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SE EU PUDESSE, NÃO PODIA

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  (Soneto em decassílabo heróico) Se eu pudesse despir-me de razões, Minhas asas ao vento deitaria Ou, mesmo desasada, voaria Sem rumo, sem destino e sem paixões. Mas tem, este meu “se”, contradições; Eu sei lá se a paixão me moveria Nesse acto de voar, nessa ousadia De rebelar-me contra as convenções? Confesso que já houve ocasiões Em que qualquer paixão me perderia E, não fora a razão, despir-me-ia Cedendo às ilusórias tentações... Mas vem pôr-me, a razão, novas questões E, afinal, se eu pudesse... não podia!   Maria João Brito de Sousa – 18.08.2017 – 11.23h  

TENTAÇÕES

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Quiseram-me domar. Eu não deixei. Quiseram-me a palavra. Eu não vendi Pois não foi esse o preço que eu pedi Nem é esse o destino que eu lhe dei.   Quiseram-me calar. Eu não calei. Não sei se me ganhei, se me perdi… Só sei falar daquilo que vivi E não do que mais tarde viverei.   Tentaram – se tentaram! – condenar-me, Impor-me soluções, depois calar-me… Tentaram mas depressa desistiram.   Amanhã ou depois hão-de aceitar-me, Depois, quando não queiram mais tentar-me E não possam dizer que o conseguiram…