HOLOGRAMA
(Soneto “de coda” em decassílabo heróico) Conserto o desconcerto, acerto o passo, Pinto, esculpindo o verso que me ocorre. As coisas que aqui faço, ou que não faço, Vão transcendendo a carne que me cobre… Mas, se à própria razão retiro o braço Se o gesto me preguiça, a mão não corre, Se, já rendida à dor, verga ao cansaço, Perco o rumo à razão que me socorre. Que me não faltes, mão dos gestos leves, Que esculpes, que constróis, que remodelas, Que, sem hesitações, aqui te atreves A dissecar miséria e coisas belas E a arder nos mil pavios do que não deves, Porque há quem vá negar-te a luz das velas, Quem queira dar-te fama e voz, tão breves Que ocultem o sentido ao barro, às telas, Para honrar com néons quanto nem escreves! Maria João Brito de Sousa – 09.02.2014 – 17.07h Imagem - "Genesis" - Jacob Epstein