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A mostrar mensagens de junho, 2010

A CRIAÇÃO DOS LAGOS

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  Meu estro de luar dobra a finados,  Vão-se-me as mãos crispando sobre o rosto Que já desfeito em rios – em rios salgados – Dá largas à aflição de outro desgosto.   Mas, dois dias depois, quando, encantados, Meus olhos se secaram, ao sol-posto, E os dedos, relaxados, mergulharam No leito do meu lago, em pleno Agosto,   Não haveria rio que transbordasse, Nem nuvem que escondesse o azul do céu, Mágoa que estrangulasse a voz que trago!   Não haveria, então, quem me alcançasse Na plena criação do que era meu! E assim me nasceria um novo lago.       Maria João Brito de Sousa – 27.06.2010 – 18.52h     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XIII

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  DEPOIS DO ESCURO - Brevíssimo ensaio sobre uma alucinação ou Morte       Quando, em horas lunares, o medo arpoa A complexa embalagem que te envolve E te faz recuar, por mais que doa, Até onde a razão te não resolve   E quando ao teu ouvido a voz ecoa, Te antecipa um castigo e te devolve O eco aterrador que em ti ressoa Enquanto o que Tu eras se dissolve   Deixando a porta aberta ao teu temor… Saberás tu, então, permanecer? Saberás aceitar, estando seguro   Do Nada que antevês assustador? [Flutua sem receio de temer A luz que vem depois. Depois do escuro].   Maria João Brito de Sousa – 27.06.2010 – 21,55h     PERCURSO II     Um dia, por razões que desconheço Ou que já não consigo recordar, Prescindi da razão. Paguei o preço De algo que nem sequer ousei usar…   Mas, se está pago e se este recomeço Puder, de alguma forma, ter lugar, Eu juro que estou pronta e mais não peço; “Isto” é tudo o que sou, sem mascarar!   Contudo alguma coisa vai faltando E essa é a razão que vai fazendo Com qu...

PORTUGAL X BRASIL

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Enquanto a bola rola no relvado E as respirações, entrecortadas, Mostram bem a tensão que, em cada lado, Arrosta multidões entusiasmadas,   Eu devo confessar ter reparado Que ninguém meteu golo e, nas bancadas, Se grita: - Portugal, tem lá cuidado, Não vá entrar-te um golo às três pancadas...   Não acabou ainda, ainda há esp`rança De meter um golito - um só que seja! - Pr`animar estes lusos navegantes   Naquele rola-que-rola com pujança, Que - como diz Camões... - o mundo inveja, A tentarmos vencer outros gigantes!       Maria João Brito de Sousa, quase no final do Portugal x Brasil          

IMPROVISO SOBRE UMA CABECINHA "EM GREVE"

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  E o que hei-de fazer se esta cabeça De repente tontinha e esvaziada Se recuse a pensar sem que eu lho peça, E me deixe pr`aqui desamparada?   Por muito que lhe diga: "- Anda depressa Porque o tempo não pára e, de atrasada, Me parece provável que pareça Poeta desistente ou desleixada..."   Ela, sem se importar com tanta queixa, Continua tontinha e não me entende Ou faz que não entende e não me liga...   Tanta dor de cabeça já me deixa Capaz de acreditar que ela pretende Usurpar as funções de uma barriga!       Maria João Brito de Sousa

A PROCURA II e ESTA IMENSA FOGUEIRA DE PALAVRAS...

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  A PROCURA II     Falaste-me de um Deus que não conheces, Tal como eu assumi não conhecer Quem ouve, noite e dia, as minhas preces, Quem me inspira as palavras que eu escrever,   Porém, no mesmo Deus, tu reconheces, Tanto quanto eu me pude aperceber, A força da procura e até pareces Mais empenhado Nele que outro qualquer…   Se aonde tu subiste eu alcançasse, Bem mais perto estaria de alcançar A força que me move e me acalenta   Tão só tanta procura eu consagrasse - como tu o fizeste ao caminhar – Com essa convicção que te sustenta.   Maria João Brito de Sousa – 21.06.2010 – 19.58h       ESTA IMENSA FOGUEIRA DE PALAVRAS...     Sei que não sou pior pelo que faço… Celebro a mesma vida que celebras Vestindo o amanhã das ternas pregas Do manto de palavras deste abraço   Mas desta virtual linha que traço - a mesma que tu negas sem reservas - Entregarei bem mais do que me entregas No limiar do esforço e do cansaço;   Deixarei só palavras! São sementes Que agora não entendes mas, mais tarde N...

