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SEI LÁ II

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  Sei lá se posso, ou não, continuar, Se devo ou nem sequer devo escrever, Se vale, ou não, a pena `inda teimar Quando a vontade teima em não nascer...   Não sei! Nem sei se posso acreditar Que amanhã ou depois me vá esquecer E que a vontade volte a conquistar Um dom que lhe parece não caber...   Perdi-me e não me encontro sem escrever-me Mas escrever-me não sei sem me encontrar, Por isso nada sei! Não me perguntem   Que estranha coisa está a acontecer-me, Porquê este soneto a gaguejar Nas palavras que ainda repercutem...     Maria João Brito de Sousa - agora, só porque seria perigoso para a minha permanência física não me nascer, sequer, um péssimo soneto.

NÃO FALES DO QUE NÃO SABES

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  Não me venhas dizer que é este o preço Que tenho de pagar mais uma vez! Não me venhas falar do que não vês Pois posso valer mais que o que pareço…     Nada tenho pr`a dar-te e nada peço. Só quero a minha paz porque talvez Eu tenha um bem maior que os teus porquês Na estranha lucidez em que me meço.     Não venhas de mansinho e disfarçado Com as falinhas mansas do costume; Não finjas ser um nobre protector,     Porque é possível que já tenhas dado Mais que o suficiente desse estrume Com que tentas cobrir tudo em redor.         Maria João Brito de Sousa – 20.09.2010 – 22.02h     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

QUINTA E SEXTA FEIRA

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    CONVERSAS DE MÃE PARA FILHO II     Vens magoado e esculpido pela sorte Que em nada bafejou a tua vida, Revoltado, sem pouso e já sem norte, Sondar a felicidade prometida… E não, não era este o teu transporte. Esta aproximação mal conduzida, Vai deixando, em nós dois, o travo forte Da situação que está comprometida. De nada me serviu tanto poema, Tanta verdade e tanta confissão; Ninguém entendeu nada do que eu disse! Também ninguém entende que o problema Só se exacerba na contradição De quem, querendo ajudar , faz mais tolice…     Maria João Brito de Sousa   “Il ne faut pas s`affliger de n`être pas connu des hommes, mais s`affliger de ne pas connaître les hommes." Confucius, Entret. 1.16       SOPRA O VENTO     Vai o vento soprando em derredor Deste corpo despido de ideais E enquanto o vento sopra, mais e mais, Vão-me esses ideais ganhando cor. Se enquanto o vento sopra, faz calor Os corpos que se despem são normais Pois surgem-lhes ideias geniais E aprendem a despir tam...

VER-ME ONTEM, VER-ME AGORA

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  Vês-me como me viste em tempos idos; Ingénua, incauta e até perturbadora, Rastejando nos trilhos mais escondidos… Vês tudo o que em mim viste e vês-me agora. Vês-me chorando os mais desprotegidos, Amando as plantas, tal como era outrora, Subindo enquanto desço o já subido, Descendo se só penso em ir-me embora E, se assim tu me vês, assim serei! A teus olhos me moldo e pouco importa Que eu te fale das coisas como as sinto, Que desvende o que nunca te mostrei, Te aponte o esconderijo ou te abra a porta, Pois nunca aceitarás que te não minto…     Maria João Brito de Sousa

O DESENROLAR DOS TEUS DIAS

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    Tu estavas em silêncio, os olhos postos Na imensidão do mar dentro de ti E, por fora de ti, estavam mil rostos Curiosos de te verem por ali. Teus olhos nada viam; nem desgostos, Nem medos ou razões. Dentro de si, Os outros, os que te iam sendo impostos, Tremiam, tal e qual como eu tremi. Tu estavas em silêncio, mas não estavas Ali, onde o rugir das ondas bravas Assustava os demais que as contemplavam E nesse teu silêncio me bastavas, Sem que desses por mim me conquistavas E era assim que os teus dias se passavam…     Maria João Brito de Sousa – 07.09.2010 – 11.41h

