DOS DIAS EM QUE OS SONETOS NASCEM, O MUNDO SORRI E OUTRAS DIVAGAÇÕES
Há dias, - tantos dias... - em que os dedos se me contorcem em torno de inexistentes canetas e eu fico num confronto desigual com a dor física que vai mordendo, insistentemente, o anestesiado manto em que me envolvo. Nesses dias, - quase todos, quase sempre - retomo o sorriso de Maria-Sem-Camisa e nascem-me sonetos com a sonoridade das gargalhadas e do canto. As mãos, mesmo tolhidas, recusam a imobilidade imposta pela dor e procuram, tacteiam em torno de qualquer coisa que escreva. Qualquer coisa onde escrever. Nem sempre visíveis, porque inevitavelmente dispersos, os objectos acabam por me encontrar, quase sempre no limite do verso que nasce. Dentro desses momentos há, sempre, outros momentos em que outras urgências se antecipam à minha própria urgência. Um dos gatos vomita. A cadela arranha a porta da rua num evidente apelo a um breve passeio, o cheiro a arroz queimado recorda-me o jantar dos cães, que estava ao lume... São dias como outros quaisquer. Porque todos os dias são dias d...