SOLFEJO - Fusas, semi-fusas e colcheias
Tombam-me as mãos doridas e confusas Sobre as letras profusas que mal vejo Se disso tenho ensejo... e tu recusas As mesmas semi-fusas que eu almejo... Hei-de queixar-me ao Tejo que me acusas De não cantar-lhe as musas, pois fraquejo! Ah, sobra-me o desejo e, se te escusas, Mais perco, em águas lusas, meu solfejo... Alguma razão tens, pois vou falhando; Os olhos vão errando, as mãos também, E nada me sai bem... mas vou tentando! Talvez tornando brando o que me vem Das águas de ninguém, sem como ou quando, Ainda que chorando, eu cante bem. Maria João Brito de Sousa - 04.01.2017 - 17.40h