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A mostrar mensagens de novembro, 2016

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXVIII

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  OS PESCADORES     Saem para alto mar, os pescadores Nos barcos levam redes pro pescado. Esquecem alegrias e até dores E enfrentam o mar bravo, revoltado   Fazem daquela noite os cobertores. Pla aurora com o barco carregado vendo já o horizonte doutras cores Voltam ao areal tão almejado   Descarregado, o peixe vai pra lota E de voo rasante uma gaivota Junta-se à cerimónia num bailado   -Venha cá ver freguês, peixe fresquinho De boa qualidade. Baratinho! Chamam quem quer comprar; neste cantado     MEA 19/11/2016 FAINA INCERTA "Saem para alto mar os pescadores" Que a faina é dura, mas a fome aperta E há que alimentar filhos menores Que aguardam, dessa faina, a volta incerta. "Fazem daquela noite os cobertores" E, do luar, lençóis, quando o alerta Das vagas a crescer, sempre maiores, Lhes chicoteia o bote e os desperta. "Descarregado o peixe vai pr`a lota", Sonhava um pescador, mas a derrota Do sonho morre ao som do mar revolto; "- Venha cá ver, freguês...

GLOSANDO MATOS SERRA IV

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  AMOR, RAZÃO, JUSTIÇA E PAZ. Eu queria libertar a minha ‘sperança… acreditar no mundo que há-de vir, queria querer, antever e pressentir um mundo de razão e confiança… Queria afastar de mim a má lembrança para poder dizê-lo sem mentir… que creio no presente e no porvir e que s’esperam tempos de bonança. Pudesse olhar o mundo num sorriso… Dizer que estava a ver o paraíso… p’ra lá de ser cretino eu era audaz Mas…posso eu acaso… em consciência dum mundo aonde impera a violência ‘sperar amor, razão, justiça e paz ?... Matos Serra * SONETO DA MADURA IDADE "Eu queria libertar a minha `sperança", Deixar de duvidar, ter só certezas, Morar dentro de um sonho, entre princesas, Elfos e fadas. Velha, mas criança! "Queria afastar de mim a má lembrança" De algumas, ou de todas as tristezas E exp`rimentar as glórias das burguesas Diante da conquista da abastança. "Pudesse olhar o mundo num sorriso" E - posso garantir! - perdera o siso, Bem como o que em bom-senso me tra...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXV

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  IMPÔS-SE A RAZÃO ACIMA DAS RAZÕES      Houve no céu farrapos escurecidos  Que calaram o sol com a cortina Que desceu sobre os dias então idos Sem haver neles débil lamparina   E foram dias, meses, tão temidos Sem neles perceber luz cristalina  Asfixiando medos e gemidos  Que este fogo ateavam em surdina   E quantos mais passavam mais queimava Mais me faziam triste e me inflamava Ateando em mim a chama da razão    Porém, porque a razão se impôs acima De todas as razões, um raio anima E brilhou de luz plena de clarão     MEA 24/11/2016 DEPOIS DA TEMPESTADE... "Houve no céu farrapos escurecidos" E calaram-se as musas que, assustadas, Procuravam seus versos diluídos No vapor dessas nuvens tão cerradas. "E foram dias, meses, tão temidos" E foram tantas noites acordadas Que os versos lhes murcharam, já esquecidos, E as rimas se renderam, já cansadas. "E quantos mais passavam, mais queimava" Aquela frustração que as dominava Depois de tanto os procurar em vão, ...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXVI

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  A CHEGADA DO INVERNO Ele fez-se anunciar. E veio rude Das nuvens caiu choro de tristeza E as lágrimas da chuva em altitude Foram pérolas brancas de beleza   Pelas serras cobrindo a negritude Imposta pelo fogo à natureza Há cândidos lençóis em plenitude Simbolizando manto de pureza   Arvoredos já nus gemem lamentos Quando os sopros gentios desses ventos Lhes arrancam os troncos ressequidos   Enquanto lá por fora ainda neva Nas lareiras há chama que se eleva Deixando assim os lares aquecidos MEA 25/11/2016 SOBREVIVENDO... "Ele fez-se anunciar. E veio rude" Nas vergastadas de Éolo, em protesto Contra quem lhe resiste e desilude A prepotência do tirano gesto. "Pelas serras, cobrindo a negritude", Sobra um resto de verde. Ainda um resto, Como se nos bastasse essa atitude De um verde resistente, firme, honesto. "Arvoredo já nus gemem lamentos" Sobre os terrenos pardos, lamacentos, E sobre os tiritantes caminheiros; "Enquanto lá por fora ainda neva", ...

