LÚCIDA(MENTE)
(Soneto em decassilabo heróico) Vê o meu belo ventre, hoje rasgado Pelo cru bisturi... este destroço Do que, dizes, podias ter amado Quando era firme, fértil, liso e moço... Olha o cabelo cinza, inda ondulado, Mas cada vez mais branco e, troço a troço, Este corpo doente e já cansado Ao qual ofereceste um lauto almoço E os livros que eu fui lendo avidamente Com olhos tanto sábios, quanto estetas, E a lucidez que falta a tanta gente... Mas repito-te; vê mais claramente, E podes confessar - nada me afectas... - Que nada vês de belo, no presente. Maria João Brito de Sousa - 10.07.2016 - 19.41h