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TERCEIRO AUTO RETRATO

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                                                                               Fotografia de Abel Simões * TERCEIRO AUTO-RETRATO * Meu porte de cantiga por cantar, De ideia inacabada e já nascendo Uma outra ideia ainda por esboçar No poema que fui e que vou sendo  *   Castelo de ilusões em tom lunar, Satélite do mundo em que me centro: Se todas as janelas dão pró mar, Todas as portas abrem para dentro! *  Meus olhos, onde a pátina do tempo Tornou mais negro o negro do carvão, Sabem de cor a dor e o sofrimento  * Mas calam, bem calado, o seu talento De verem muito mais que outros verão Quando o olhar vagueia desatento  *   ©Maria João Brito de Sousa   18.02.2008 - 14.10h

UM CANTEIRO DE POEMAS

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Fotografia de Luísa Ribeiro *   UM CANTEIRO DE POEMAS *   Ambiciono bem mais do que dinheiro! Ostentações do mundo? Não as quero, Nem jamais entrarei em desespero Enquanto houver poemas no canteiro *   Pois se cultivo o verso a tempo inteiro, Sou feliz por saber que mais não espero E tudo o que fizer, farei com esmero, Como se cada um fosse o primeiro *    E sei que sou mais rica do que os ricos, Porque bem mais produz a minha mão No cultivo de quanto me é preciso: *   As riquezas do mundo são salpicos Ao pé deste canteiro onde o meu pão Desponta dos poemas que improviso. *     ©Maria João Brito de Sousa  08.02.2008  

REDESCOBERTAS

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Imagem processada pelo ChatGPT * REDESCOBERTAS *   Conquistamos a Nova Imensidão: Somos descobridores e blogonautas A (de)compor um hino em novas pautas, A rasgar, no futuro, uma canção *   O nosso combustível de ilusão Vai convertendo as almas mais incautas E singra-se este mar ao som das flautas Que abrem caminho à nova vastidão *   Navega-nos a alma insaciável Levando o seu estandarte de ideais (que sempre foi preciso navegar!) *   E enfrenta-se a batalha inevitável: Olhai além no cais por entre os mais O Velho do Restelo a protestar! *    ©Maria João Brito de Sousa 27.02.2008 - 09.00h  

DÚVIDA EXISTENCIAL

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    DÚVIDA EXISTENCIAL *   Das palavras fazemos caravelas, Navegamos no espaço das ideias, Somos o germinar de panaceias, Pedras filosofais, chamas de velas... *    Cruzamo-nos em vidas paralelas, Inventamos, no mar, mito e sereias, Acendemos o sol noutras candeias, Pintamos de outra cor as nossas telas *   Se trazemos em nós tanto futuro, Se abrimos uma porta ao amanhã E se nada nos trava, nem nos prende, *    Porque razão será qu`inda procuro Pesar os prós e contras da maçã Que a mesmíssima cobra hoje me estende?  *   ©Maria João Brito de Sousa    27.02.2008 

ALMA DE MAR

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  Eu na praia, 1958 Fotografia de António Pedro Brito de Sousa *   ALMA DE MAR * Eu quero esta minh`alma como o mar Lucidamente líquida, abissal, Mas nunca tão salgada porque o sal É mais denso e pesado do que o ar * Quero a alma que anseio vislumbrar: De uma etérea leveza tão total Que ascenda ao céu que cobre o meu quintal Como se fosse um raio de luar *   Quero ver a minh`alma feita em espuma, Como as ondas do mar a dar na areia: Eu, náufraga-perfeita do que sou, *   Quero a minh`alma esparsa como bruma, Abstracta, intraduzível como ideia Que no mar quis perder-se e se encontrou. *  ©Maria João Brito de Sousa 22.02.08 - 12.00h    

SINFONIA DA VIDA

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Fotografia de minha autoria *    SINFONIA DA VIDA *   No sereno horizonte da razão O verbo é o cometa que procuro, Astro-menino em rota de ascensão que um dia alcançará porto seguro *     Melodia do tempo em vibração, Vislumbre ou pauta etérea do futuro... Se o mundo continua a ser canção, O homem nem o sabe, porque é surdo! *   Voz de Deus ou matéria mais sublime Em revoada de asas de andorinha, Canta a chuva na água que a redime *   Os rouxinóis encantam, à tardinha, E todo este planeta canta e exprime A sua gratidão, que é como a minha. *   ©Maria João Brito de Sousa     03.02.2008 - 15.13h                                                                               ...

