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A mostrar mensagens com a etiqueta poemas de rima livre

BEIJO, BENDITO BEIJO!

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Beijo, Bendito beijo em que renasci Na floresta encantada onde me perdi, Pequeno beijo engendrado Entre inocência e pecado Nos ramos do meu sentir…   Beijo, Imprevisto beijo a que me prendi Na floresta privada à espera de ti, Inútil beijo esboçado Num começo inacabado Em que acabei por sorrir…   Beijo, Insensato beijo em que eu antevi Esse mundo inventado que percorri, Beijo tal qual águas puras, Carícias são diabruras A que não sei resistir…   Beijo, Sereno beijo Que nunca tive Na floresta encantada onde ninguém vive Dos sonhos por descobrir, Beijo, Impossível beijo Que nunca entendo Na floresta queimada a que me não rendo Nos limites de existir…        Maria João Brito de Sousa - 03.05.2010   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET       NOTA - Hoje, como já deverão ter notado, publico um poema de rima livre. Depois o colocarei no Liberdades Poéticas,  que é onde ele pertence por direito, mas pareceu-me bonito e muito musical e resolvi dar-lhe honras de blog principal.

QUEBRANDO O ESPELHO II

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Depois de quebrado o espelho Fica a dúvida no ar... Tanto espelho! Quanto espelho Fica ainda por quebrar?   Mais um espelho que se quebra, Mais um passo... e nunca acaba! A vida é feita de espelhos. Espelhos novos, cacos velhos Quando uma vida se encerra...   Quando a luz se espelha em nós, Quando, à hora da partida, Nos sentimos menos sós, Quando o espelho, já quebrado, Separa o corpo da alma E, depois, medo e pecado Dão lugar a outra calma, Já o espelho se quebrou Já os cacos se esqueceram Reflectindo o que ficou Das coisas que nos prenderam...   Quantos cacos por aí E nós sem nos darmos conta... Quanto espelho eu já parti, Quanta fachada de montra?   Quebrado o último espelho Fica a dúvida a pairar... Tanto espelho! Quanto espelho Fica ainda por quebrar?     "Vida" - Pablo Picasso, 1903   Nota - Esta alegoria foi concebida como um grupo simbólico de significado aberto e trata-se de uma homenagem ao seu amigo Casagemas - o personagem masculino seminú - que, no ano anterior...

QUEBRANDO O ESPELHO

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QUEBRANDO O ESPELHO *   Quebro a cara e fico em pé, Quebro o espelho e jogo fora! Fui eu quem quebrou, até, A caixinha de Pandora... * Quebro a cara nesta dança... Que me importa? A dança é minha! Quebro a cara, colo a cara, Faço e desfaço uma trança No tempo que me separa Dos passos que dei sozinha! * Colo o espelho que quebrei... Colo, mas volto a quebrar! Quantas vezes me não dei, Quantas quis antes não dar? * Quebro a cara e fico em pé, Quebro o espelho e jogo fora! Fui eu quem quebrou, até, A caixinha de Pandora! * Quebro o espelho, arraso o palco, Colo a cara e quebro o espelho, Colo o espelho e quebro a cara... Quanto tempo me separa Do tempo mais do que velho Dos vestidos de tobralco? * Colo o espelho que quebrei Só pró voltar a quebrar... Quantas vezes me não dei, Quantas quis antes não dar? *   Quebro a cara e fico em pé, Quebro o espelho e jogo fora! Fui eu quem quebrou, até, A caixinha de Pandora... * Maria João Brito de Sousa 18.11.2015 -14.13h ***     "Joie de Vivre...

FASES DA LUA II (poema de rima livre)

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  Tenho fases (tantas fases...) Em que fazendo o que faço, Me esqueço de ser quem sou, Me dou toda num abraço... Tenho fases (outras fases...) Em que me ponho a pensar, Me esqueço de que me dou, Fico em "molho de luar".   Tenho fases de saber E fases de duvidar. Sou, numas fases, mulher, Noutras sou o que inventar...   Na maioria das vezes A fase que me domina É a fase dos revezes Em que volto a ser menina.   Faço dos quartos da lua O meu quarto-de-sonhar, A minha sala é a rua Em pura ascese lunar.   Tenho fases de saber E fases de duvidar. Sou, numas fases, mulher, Noutras sou o que inventar...   Mas por mais que me divida Em quartos lunares, marés, Por mais que percorra a vida E o mundo de lés-a-lés, Só na lua é que descanso, Só na lua é que me encontro... Aspiro, neste remanso, A deixar no mundo um ponto: Partir sabendo quem és...   Tenho fases de saber E fases de duvidar. Sou, numas fases, mulher, Noutras sou o que inventar...     Maria João Brito de Sousa - 13.11.2008 - ...

