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ARY

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ARY * Eu digo Ary como quem morde ou beija Uma palavra ainda por escrever No painel da razão de quem deseja Que Ary, já tendo sido, volte a ser. * Encontro Ary num verso em que o reveja Depois de adormecido, acontecer Onde houver estevas, ramos de carqueja E um sol que se recuse a adormecer. * A Ary, que já partiu, não vi partir... Embora a todos caiba decidir, Teimo em reconhecê-lo vivo e são * Nos versos que engendrou e que pariu Quando de rubras rimas se cobriu Pra gritar povo e luta e espanto e pão! *   Mª João Brito de Sousa 19.01.2022 - 16.40h ***   NOTA - Soneto criado para uma rubrica do HORIZONTES DA POESIA

DEUSES SOMOS NÓS!

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"Pensando nos secamos e perdemos Esta força selvagem e secreta Esta semente agreste que trazemos E gera heróis, homens e poetas"   Ary dos Santos     Glosa   "Deuses somos nós!"     "Pensando nos secamos e perdemos" Mas, não pensando, iremos na colecta Do que outrem, mais astuto, nos prometa E que, no fundo e sem saber, já temos;   "Esta força selvagem e secreta" Em que, hora a hora, nos reacendemos Já que concretamente a concebemos Abstracta, de aparência, mas concreta,   "Esta semente agreste que trazemos" Nesta barca de espanto, em seus dois remos, Na vela que reclama hastes erectas   "E gera heróis,(e) homens e poetas"... Eis quanto nos define. O que seremos? Dessa mesma matéria o talharemos!     Maria João Brito de Sousa - 22.06.2017 – 16.48h   In “ERA UMA VEZ UM POETA... ARY DOS SANTOS, UM POETA ORIGINAL” Antologia Horizontes da Poesia, 2017, Euedito