A JUSTIFICAÇÃO DO MAR

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        A JUSTIFICAÇÃO DO MAR * Serei, na (in)completude dos gentios, Quem foi, de ti, o berço original, Quem te encheu da grandeza natural De invernos, dos agrestes, e de estios * Sou quem te enfeita de ilhas e baixios, Quem te cava este leito de água e sal, Quem te cobre de bancos de coral, Quem te devolve a água dos seus rios * Sou quem te concedeu a imensidão Das coisas que mal sabes desvendar, Quem cresce ao renovar-te e quem te fez * Eu, a VONTADE, sempre em progressão, De me expandir, de me multiplicar: Sou tudo o que adivinhas mas não vês! *    ©Maria João Brito de Sousa * 23.01.2008        

QUIMERA

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                              Tela de minha autoria *  QUIMERA *     Trouxe-te a noite em asas de poema,   Levou-te uma manhã sem coração:   Foi-te a vida fugaz como ilusão   Mas deixou-me a saudade imensa, eterna *     Se tudo o que vivemos vale a pena   Teria o teu percurso sido vão?   Meu menino, sei lá por que razão   Te concederam vida tão pequena... *     Mas se, apesar de tudo, ainda vives   Se a alma pequenina que tu és   Ganhou as asas de anjo que sonhei   *     Então existo menos do que existes:   Sou o barro em que pousam os teus pés   E velo uma quimera que engendrei.   *        ​ ©Maria João Brito de Sousa   04.02.2008 - 03.30h *

A CASA DO/A POETA - Reedição

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A CASA DO POETA - Reedição *   A casa do poeta é oficina, É estaleiro de versos e de ideias Sopradas pelo vento nas areias, E imensa, embora sendo pequenina *   Tem algo que nos prende e que fascina, Como se fosse urdida por sereias Que vão tecendo, líquidas, as teias Que arrogam condição semi-divina... *   A casa do Poeta, como a vida, Está cheia de surpresas, novidades E, não tendo a ambição de ser maior *   Nem  estando para tanto prevenida, Tem sempre um espaço livre pràs saudades Que o tempo vai urdindo em seu redor. * Maria João Brito de Sousa 27.07.2008 - 01.56h ***

SIMBIOSE

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SIMBIOSE * Perdeu o voo, o meu amigo alado, Perdeu autonomia e perdeu vida Este Columbia livia de asa ferida Que acabo de tomar a meu cuidado. * Talvez volte a voar, talvez magoado Perdesse a tal vontade desmedida Que nos confere impulso de partida Sempre que o céu se torna desejado... * Perdido o vôo, perde a ousadia, Perde tudo o que tinha de mais belo, Talvez nem queira já viver sequer, * Mas eu sou doutorada em teimosia, Desdobro-me em cuidados, trato, velo, Já nem sei se sou pomba ou sou mulher! * Maria João Brito de Sousa   in Poeta Porque Deus Quer Autores Editora, 2009 ***  

O CÃOZINHO QUE NASCEU COM AS PATAS BRANCAS

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Era uma vez... era uma vez uma mulher que queria escrever uma história para a Fábrica de Histórias e não sabia ficcionar... Chegara recentemente a essa conclusão e sentira-se um tanto ou quanto diminuída por isso. Era simples, a mulher, mas tinha o seu orgulhozinho e tamanha lacuna parecia-lhe estranhíssima. Tanto mais que ainda se recordava de ter ficcionado uma ou outra historieta para as filhas, em tempos que, há muito, já lá iam. Caramba! De uma ficçãozita todos somos capazes! - Invectivou-se, como se aquilo lhe puxasse pelos cordelinhos da imaginação e pusesse a emperrada maquineta da memória a funcionar. Nada. Nem uma palavrinha para além do "Era uma vez"... só sentia. Ah! Sentir, sentia! Sentia, nesse dia, uma particular gratidão por alguém que a ajudara a salvar a vida  -   ainda débil, ainda "tem-te, não-caias!" -  da gatinha que a mãe lhe trouxera para casa há sete anos atrás. Por isso e porque "sentir" sempre fora a sua especialidade, a mulher d...

A PEDIDO DE VÁRIAS FAMÍLIAS...

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       Pronto. Já passou muito tempo e muitas pessoas me têm perguntado como vai o mealheiro para a compra do célebre Portátil 2008. Algumas dessas pessoas nem sequer são bloggers, mas têm acesso à net e gostam de ler o poetaporkedeusker. Aqui vai a última actualização: 310 euros. Um dos elementos do COPROP (Comissão Pró Portátil) encontra-se, neste momento, de férias, mas mal ele regresse sugerirei que se comece a pensar na devolução dos donativos aos Mecenas que contribuíram para a causa do Soneto na Blogosfera. A todos os que já contribuíram, a todos os que pensam ainda contribuir e a todos os que não contribuíram porque os tempos estão mesmo muito díficeis, eu deixo o meu abraço de agradecimento. Um abraço de cometa também para todos os elementos do COPROP que têm sido incansáveis e para a equipe do Sapo que pôs em destaque o Café com Natas quando esse blog lançou um apelo em prol desta causa. Durante mais alguns dias a conta manter-se-á disponível. Espero não ser fuzilada pelos ...