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A mostrar mensagens de outubro, 2020

BENS (IM)PRÓPRIOS

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Imagem retirada  daqui   BENS (IM)PRÓPIOS * Tenho uma gata, cactos e uma fonte Que me concede uns versos transparentes Nascidos muito além do horizonte Do consenso das coisas pertinentes. *   Estendem-se, esses meus versos, como ponte Entre quem sou e os demais viventes Sem que um único espinho me amedronte; Gata, cactos e eu, somos valentes! *   Surge a flauta de Pã tangendo notas Que ecoam nas memórias mais remotas Da fonte de onde os versos vão jorrando *   Gata, cactos e eu. Cem mil sentidos Vibrando atentos aos sons emitidos; Vão-se os versos por mil multiplicando. *     Maria João Brito de Sousa - 31.10.2020 - 12.29h  

FAGULHA

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FAGULHA * Concentro-me no verso. O corpo inteiro Impõe-me a desistência pois reclama Essa concentração que, feita chama, O transforma em poeta aventureiro. * Desta vez, vence o corpo, o carcereiro Que dorido, infectado, cai na cama; Venceu porque cedeu. Sem barro ou lama Nem um verso floresce no canteiro. * Porém, das suas cinzas apagadas Solta-se a derradeira rebeldia De uma fagulha dessas mais ousadas * Que se evola do corpo que dormia E se apressa a juntar-se às mais ramadas Da árvore em que nasce a poesia. *   Maria joão Brito de Sousa - 30.10.2020 - 13.57h   Imagem - "Sick Woman" de Jan Havickszoon Steen, retirada  daqui

PONTO DE PARTIDA

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lER  AQUI, SE QUISER TER A BONDADE

ESTRANHOS AFECTOS

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ESTRANHOS AFECTOS * Como entender afectos que se escondem Por detrás de biocos virtuais Que quando convocados não respondem E se negam a dar quaisquer sinais? *   Por mais que nos vigiem, que nos rondem, Podemos lá saber quem são ou quais As mil razões que fazem com que sondem As nossas livres mentes racionais? *   Não nos bastava a PIDE e, em directo, Os velhos "hackers" de trazer por casa? Ou também esses vêm "com afecto" *   Espiar os nossos livres golpes de asa E através das paredes de concreto Sugar de um tecto quanto dele extravasa? *   Maria João Brito de Sousa - 28.10.2020 - 15.17h  

JANGADA III

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JANGADA III *   Teimosamente eleva o frágil mastro E mais teimosamente segue em frente A poética jangada, a transparente Insurreição do poeta contra o astro. *   De pouco se sustenta e, por arrasto, Transporta o verso. Os poemas, em semente, Ora tombam no mar, ora na gente, Mas não perde a jangada força ou lastro. *   Não busca mais um cais, que o cais que traz É já porto e destino derradeiro De coisa que a si própria se refaz *   Depois de ter cruzado o mundo inteiro Sempre a sonhar um dia ser capaz De vir a naufragar qual marinheiro. *     Maria João Brito de Sousa - 27.10.2020 - 12.08h *   Ao meu avô, António de Sousa Gravura de capa da autoria de Alice Brito de Sousa, minha avó

TEMPO PERDIDO

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Imagem retirada  daqui, via Google     TEMPO PERDIDO * De ti me despedi há tanto tempo Que não me lembro bem se eras real, Se eras como estes versos que hoje invento Quando adentro este mar de espanto e sal. *   Se um lamento me ocorre, não lamento O afastamento agreste e essencial; Tudo foi brusco e tudo foi tão lento Quanto uma tela imensa e surreal. *   Enquanto assim vivia, soçobrava; Vulcão não era. Morria na lava Que em mim mantinha oculta, sufocada. *   Tenho uma vaga ideia de ter sido Prisioneira de mim. Tempo perdido, Tempo de que hoje guardo um quase nada. *   Maria João Brito de Sousa - 26.10.2020 - 13.04 h  

"ILUSÃO, POR QUE ME CHAMAS?"