DIALOGANDO COM JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

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  SONETO PRESENTE Não me digam mais nada senão morro aqui neste lugar dentro de mim a terra de onde venho é onde moro o lugar de que sou é estar aqui. Não me digam mais nada senão falo e eu não posso dizer eu estou de pé. De pé como um poeta ou um cavalo de pé como quem deve estar quem é. Aqui ninguém me diz quando me vendo a não ser os que eu amo os que eu entendo os que podem ser tanto como eu. Aqui ninguém me põe a pata em cima porque é de baixo que me vem acima a força do lugar que fôr o meu José Carlos Ary dos Santos, in "Resumo"     SONETO DE "ANTES QUEBRAR QUE TORCER"     E que posso dizer-te que não saibas Melhor dizer do que eu jamais direi? Poeta, não há sonho em que não caibas, Nos sonhos infindáveis que eu sonhei,   Nem há garra maior, mais ternas raivas, Nem palavras, das tantas que engendrei, Nem unhas com que as laive como as laivas, Nem dedos, nem paixão, nem regra, ou lei,     Mas, vender-me? Isso não, nunca o faria! Como tu, mais depressa quebraria...

DIALOGANDO COM DAVID MOURÃO FERREIRA

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  E POR VEZES     E por vezes as noites duram meses  E por vezes os meses oceanos  E por vezes os braços que apertamos  nunca mais são os mesmos    E por vezes  encontramos de nós em poucos meses  o que a noite nos fez em muitos anos  E por vezes fingimos que lembramos  E por vezes lembramos que por vezes  ao tomarmos o gosto aos oceanos  só o sarro das noites não dos meses  lá no fundo dos copos encontramos  E por vezes sorrimos ou choramos  E por vezes por vezes ah por vezes  num segundo se evolam tantos anos  David Mourão-Ferreira, in 'Matura Idade'     PORÉM...     Noutras vezes, porém, os dias voam E as noites são parcelas de segundos No ciclo biológico dos mundos Que aos sonhos dos humanos não perdoam     E, passando a voar, nos atordoam O estremunhado sono em espasmos fundos, A nós que aqui provamos ser fecundos Na esp`rança de que uns deuses se condoam...       Passageiros da vida, é no naufrágio Que temos cais seguro e prometido, Votado e assegurado por sufrágio     Da...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXIII

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  QUANDO A LUA TARDAVA DE LUAR Bebi o néctar fresco desse olhar Numa tarde ofuscada plo sol pôr  Quando a lua tardava de luar E as sombras se alongavam sem pudor   E, esqueci-me das horas nesse mar Nas ondas encrespadas pelo amor Que vão adormecendo devagar Num arrasto espumoso de candor   Havia no céu lápis de carvão  Que peenchiam nuvens em fusão  Na noite que beijou restos da lua   Lentamente caíram gotas frias Que afagaram meu corpo em cortesias Cobrindo minha pele ainda nua     MEA 23/11/2016 OUSADIAS DE UMA POETA SINESTETA "Bebi o néctar fesco desse olhar", Provei o pão das bocas mais famintas, Mas fui matando a fome num manjar Composto por pincéis, telas e tintas "E esqueci-me das horas nesse mar" Que também será meu, caso o consintas, Pois que, sem to pedir, te ouso glosar Com letras de impressão, negras, retintas... "Havia no céu lápis de carvão" E eu, que os tinha mesmo ali, à mão, Usei-os pr`a esboçar-te algumas glosas; "Lentamente caíam go...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXII

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FUI BARCO AMARRADO NO CAIS O dia despertou pardo e cinzento E, caindo em cascata dos beirais Inundando o recinto de cimento Desabam grossos rios verticais   Trouxe por companheiro tanto vento! E eu, fui barco amarrado no meu cais. Presa, só passeei em pensamento Ao visitar caminhos e locais   Percorri-os, supondo aquela calma Sabendo não haver neles vivalma Que me fala infeliz ou ansiosa   Sem que do sol tivesse algum aviso Nem sequer pequeníssimo sorriso A noite anunciou-se nebulosa   MEA 21/11/2016,     ESTE ÚLTIMO CIGARRO   "O dia despertou pardo e cinzento"; Cenário de um grotesco furacão Que uivasse o seu fantástico lamento A tão (in)desculpável solidão.   "Trouxe por companheiro tanto vento!" Vergou troncos, mudou a direcção Da louca dança e, sendo um trapalhão, Ufanou-se de ter graça e talento...   "Percorri-os, supondo aquela calma", Aos mais fundos abismos da minh`alma E por lá estacionei meu velho carro.   "Sem que do Sol tivesse algum aviso...

GLOSANDO ÁLVARO DE CAMPOS

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  AH, UM SONETO... Meu coração é um almirante louco Que abandonou a profissão do mar E que a vai relembrando pouco a pouco Em casa a passear a passear... No movimento (eu mesmo me desloco Nesta cadeira, só de o imaginar) O mar abandonado fica em foco Nos músculos cansados de parar. Há saudades nas pernas e nos braços. há saudades no cérebro por fora. Há grandes raivas feitas de cansaços. Mas — esta é boa! — era do coração Que eu falava... e onde diabo estou eu agora Com almirante em vez de sensação?... Álvaro de Campos   12-10-1931? Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993.      AH, UMA GLOSA A UM SONETO DE UM HETERÓNIMO DE FERNANDO PESSOA ...   "Meu coração é um almirante louco", Um tanto entorpecido, um tanto gasto, Mas ainda capaz de dar-vos troco Por não ser puritano, ausente e casto.   "No movimento (eu mesma me desloco" escutando o foco, enq...

GLOSANDO NATÁLIA CORREIA II

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  DE AMOR NADA MAIS RESTA QUE UM OUTUBRO De amor nada mais resta que um Outubro e quanto mais amada mais desisto: quanto mais tu me despes mais me cubro e quanto mais me escondo mais me avisto. E sei que mais te enleio e te deslumbro porque se mais me ofusco mais existo. Por dentro me ilumino, sol oculto, por fora te ajoelho, corpo místico. Não me acordes. Estou morta na quermesse dos teus beijos. Etérea, a minha espécie nem teus zelos amantes a demovem. Mas quanto mais em nuvem me desfaço mais de terra e de fogo é o abraço com que na carne queres reter-me jovem.   Natália Correia, in “Poesia Completa”     ALECRIM VIVAZ     "De amor nada mais resta que um Outubro". Abençoado Outubro, este meu fim, Se inteira refloresço e redescubro O melhor desta flor que habita em mim!   "E sei que mais te enleio e te deslumbro", Mesmo que as folhas tombem no jardim Cumprindo o ritual de um estranho culto Ao qual se opõe, rebelde, o alecrim...     "Não me acordes. Estou morta ...

GLOSANDO ANTÓNIO DE SOUSA III

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NUVEM Lá longe, aonde a vida me começa - sorria por engano um sol de Inverno - Não sei que deus me fez sua promessa E fui outro menino, ávido e terno. Mas a infância passou, nua e depressa - subira o Sol como um clarão de inferno - E fiquei-me neste ar de quem ingressa; Grotesco, trivial, falso e moderno. - Número sete, um passo em frente! - Pronto! (A voz que me chamava, certa e calma, Não viu que eu avançava cego e tonto...) Achou-me assim, o tal que me perdeu! - Ó nuvem! - tarde triste da minh`alma, Quem por seus sonhos sofre como eu? António de Sousa In "Livro de Bordo" (2ª edição) Editorial Inquérito PÓDIO "Lá longe, aonde a vida me começa", O Tempo é bem mais lento do que eu sou; Corro, passo-lhe à frente a toda a pressa, Sou quem ao próprio Tempo ultrapassou! "Mas a infância passou, nua e depressa" E a vida, quando os passos me travou, Provou-me que, vivendo, se tropeça Onde jamais o Tempo tropeçou... "- Número sete, um passo em frente! - Pront...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXI

