Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2025

SONETO DA EFEMERIDADE - Reedição

Imagem
Imagem processada pelo ChatGPT * SONETO DA EFEMERIDADE * Prometo ser-te fiel por dez segundos E dar-te amor num frasco de compota; Prometo-me inteirinha numa gota De um simulacro de órbitas e mundos * Prometo um brilho de astros moribundos Numa galáxia próxima ou remota, Mas não te juro não fazer batota Nem te prometo afectos mais profundos * Queria dar-te um anel feito de luz Mas não me lembro, amor, onde é que o pus... Que nome me disseste que era o teu? * Não te oiço, continuo de passagem... Vou fazer outro "upgrade" à minha imagem, Estou a desconectar o velho Eu. *   Maria João Brito de Sousa   29.10.2021 - 07.30h *** SONETOS DA MATRIX + Soneto ligeiramente modificado

MÃOS DE ABRIL - Reedição

Imagem
Imagem gerada pelo ChatGPT * MÃOS DE ABRIL * * A mão que esboça o verso, ampara a vida, Transporta o saco cheio, amassa o pão, Cava o torrão mais duro e, mesmo f`rida, Prefere a dor sentida a não ser mão, * Renasce a cada causa antes perdida E tece e fia e doba e faz questão De, sobre a tela pronta e já tecida Lavrar, do próprio gesto, a criação. * A mão trabalha ainda, a mão persiste E até quando algemada ela se agita: Ou se livra da peia… ou lhe resiste! * Será por cada mão que não desiste Que a força de que o mundo necessita Justifica a razão que ao povo assiste * Maria João Brito de Sousa – 29.01.2014 – 14.43h ***

O TAL VINTE E CINCO

Imagem
O TAL VINTE E CINCO *   Aos vinte e cinco foi dia Quando era de madrugada E nesse dia a alegria, Toda a alegria que havia, Explodiu quando libertada * Aos vinte e cinco chorou-se Pelo motivo contrário Ao que o estado novo trouxe: Aos vinte e cinco cantou-se, Sonhou-se um poder operário! * Tantos mil, fomos vontade, Que num grito, um grito só, Saudámos a liberdade, Todos em pé de igualdade E a pisar o mesmo pó * No chão de todas as ruas Metro a metro percorridas Por chaimites, por charruas... E sonhei, ou vi faluas Trocar mar por avenidas? * Aos vinte e cinco, sonhámos, Aos vinte e cinco sentimos O sabor do que criámos E desse dia guardámos O que hoje não permitimos * Depois? Depois aprendemos, Porque, pouquinho a pouquinho, Percebemos que o que temos São as coisas que fazemos Quando ninguém está sozinho * Por isso é que é sempre urgente Lutar mais, com mais afinco, Sem deixar de ter presente Que há sempre quem rosne à gente Que fez o tal vinte e cinco! *   Maria João Brito de Sousa 23....

CARAVELAS

Imagem
Imagem Pinterest *  CARAVELAS * Às vezes as caravelas São apenas pedacinhos, Pedacinhos de papel E quando embarcamos nelas Enfunam enormes velas... Quimeras de caravelas, Sonhos de cola e cordel * Às vezes há caravelas No cais de espuma da praia Muito grandes, muito belas, Mitos, pedaços de estrelas Que nascem tarde demais * Caravelas-Papelinhos, Quando lançadas ao mar Enfrentam a tempestade Com maior temeridade Que os heróis dos quadradinhos! * Papelinhos-Caravelas, Caravelas-Papelinhos, Vão ao fundo sem chorar... * Maria João Brito de Sousa 1993 *  

COISA NENHUMA - Reedição

Imagem
Imagem gerada pelo ChatGPT * COISA NENHUMA * Coroa de Sonetos * Jay Walace Mota e Mª João Brito de Sousa 1. * Qual toda nulidade és indizível; És o vazio, contrário do existir, Tu que não foste e nem serás tangível, Quem poderia enfim te definir? * Zero à esquerda, és sempre desprezível E pra coisa nenhuma hás de servir… Mas, sem ser ou ter, és indestrutível Afinal, ninguém pode te atingir… * Como ausência, absoluta ou relativa, No big bang, o ponto de partida, Testemunhaste o início do universo! * Portanto, antes de tudo que há no mundo, Preexististe num ínfimo segundo; Tu és o Nada que havia antes do Verso! * São Paulo, 07 de abril de 2023. Jay Wallace Mota. *** 2. * "Tu és o Nada que havia antes do verso" E tudo o que hoje existe, em simultâneo, Pois nada sendo foste também berço, Filho de ti, teu próprio sucedâneo * E houve fagulhas de hélio e de titânio Semeando no vácuo o sonho emerso Até que a emergência de um gerânio Mais tarde suscitasse um caos inverso... * Eram bel...