POEMA COM NOME NO FIM

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Na memória dos sentidos Rasgo a tela por nascer. Depois sou cor e sou traço De imagem por desenhar...   Sou a cinza do cigarro Que acendo sem consumir E o que está por consumar.   Assumo, no meu abraço, Tudo o que der e vier E estiver por inventar Nos tempos que estão por vir.                                       CRIO!     In - "Arquétipos de Uma Mulher Interrompida"   Imagem - Pormenor da tela "Escorço - Grande                 Pintora a Lápis de Cor"                 Maria João Brito de Sousa, 2007

A MULHER DA LUA

  A MULHER DA LUA * Ouvi agora, senhores, A história verdadeira E muito singular Da mulher que vivia Num quarto de lua Com vista para o mar E usava estrelas cadentes Em jeito de rosinhas-de-toucar * Da que fez o voto De nunca desamar E só pedia à vida A etérea transparência do luar... * A saga começa Dois mil anos antes do nunca-acabar Com a história da mulher Que pariu o menino que havia de voltar * Da que fugiu para o deserto, Não por ter medo do dragão, Mas pr`a poder chorar, Da que continua ajoelhada A procurar , Muda estátua de sal Ou lava de vulcão depois de resfriar * Aquela a quem coube o destino De sete noites, Sobre cada sete noites, Tresnoitar, E das lágrimas choradas Fez brotar Um oásis na aridez lunar * Da que mataria a sede Da alma mais sedenta Que a soubesse encontrar, Da que espera, Sem mesmo acreditar, O dia, Dia a dia mais incerto Em que o menino volte Para a dessedentar. *     ©Maria João Brito de Sousa 1993 ***   ...

URGÊNCIA

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        À Natália Correia   No meu imperativo de criar Sempre mais, muito mais, Cada segundo, Bebo poemas desde o sol raiar Até se pôr, P`ra dar descanso ao mundo... . E apesar da dádiva serena Da rotina da luz Dos nossos dias, Há uma urgência, Uma outra urgência extrema! . E só para criar mais um poema, Nesta sede que nunca se alivia, Nesta fome que, urgente, Me condena, Eu deixo o tempo todo em desatino; . Acendo o sol na noite, O luar nos dias, Por um poema, Só mais um poema!   Maria João Brito de Sousa - 16.04.2008 -11.57h . Março de 2007 - Quebrando a orientação original                             do poetaporkedeusker,                             um poema de rima livre...                             

A MULHER INTERROMPIDA

Não foi assim tão antigamente... Foi há cerca de um tempo Mais duas metades de dois tempos meios Que uma voz, amiga certamente, Embora longínqua, perguntou por mim E eu, tão confusa, não me conhecia... Sou mulher de um homem, Respondia E a voz insistia: - Mulher, quem és tu? - Sou mãe de um menino que não mora cá E de três meninas que me querem muito, Apesar da culpa, apesar de tudo...   E a voz repetia: - Mulher, quem és tu? Eu iria jurar que não mentia quando respondia: - Eu sou essa mãe, apesar do luto!   A voz não cedia quando perguntava Do Espaço, do Tempo e outras coordenadas: - Ó mãe dos teus filhos, diz-me quem és tu! Onde moram as tuas horas carnais? Onde guardas o corpo quando sais E voas em busca do filho perdido? Que fazem essas tuas mãos? Que estrelas tão negras trazes nesse olhar? Que morte tão estranha te veio buscar E esqueceu teu corpo entre os teus irmãos?   E eu respondia Sem me aperceber Que me descrevia sem me conhecer: - Sou a mulher do meu homem E a mãe das minha...

MEMÓRIAS DE UMA MULHER INTERROMPIDA

  Vislumbro as tuas asas de condor No horizonte sensível do meu sonho (do espelho ainda um corpo me sorri) Inda a carne, talvez ainda a dor... *   Este é o espólio que a teus pés deponho; Vidas que vivo e a morte que morri...   Quantas vezes partilhámos tudo Neste espaço a que o corpo me condena? (medos, sorrisos, o espanto e a ternura...) Nas obras deste mundo, ao dar-me conta, Minha coroa é de espinhos tela e pena! Tenho esta cruz de ser quem te procura E o bálsamo de ser quem sempre encontra.     Maria João Brito de Sousa   - 02.04.2007 - Este pequeno poema está assinalado, num dos meus" livros de rabiscos", como sendo o primeiro a ser escrito directamente no PC. Só agora reparo quão recente é esta minha abordagem às novas tecnologias... e quanto aprendi sozinha, porque a Banda Larga, por motivos de crise financeira (que persiste...), só entrou em minha casa há poucos meses... Somos mesmo uns animaizinhos determinados, não somos?   -   10.02.08

AUTO-RETRATO

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  De novo um poema que não é soneto. Nasceu assim e assim deu origem a este óleo sobre madeira...       AUTO-RETRATO         Sou um animal como outro qualquer Pois coube-me em sorte Ser bicho-mulher...   Mamífero-alado Posto em vertical, Mais perto de um anjo Que de um ser carnal...   Às vezes sou planta, Do sonho à raiz, Só sei entender O que a terra me diz...   Serei sempre o fruto Daquilo que eu quis!         Maria João Brito de Sousa

FIO-DE-PRUMO

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FIO DE PRUMO *   Uma mulher traçada a fio-de-prumo   Vinda dos tempos primevos do Homem-vertical   Dia a dia, percorria o rumo   Que fazia do dia vindouro   Um dia insuportavelmente sempre igual  *     Era de noite que brincava aos fantasmas   E se diluía nos incontáveis ectoplasmas   De almas que foram e das que estão por vir *     Por isso acordava anoitecida   Sem nunca estar segura   De ter acordado   Do lado-de-cá da vida *     Ora sonhava sonhos acordada,   Ora cantava estando adormecida  *     Difícil foi viver multiplicada   Por quem sempre a pedira dividida. *               Maria João Brito de Sousa  - 1990 (?)

POEMAS DE RIMA LIVRE

Quando iniciei este Blog tinha em mente publicar, apenas, sonetos clássicos de dez sílabas métricas. Era a minha homenagem à Poesia, em geral, e ao Soneto, em particular. Parece que não há, mesmo, regra sem excepção... O próximo Post mostrar-vos-á mais um trabalho meu a aguarela e pena e um poema de rima livre que tem, exactamente, o mesmo título do quadro.