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SONHO ADIADO   Sonhei quando dormia um sonho lindo Sonhei que havia paz, findara a guerra Que todas as crianças estavam sorrindo Sonhei não haver fome aqui na terra Sonhei que todos estavam construindo Tudo que de melhor a vida encerra Que os idosos viviam lá sorrindo Que havia protecção até pra serra Que os rios tinham água sem sujeira Que não havia ao povo roubalheira Que pra todos havia um ordenado Que todos tinham casa, tinham pão Sonhei que não havia exploração Porém, somente foi sonho adiado MEA 18/11/2016 (R)EVOLUÇÃO   "Sonhei quando dormia um sonho lindo" Que podia tornar-se bem real Se acordassem os muitos que, dormindo, Não têm, nem sonhando, um sonho igual;   "Sonhei que todos estavam construindo" As bases de uma paz universal E que o novo edifício ia subindo, Crescendo sem parar, na vertical,   "Que os rios tinham água sem sujeira", Que os céus sorriam, livres da poeira Das cinzas de uma Terra incendiada,   "Que todos tinham casa e tinham ...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XX

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  QUERO COLHER O DIA   Quero colher o dia que nasceu Como quem colhe frutos. Com afecto E degustar os gomos que me deu Ao sorver seu perfume mais secreto Saciar esta fome, no apogeu De sabores e cores, tão concreto Que ele nesse festim me concedeu Em ambiente ameno e tão completo Inspirarei com gozo seus perfumes Os olhos bem fechados, sem queixumes Espargindo pelo ar minha ternura Quero beber seu sumo envolto em sol No canto musical dum rouxinol! Enfim…quero colhê-lo sem bravura! MEA 16/11/2016 VIAGEM "Quero colher o dia que nasceu", Lançá-lo no convés da minha barca, Levá-lo além do mar, torná-lo meu, Deixar-lhe, em hora incerta, a minha marca... "Saciar esta fome no Apogeu" Do ponto que a visão precisa abarca, Rendê-lo e, por momentos, dar-lhe o céu Onde, em tempos, reinava a velha Parca... "Inspirarei com gozo seus perfumes", Mostrar-lhe-ei corais, conchas, cardumes De coloridos peixes tropicais; "Quero beber seu sumo envolto em sol", Tornar-...

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO XII

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  RENDIÇÕES     Atrás de escura nuvem se escondeu Adivinhando a chuva que aí vinha O sol envergonhado lá no céu E foi-se embora o brilho que ele tinha   Fenómenos que são tão curiosos... A minha mente quase nem entende... Astro tão forte, raios luminosos, Esconde-se  envergonhado... até se rende...   Será por ver na chuva que o céu  chora Que a culpa é dos seus raios que hão lá posto Nas nuvens, água que há evaporado?    Também te fiz chorar... fui sem demora Secar-te duas lágrimas no rosto Depois eu me rendi, envergonhado.    Joaquim Sustelo   (em OUTONO DA VIDA)       NUVEM PASSAGEIRA...     "Atrás da escura nuvem se escondeu" Uma lua tristonha, a soluçar, E a noite, que de escura, era de breu, Deixou de ter a bênção do luar...   "Fenómenos que são tão curiosos"... Falando de matéria inanimada, Damos-lhe sentimentos que são nossos E até vemos a lua angustiada...     "Será por ver na chuva que o céu chora" Que pensamos que a lua sofre, cora, E pode ser pa...