A MORTE DO BAOBÁ

Imagem
Soneto criado a partir do último verso do soneto ÁGUAS DE INVERNO da autoria de MEA - Maria da Encarnação Alexandre *** A MORTE DO BAOBÁ *   "Enquanto no tempo a vida se desfolha" Eu tento reter umas quantas folhinhas Escondendo-as do vento pra que mas não colha Ou gritando ao Tempo que são muito minhas * Em vão me debato que não tenho escolha: Uma a uma as perco, todinhas, todinhas, Pró vento que sopra, prá chuva que as molha, Pró solo onde morrem encarquilhadinhas * E quando de todo estiver desnudada De frutos e folhas, sem seiva, sem nada, Saberei que a hora que tanto evitei * Chegou finalmente. De mim sobrará Um tronco sem vida e eu, Baobá, Não mais nas savanas sem fim reinarei. *   Mª João Brito de Sousa 18.04.2025 - 23.45h ***  

CANTA-ME UM FADO - Reedição

Imagem
"O Parto da Viola" - Amadeu de Souza-Cardoso * ** CANTA-ME UM FADO * I * Canta-me um fado louco e rouco e tosco Ao som de uma guitarra há muito gasta, Num beco antigo e sob o brilho fosco De uma gambiarra à porta de uma tasca * Canta-me um fado enquanto em ti me enrosco Pra me esquecer do pouco que me basta, Um que venha depois viver connosco E seja um genuíno fado rasca * Canta-me um só de quantos nunca ouvi Que mostre o que ganhei, o que perdi E me faça sorrir enquanto choro * Um que dê voz aos meus sonhos traídos E devasse os sentidos proíbidos De quanto não vivi e que hoje ignoro * II * Não peço que me seja dedicado, Baste que chegue até ao meus ouvidos Em tom boémio ou triste e tão magoado Que os acordes me soem a gemidos... * Vá lá! Canta-me um fado sussurrado Que seduza os meus versos mal medidos, Que me desminta os sonhos tresloucados E me traga de volta os já perdidos *   Um fado nado numa velha rua Que uma viola parisse à luz da lua Sem pressas nem cuidados nem part...

HAVIA UM MAR II - Reedição

Imagem
Imagem processada pelo ChatGPT *   HAVIA UM MAR II * Existe ainda um mar que em tempo incerto Transpondo quanto dique eu lhe impuser Me galvaniza e vai sempre a crescer Por dentro de mim mesma, a descoberto * Submergindo o que exista lá por perto, Subindo o que é suposto, em mim, descer Numa vaga incontida do meu ser Que quebra e se transforma em livro aberto… * Mole infinda das ondas e marés Nas quais, liberta a escrava das galés, Vaga a vaga, me afundo em vaga alheia * De um mar que podes ser, que também és, Se à praia desces e, molhando os pés, A espuma ascende em nós galgando a areia. * Maria João Brito de Sousa  01.04.2011- 09.16h * NOTA  - Soneto trabalhado a partir do soneto original, também de minha autoria, “Havia um Mar”, in PEQUENAS UTOPIAS , Corpos Editora, World Art Friends

VERÃO - GLOSAS A UM POEMA DE JOAQUIM SUSTELO

Imagem
Joaquim Sustelo e eu no Palmeiras Shopping Fotografia de Cida Vasconcelos * VERÃO *   O verão, estação mais quente, Despediu a primavera. Já se estava dele à espera Eis que surge, sorridente! Ninguém fica indiferente Aos campos, praias e mar Com espaços a abarrotar, De carros e de pessoas! O verão de coisas boas Que o outono há de levar... * Joaquim Sustelo *   Décimas em Glosa * I * Calor? Não me mete medo, Nem me faz ficar doente Como o frio que, de repente, Desde manhãzinha cedo Me enregela - que degredo... - Inda além do Sol poente! Prefiro este Sol ardente, Disso não farei segredo Se invoco - porque antecedo... - "O Verão, estação mais quente"! * II * Menos dor, mais liberdade, Menos roupa, mais quimera... Ai, afinal, quem me dera Que, tal qual minha vontade, Eu, com mais mobilidade, Corresse que nem pantera Quando um pé por outro espera Uma quase eternidade... O Verão porém, na verdade, "Despediu a Primavera" * III * Veio estrear-se em beleza Sob um sol que é ...