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DORME, LUÍSA

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Tela de F. Botero   DORME, LUÍSA *   Luísa dorme ao som dos carrilhões: De vento e nuvens são os seus cabelos E seus olhos fechados, dois tições Em tempos muito abertos, quase belos... * Dorme a Luísa das contradições Na estrada de tijolos amarelos, Sem latas, sem espantalhos, sem leões, Sem sapatos vermelhos, nem chinelos... * Do grande sono já ninguém a acorda: Não há serpente que agora te morda, Nem princípe encantado há que, a rogo, * Te dê um beijo e te devolva à vida, Que te vais decompondo adormecida No mesmo mar em que eu vivo e me afogo... * Mª João Brito de Sousa 08.05.2022 - 14.40h * (A uma grande amiga que partiu)