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CALADA

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  Não mais me prende o Tejo e nem o mar, De que ao longe vislumbro um quase nada, Faz por manter-me alegre ou minorar As penas de uma morte anunciada. É tarde. É muito tarde pr`a sonhar E quando um sonho vai, não sobra nada, Ou sobra-me, acoplado ao que sobrar, Este sentir-me presa e derrotada. No entanto, criei. Se ousei criar, Se fui rebelde, persistente, ousada, Tive um tesouro e cabe-me aceitar Ter sido pela musa abandonada, Ter já perdido a força pr`a cantar E a sorte de ir morrendo, assim, calada. Maria João Brito de Sousa -08.06.2017 - 19.21h