A SEU TEMPO
A SEU TEMPO * Hoje não escrevo, não, que, se escrevesse Decerto solitária ficaria E já basta da dor que não se esquece, E já sobra de um espinho o que eu não queria. * Hoje não escrevo porque, se o fizesse, Nem a palavra exacta encontraria Por muito que a buscasse, ou recorresse Ao truque de a grafar de alma vazia. * Mas... agora reparo que aqui deixo Palavras que concebo sobre um eixo Melódico e ritmado quanto baste. * Grafei-as quase, quase sem notar, Assim que as vi maduras a tombar, A seu tempo, uma a uma, haste por haste. * Maria João Brito de Sousa – 15.08.2018 – 17.46h