GLOSANDO ANTÓNIO DE SOUSA

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EXÍLIO Cobriu-me de desprezo o dia pardo, a flor azul do riso das donzelas, o lento rio de águas amarelas e o frio, que pesava como um fardo... Meu sonho - vôo tonto de moscardo a tentear vidraças de janelas - zoava de horas túmidas e belas; morria, seco e duro como um cardo. Sempre de mim a mim, nos meus caminhos, pedindo em vão a esmola de vizinhos e lume certo a um lar que não tem brasas. (Menino triste que já é demais, sou de filhos, irmãos, mulher e pais para esconder do Céu uns cotos de asas.) António de Sousa In "Livro de Bordo" (1ª edição),  Editorial Inquérito O CAIS   "Cobriu-me de desprezo o dia pardo" que violava as frestas das janelas como a nortada enfuna as rotas velas da minha barca de pirata... ou bardo... "Meu sonho - vôo tonto de moscardo" somando à própria fuga, outras procelas... - perdidos mastro e leme, embate nelas e cai pesadamente, como um fardo. "Sempre de mim a mim, nos meus caminhos", tecendo, para as velas, novos lin...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XVIII

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  O VERBO AMAR DOS OLHARES   Nos olhares que sabem nos sorrir Há vontade de querer, de ser feliz E sem palavras sabem traduzir Algo que nos colora de matiz   Nos olhares que sabem seduzir Que sabem apagar a cicatriz E despertar em nós outro sentir Há a luz e a magia que se quis   Nos olhares que sabem convencer Que o futuro é também um aprender Duma forma diversa e diferente   Esses olhares sabem cativar Neles há sedução do verbo amar Conjugado pra sempre no presente   MEA 19/10/2016   DE OLHOS NOS OLHOS "Nos olhares que sabem nos sorrir" E nos enlaçam nesse seu sorriso, Há canteiros de versos a florir De quanto, sendo grato, for preciso... "Nos olhares que sabem seduzir", Nasce a amizade e morre o (pre)juízo Do que apenas seduz pr`a reduzir Cada ousadia, ao gesto mais conciso... "Nos olhares que sabem convencer", Luz algo que consegue converter A própria dissidência, ao dissidente; "Esses olhares sabem cativar" A franca timidez de um outro olhar...

GLOSANDO NATÁLIA CORREIA

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  SOBE O PANO   Onde se solta o estrangulado grito, Humaniza-se a vida e sobe o pano. Chegam aparições dóceis ao rito Vindas do fosso mais fundo do humano.   Ilumina-se a cena e é soberano, No palco, o real oculto no conflito. É tragédia? É comédia? É, por engano, O sequestro de um deus num barro aflito?   É o teatro: a magia que descobre O rosto que a cara do homem cobre E reflectidos no teu espelho - o actor -   Os teus fantasmas levam-te pr`a onde O tempo puro que te corresponde Entre as horas ardidas está em flor.   Natália Correia.   DESCE O PANO   "Onde se solta o estrangulado grito" Das algemadas mãos do desengano, Redobra em esforço insano, o ser constricto, Que actua, invicto, até que caia o pano.   "Ilumina-se a cena e é soberano" O esforço (des)humano. Eu acredito Porquanto a fundo o fito, em"mano a mano", Qual de nós mais tirano... ou mais aflito...   "É o teatro: a magia que descobre" O primeiro a esvair-se, o que se dobre, Sobre ess...

CONVERSANDO COM O POETA JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES III

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EU FUI O SONHO Eu fui a ave desbravando o espaço, Eu fui o grito ecoando ao vento, Eu fui o mar sereno e o violento, Eu fui o beijo, o afago e o abraço! Eu fui a eternidade e o momento, Eu fui a caminhada passo a passo, Eu fui a resistência e o cansaço, Eu fui o desalento e o alento… Eu fui a meta e ponto de partida, Eu fui a paz e a raiva enfurecida, Eu fui o horizonte da verdade! Eu fui o amanhã da ilusão, Eu fui o sonho desta geração, Eu fui Democracia e Liberdade!... José Manuel Cabrita Neves     EU FUI...   Eu fui a noite, quando o sol raiava, Eu fui a cama de um quarto de lua, Eu fui a pedra solta de uma rua, Eu fui , em simultâneo, altiva e escrava...   Eu fui esta torrente que me estua, Eu fui este estuário em que me olhava, Eu fui, do sol, a nuvem que o tapava, Eu fui a que se veste e fica nua...   Eu fui ninguém, quando era toda a gente, Eu fui, de estranha forma, omnipresente, Eu fui todos os versos que engendrei!   Eu fui opaca, enquanto transparente, Eu fui pedra, papoila,...