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A mostrar mensagens de fevereiro, 2014

HOLOGRAMA

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  (Soneto “de coda” em decassílabo heróico)     Conserto o desconcerto, acerto o passo, Pinto, esculpindo o verso que me ocorre. As coisas que aqui faço, ou que não faço, Vão transcendendo a carne que me cobre…   Mas, se à própria razão retiro o braço Se o gesto me preguiça, a mão não corre, Se, já rendida à dor, verga ao cansaço, Perco o rumo à razão que me socorre.   Que me não faltes, mão dos gestos leves, Que esculpes, que constróis, que remodelas, Que, sem hesitações, aqui te atreves   A dissecar miséria e coisas belas E a arder nos mil pavios do que não deves, Porque há quem vá negar-te a luz das velas,   Quem queira dar-te fama e voz, tão breves Que ocultem o sentido ao barro, às telas, Para honrar com néons quanto nem escreves!       Maria João Brito de Sousa – 09.02.2014 – 17.07h     Imagem - "Genesis" - Jacob Epstein

REVOLUÇÃO!

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(Em decassílabo heróico)   Se sofro, o que me importa, a mim, sofrer Enquanto tantos mil, sofrendo mais, Transformam cada grito, dos que eu der, Num gemido que abafa outros iguais?   Se morro, o que me importa, a mim, dizer Que a morte me chegou cedo demais, Enquanto mil houver que irão morrer De frio, de fome e falta de hospitais?   Mas uma coisa sei; morro de pé! Ninguém ficará surdo à voz de um só Quando ela em mil projecta aquilo que é   E, na corda impotente, o sujo nó, Rebenta de repente, explode a fé E outro Golias cai mordendo o pó!     Maria João Brito de Sousa – 11.02.2014 – 12,49h     IMAGEM - O Quarto Estado - Pelizza da Volpedo

ESBOÇO CRIATIVO

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  (Em decassílabo heróico)     … e neste fim de Tejo em que me vivo, Onde, entre verbo e dor, sei ser feliz, Hei-de ser sempre o fruto do que fiz, Do muito que senti, do que me privo   Se teimo em rejeitar, quando me esquivo, A verso que não venha da matriz Ou negue exactamente quanto eu quis Por não ser mais que um frágil lenitivo   E atendo ao que jamais será cativo, Ao que é reprodução do som nativo Que, em ondas, se espraiou desde a raiz   Porque, entre sopro e forma, mero crivo, Não traço mais que um esboço criativo Dos versos que um soneto a mim me diz.       Maria João Brito de Sousa – 28.01.2014 – 21.50h