e que me importa a mim perder-me em vida Se à morte irei legar meu estranho encanto? Já nada mais me importa e, no entanto, Vou adiando a hora da partida...   ... e que me importa a mim morrer agora Se, depois, tanto fez muito viver? Pouco ou nada me importa! Eu quero é SER Enquanto não chegar a minha hora...   Patéticos, alguns, `inda acreditam Que tempo é quantidade e não hesitam Em procurar na carne o imortal...   Não sabem que de nós só fica o traço Porque o mundo é pequeno e não tem espaço Para, de nós, guardar quanto é real...   II   Ó mundo, o que te impede de chorar? Que estranha submissão te cala o pranto E te condena, assim, ao desencanto Desse grito que tentas silenciar?   Ó mundo, se amanhã eu acordar E não estiver quebrado o mudo encanto, Hei-de gritar por ti! Gritarei tanto Que medo algum me há-de fazer calar!   Ó meu pequeno mundo maltratado No silêncio a que foste condenado Por alguma razão que desconheço!   Ó meu pequeno mundo estrangulado, O teu imenso grito s...

POR UM GIGA...

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  Por um Giga se enfrenta uma batalha, Cresce o engenho em nós, se trava a luta... Por um Giga se acorda e se labuta, Se alcançam impossíveis, se não falha! . Por um Giga se ascende à dimensão Da Eva/Adão em nós, colhendo o fruto Que não será pecado e sim produto Da nossa mais legítima ambição... . Por um Giga se aguçam competências, Se reacende a chama, segue em frente, Se chega ainda além do concebível,   Se transcendem humanas competências, Se ultrapassa o que em nós é aparente, Se alcança o que parece inacessível...     Maria João Brito de Sousa - 09.05.2008 - 12.17h     "MÃE" - Pintura a pastel seco sobre Cavalinho,               Maria João Brito de Sousa, 1962                

SOLTAI O SONHO...

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Há uma flor na Lua, à meia-noite... (bem sei que é mero sonho, uma ilusão, mas será flor, tal como as outras são, onde esse imaginário assim se afoite...)   Há uma flor na Lua! É Lua-cheia, Um sonho `inda em botão desabrochou E quanta luz na Terra derramou A flor que floresceu da própria ideia...   Se solto, o sonho em nós é criador; Engendra o que quiser (e quer bem mais!), Semeia, colhe e explode ao sobressalto   De um dom primordial rasgado em cor... Por quanto sonho em vós `inda guardais; Soltai-o pr`a que suba inda mais alto!     Maria João Brito de Sousa - 02.05.2008 - 13.28h   "Mulher em Molho de Luar", 68x56cm, Pastel de Óleo sobre Canson (entre-vidros), Maria João Brito de Sousa, 1999 . Soneto dedicado ao meu amigo V.A.D., pois nasceu, agora mesmo, de um diálogo online, e a Albert Einstein porque muito provavelmente o subscreveria se estivesse vivo.