CRUZANDO O RUBICÃO
Imagem Pinterest * CRUZANDO O RUBICÃO * Já terão todos migrado Deste bairro hoje fantasma? Serei eu um ectoplasma Que expirou sem ter notado? Está vazia, a casa ao lado... No Sapal paira o miasma De uma solidão que pasma O mais bem acompanhado... Que é do sapinho encantado Que tanto me entusiasma? * Percorro as ruas vazias... Nem o vento me acompanha Nesta caminhada estranha E as horas tornam-se frias, Pesadas como manias Que alguém, tendo, não detenha Por ser tarefa tamanha Que só as melancolias A igualam, nalguns dias Em que alguma em nós se embrenha... * Nem vivalma! E percorri O Sapal todo inteirinho Sem vislumbrar um sapinho Dos tantos que havia aqui... Nem notei mas, sim, morri E este é um outro caminho, O tal que se faz sozinho Quando nos vamos daqui... Não fui eu que decidi E, para trás, deixo um ninho * Mas não tenho alternativa... Não posso dizer que não Estando em decomposição O corpo no qual fui viva E, hoje, sou alminha à d`riva... E agora? Que direcção Me aponta este cora...