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A partir de um verso/mote do poeta Joaquim Pereira Marques   Tenha a bondade de ler  aqui

SENTIDA/MENTE

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Imagem retirada  daqui   SENTIDA/MENTE * Se semanticamente o sentimento Sempre se divorcia da razão Sei que indossociáveis ambos são No que toca a alegria e sofrimento. *   Se penso em separá-los, mal o tento De pronto é consumada essa união; Não age a mente sem que o coração Em reacção cambie o batimento. *   Já Damásio mostrou ser ilusão Desfazer um tão estável casamento; Não é viável a separação *   Mesmo que, às vezes, surja um pé-de-vento Que é fruto da fecunda interacção Entre um que é sopro e outro que é sustento. *     Maria João Brito de Sousa - 23.10.2020 - 14.01h  

UM POEMETO QUE NEM COZINHEI

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UM POEMETO QUE NEM COZINHEI * Um poemeto suave, açucarado, Candidamente de si próprio rindo Resfolegando enquanto vai subindo, Cantarolando se de asas dotado, * Chorando, se de riso despojado, E quando bem disposto del`fruindo, Subitamente vai-se construindo Perdidamente em cima do teclado. * Se é sólido, se é líquido ou gasoso Ou se de puro plasma, nunca o sei Que estando del`suspensa, o caprichoso * Só quando pronto diz que o condensei Num punhado de rimas tão cremoso Quanto este doce que não cozinhei. *     Maria João Brito de Sousa - 23.10.2020 - 22.00h    

OS LICANTROPOCAPITALISTAS

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Gravura de Bartolomeu Cid dos Santos *   OS LICANTROPOCAPITALISTAS * Já não há paciência pra doidos varridos Nem mesmo vestidos de oiro e de inocência, Há é grande urgência em vê-los despidos Dos seus aguerridos véus de prepotência! *   Quando de incoerência surgem travestidos, Dão fortes rugidos, clamam transparência... De alguma inocência pensam estar munidos; Dizem-se traídos, tudo é maledicência. *   Não tendo consciência, mostram-se raivosos, Soltam rancorosos uivos de histeria; Eis a frontaria dos tais poderosos *   Muito ruidosos, mas sem mais valia Que a duma hierarquia que os torna vaidosos, Gulosos, ciosos da própria avaria! * Maria João Brito de Sousa - 22.10.2020 - 20.39h *   Imagem retirada de  PRAÇA DO BOCAGE    

GATILHOS - Coroa de Sonetos -

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GATILHOS *** COROA DE SONETOS *** Helena Teresa Ruas Reis e Maria João Brito de Sousa *** 1 * Não apontes gatilhos para os céus Que o pássaro que voa é também teu. Não sabes porque voa, nem sei eu, Mas deixa-o voar, até ver Deus… * À mosca pequenina não a mates, Enxota-a p’la janela com cautela, Se existe, haverá quem a use a ela. P’lo incómodo que dá é que lhe bates? * Humano ou ser-humano, afinal qu’ és? Bicho racional… por que razão? Por ter inteligência, coração? * À natureza julgas a teus pés, Que só para ti é tudo o que vês! Cuidar dela tem eco em teus porquês? * Helena Teresa Ruas Reis - 16/10/2020 *** 2 * "Cuidar dela tem eco em teus porquês(?)", Ou tens empedernido o coração E não sabes amar nem o que vês? Não saberás, então o que é razão! * Um sem a outra, ou um de cada vez, Não saberão cumprir sua função; Coração sem razão será talvez, Um ógão que traz malformação... * Cuidado, nunca apertes um gatilho Por muito tentador que seja o brilho Do troféu que do tiro poss...

CORRE, CORCEL!

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CORRE, CORCEL! *   Corre corcel em louca cavalgada, Que eu parto em busca do que não conheço; Não lhe sei cor, nem forma, ou se tem preço, Mas sinto que me traz enfeitiçada. *   Tão sedutora me parece a estrada Quanto me parecia no começo E é este, meu corcel, o fio que teço Sem que vislumbre o fim desta meada. *   Ehoo, corcel! É vida o que procuro Na louca cavalgada que te imponho Ao longo das veredas dum futuro *   Que já não sei se alegre, se medonho; Ehoo! Coragem, salta ainda um muro Que a minha meta talvez seja o sonho! ***   Maria João Brito de Sousa - 21.10.2020 - 11.52h