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AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE

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  AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE Chegando ao Ararate, Amor e Dor, Sentaram-se, cansados da jornada. Olhando o Monte, a Dor ficou sarada E, de contente, quis curar Amor; Repara, Amor, que estava bem pior Antes de iniciar a caminhada, Que, olhando o Monte, foi-se-me a pontada, Que sinto despontar força e vigor! Vem ver, para que o mal nunca te chegue, Para que a dor, ao ver-te, se te negue, E não haja doença que te mate! Ouviu-a, Amor. Olhou. Perdeu-se olhando. Voltou sozinha a Dor, de dor chorando Por perder-se de Amor nesse Ararate. Maria João Brito de Sousa – 10.05.2018 – 18.46h  

SE AMOR DISSECO... IV

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    (Soneto em decassílabo heróico)   I   Ai, se um qualquer Mostrengo abocanhasse Meus frágeis ossos velhos, gastos, fracos, E, toda inteira, me deixasse em cacos, Sem que eu fugisse, ou mesmo ripostasse, Ou - ainda pior! - se eu suportasse, Uns dentes feros, grossos como tacos, Que me arrancassem três ou quatro nacos Da muita, ou pouca, carne que sobrasse... II Disseco Medos, para além de Amor E, sem dar troco a seja lá quem for Que venha, lesto, pr`a calar-me agora, Descubro ainda, sem qualquer pudor, Da(s) causa(s) "prima"(s), cada dissabor E, nas mãos de Eva, gestos de Pandora... Maria João Brito de Sousa- 11.06.2016 - 19.23h    

SE AMOR DISSECO... II

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Se tanto teve e, por Amor, a privas De dar-se um pouco, para além de amar, Como pudeste, sem razão, privar A quem te amou nas horas mais excessivas   De outras paixões, que teve de calar, Concretas, muito embora criativas, Mas fortes, persistentes, compulsivas... E a todas ignorou, pr`a te agradar?   Eu, quando Amor disseco sem parar E mais me encontro enquanto dissecar Amor, nos corações das coisas vivas,   Recordo, Amor, que qu`rendo-te abarcar, Não me encontrava, a mim, neste meu Mar Que, hoje, de Amor, me ergueu vagas altivas...     Maria João Brito de Sousa - 10.06.2016, 19.30h  

MEU PINHEIRO MANSO, MEU FIGUINHO-LAMPO...

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  (Soneto em verso hendecassilábico)     Meu celeiro farto, meu pinheiro manso Que choras se parto, calo ou me desdigo, Meu pinheiro amigo, meu seguro abrigo Onde, havendo p`rigo, me escondo e descanso   De um bulício antigo que nem sempre alcanço; Porta sem postigo, falta sem castigo, Figueira onde o figo sabe que o bendigo Por ser só comigo que dança, se eu danço   Doce figo lampo que uma mãe-figueira Me of`receu trigueira, lesta, rotineira E que ao dar-se inteira se me foi tornando   Materno alimento, carne, irmã ceifeira De espiga engendrada nesta fértil leira Tão mais derradeira quão mais vai faltando.     Maria João Brito de Sousa - 12.03.2015       (Soneto em reedição, ligeiramente modificado - À minha morada)    

SONETO DE AMOR À LÍNGUA PORTUGUESA

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  (Em decassílabo heróico)       Sussurra-me, esta voz que me acompanha E aqui se assume inteira e colectiva, Um gesto que em palavras se desenha Pr`a cumprir-se em canção; sonora e viva!   Então, como se a voz me fora estranha, Dona de autonomia e quase altiva, Flui por mim toda até que em mim se entranha Pr`a me deixar, depois, de si cativa…   Mil palavras me nascem no momento Em que faço da voz discernimento E amor à língua-mãe que me norteia   Porque ela me ultrapassa em “sentimento” E consegue dar voz ao que nem tento Se acato o que outra língua em mim cerceia.         Maria João Brito de Sousa -17.04.2013-18.32h  

DO AMOR PARA ALÉM DE NÓS

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  Que deste amor, de havê-lo amado “além”, Me sobre, em estro, a voz para o cantar, Pois sendo amor mais vasto e mais lunar, Transcende o que me venha de outro alguém…   Se me não sei explicar, se mais ninguém Humanamente o pode adivinhar, Explicá-lo-ei à Terra, ao fundo mar, Ao claro, imenso azul que nos contém   E, quando falte azul, sobrar-me-á Desta imensa, insurrecta, convicção, No arquivo de insondáveis da memória,   Isto que, para mim, perpetuará, Em colorida-ambígua tradução, A sintetização da nossa história…     Maria João Brito de Sousa – 09.02.2012 – 19.13h NOTA - Soneto totalmente reformuladoa 15.06.2015