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POR TEIMOSIA OU PAIXÃO

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  Eu e a minha mãe, Jardim de Algés, 1958 * Fotografia de  António Pedro Brito de Sousa, meu pai * * POR TEIMOSIA OU PAIXÃO * Por teimosia, ou paixão, galguei-te, ó mar que me sondas, à revelia das ondas e contra a voz da razão... Vi espólios de mil naufrágios onde quer que mergulhei e, onde eu mesma naufraguei desprezando os maus presságios, dei com paixões que eram estágios do que nunca alcançarei pois nunca sequer sonhei fazer delas meros plágios, nem suscitaram contágios as que ali presenciei: Em clareiras abissais, tão profundas, tão escondidas, nas quais se geraram vidas que agora não vivem mais pois sob as ondas letais estão pra sempre adormecidas e há tanto tempo esquecidas que não voltarão jamais, vislumbrei restos mortais de mil estradas percorridas E, sem chorar – pois... pra quê? -, guardei, no fundo do peito, mais a noção que o conceito do que, afinal, o mar é: A todo o que se lhe dê, tenha ou não tenha defeito, conserva em funéreo...

O TAL VINTE E CINCO

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    O TAL VINTE E CINCO *   Aos vinte e cinco foi dia Quando era de madrugada E nesse dia a alegria, Toda a alegria que havia, Explodiu quando libertada Aos vinte e cinco chorou-se Pelo motivo contrário Ao que o estado novo trouxe: Aos vinte e cinco cantou-se, Sonhou-se um poder operário! Tantos mil, fomos vontade, Que num grito, um grito só, Saudámos a liberdade, Todos em pé de igualdade E a pisar o mesmo pó No chão de todas as ruas Metro a metro percorridas Por chaimites, por charruas... E sonhei ou vi faluas Trocar mar por avenidas? Aos vinte e cinco, sonhámos, Aos vinte e cinco sentimos O sabor do que criámos E desse dia guardámos O que hoje não permitimos! Depois? Depois aprendemos, Porque, pouquinho a pouquinho, Percebemos que o que temos São as coisas que fazemos Quando ninguém está sozinho Por isso é que é sempre urgente Lutar mais, com mais afinco, Sem deixar de ter presente Que há sempre quem rosne à gente Que fez o tal vinte e cinco! * ...