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XVIII

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  BEM TE VI   Bem te vi, velho cuco que passavas Na mira de ocupar alheio ninho E, repleto de pão, farto de vinho, Nem por um só segundo vacilavas.     Bem te vi quando tanto procuravas Voando sobre a mata e, de mansinho, Mergulhavas a fundo, tão baixinho Que quase – temi eu… – te despenhavas.     Bem te vi, mas não disse ter-te visto Na tua insana busca. A natureza, Deste mesmo planeta em que eu existo     Te criou alheado das razões Que me vão tendo, a mim, nesta pobreza… (E não. Nenhum de nós teve ilusões.)         Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 11.29h       O LOUCO, O ENIGMA E A ESPERA       … e ria-se das coisas que não tinha Esquecido, já, das tantas que tivera Se, em noites de luar, descia à vinha Ébrio do louco amor que tinha em Hera E, a seguir, nos vinhedos, se entretinha, Tão nu como se a própria Primavera Da nudez lhe engendrasse uma adivinha Que decifrasse a dor de cada espera… Se chovia, explodia num desnorte! Escorria-lhe esse estigma encosta abaixo, Turbava-se...

REFLEXÕES DE UM ALTRUÍSTA

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    Sou subtil, metafórico e, contudo, Tenho, às vezes, certo mau feitio; Só quero aquilo com que mais me iludo, Depois, chego a pensar que é doentio… Se oiço um grito bem alto e muito agudo Sinto, no corpo inteiro, um arrepio E, a correr, vou logo ver se acudo Mas, em vez de ajudar, tremo de frio… Sou compulsivo! Nunca sei se o faço Porque devo fazê-lo ou se, ao contrário, É um puro exercício de egoísmo Que guia o lato impulso do meu braço… [será que este feitio, tão temerário, pode ter qualquer coisa de altruísmo?]       Maria João Brito de Sousa – 02.09.2010 – 22.09h       PS - O Sapo fez anos, esqueci-me de lhe dar os parabéns - não foi só a ele... - e é muito provável que, hoje, não tenha tempo para o fazer... ficam aqui os meus PARABÉNS AO SAPO. Desculpa, jovem batráquio... gosto muito de ti, mas no que toca a datas...

OS OCULTOS E OS MENOS VISÍVEIS

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      Amo as rosas, que planto, e o seu espinho Que, insurrecto, as consola e as defende; Da rosa, creio sempre no carinho, Do espinho, quanto dele se subentende. Amo, também, a flor do rosmaninho E a chã erva-moirinha que se estende, Insubmissa, rompendo o seu caminho, Pois quanto menos vista, mais me prende… Creio em mil coisas em que ninguém crê E desdenho outras mil que todos querem! Mas porque é que será que eu amo assim Mil coisas que, afinal, mais ninguém vê? [e não abdico, mesmo quando ferem, das mais humildes ervas de um jardim…]     Maria João Brito de Sousa – 01.09.2010 – 21.28h       Imagem retirada da internet

QUE LOUCO!

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  Q ue louco admitiria ser profeta Nos dias deste tempo em que vivemos? Dantes a ignorância mais completa Dava-lhe segurança, pelo menos… Hoje é de melhor tom não ser asceta, Falar do que comemos e bebemos, Gracejar, dizer uma ou outra “peta” E ir aspirando a dias mais amenos… Mais dia, menos dia, a bomba explode! Um descai-se e, sem querer, revela, enfim, Vocações inconfessas, silenciosas… Depois… vamos a ver se alguém lhe acode… [Deus queira me não calhe o feito a mim que, às vezes, profetizo sobre as rosas!]       Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 14.00h  

MOSTRA-ME AS TUAS MÃOS...

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  Mostra-me as tuas mãos… há mãos que falam! Há mãos que contam histórias, epopeias! Outras que dizem mais quando se calam Como pedras rasgadas por mil veias… Há mãos que criam coisas que se instalam Por dentro das pessoas, como ideias, E outras que nos tocam, nos embalam, Ou que acenam do mar, como as sereias… Há tantas, tantas mãos! Todas diferentes, Todas capazes de se completarem Nesta infinda tarefa de viver E todas essas mãos pedem, urgentes, A outras tantas mãos, para as salvarem Do que mal que algumas mãos estão a fazer…   Maria João Brito de Sousa – 07.09.2010 – 12.12h       NOTA - Desculpem-me esta "rentrée" tão em cima da hora do fecho do Centro. Na continuidade dos trabalhos de reparação do telhado, surgiram novas complicações que não estavam previstas. Temo bem que haja obras no telhado durante mais uma semana... ou mais :(