TÃO LONGE, TÃO PERTO...

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  Tão longe estão as estrelas e, contudo, Tão perto podem estar do que sentimos Quando nós, os cometas, lhes sorrimos E quando, no sorriso, damos tudo…   Tão perto sinto a estrela e, se me iludo, É porque eu e a estrela somos primos Nessa família astral que definimos Na fazenda de um velho sobretudo…   Casacas de Cometas, Luas, Sóis, Palavras que não vergam, que se inventam Em astros nunca dantes alcançados   Pelos descobridores que só depois Abrirão os portões que em si concentram Mil mundos que mal foram vislumbrados …         Maria João Brito de Sousa – 20.06.2010  

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XII

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  UMA ESTRADA DE PALAVRAS       O sol nasceu de novo, quem diria? Há, apesar de tudo, uma diferença; Adormeceu, por fim, essa alegria Que, estranhamente, vinha da presença.   Aprendiza da escrita, que harmonia, De súbito quebrada, te pôs tensa, E depois te roubou tudo o que havia Suscitando tristeza tão imensa?   Que solidárias forças te tocaram, Que estranhas harmonias se quebraram E te deixaram tão desanimada?   E as horas, que em passando não passaram, Responderam palavras que ficaram Gravadas no papel, como uma estrada.   Maria João Brito de Sousa – 19.06.2010 – 17.20h         OS OPERÁRIOS DA PALAVRA     Enquanto a nossa escrita aqui deixamos, Nós, eternos operários da palavra, Seremos sempre aquilo que criamos A tempo inteiro, nesta nossa lavra   Realidade é tudo o que engendramos A partir desta força – a louca escrava! – Que produz sempre mais do que esperamos Quando o punhal da escrita em nós se crava   Será sempre uma escolha. Este salário - Quantas vezes não mais que estarmos ...

CANTO DE AMOR

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  Quando canto o Amor, eu canto a Vida, Sobrevivendo à dor de cada dia E é meu canto a simples despedida Deste lado da Vida em que eu vivia... Soa o meu canto e afasta-se, perdida, A mais elementar desarmonia Porquanto este meu espanto dá guarida À esperança, a crescer, de um novo dia...  Se canto é porque o canto em mim desperta A sede de cantar que é tão mais forte, Quão forte for o canto que a motiva E, pelo canto, eu parto à descoberta Dos horizontes do meu novo norte Com a plena certeza de estar viva! Maria João Brito de Sousa       NOTA - Soneto inspirado num soneto com o mesmo nome de Efigênia Coutinho, Presidente Fundadora da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores www.avspe.eti.br/

DESLEIXO

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(Soneto em decassílabo heróico) Soneto que me nasça “por favor”, sem essa rebeldia indefinível dos versos que se esculpem por amor na sequência de urgência irreprimível, Bem pode ostentar forma e ter rigor, mas falta-lhe a “centelha”, essa indizível, que o tempera, o reforça, dá vigor, e é, no fundo, o que o torna irrepetível... Mas … que posso fazer contra a vontade, transformada em rotina involuntária. que me exige um soneto? Aqui o deixo, Sabendo que ajo mal pois, na verdade, por capricho tornei-me, a mim, contrária e, em vez de excelência, urdi desleixo... Maria João Brito de Sousa – 17.06.2010 – 09.26h     NOTA - Soneto inteiramente reformulado a 22'06.2015 Ontem consegui ainda publicar no http://liberdadespoeticas.blogs.sapo.pt/ no http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ no http://mumbles.blogs.sapo.pt/ e http://contra-sensual.blogs.sapo.pt/ Fica o "aviso à navegação", caso vos apeteça passar por lá.  

A PROCURA

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  Procuro, não te encontro e, se duvido Dessa tua presença vertical, É por ser tão humana e sem sentido Não é por querer negar-te ou dizer mal…   Procuro mais ainda e, se divido Esta minha incerteza ocasional Com quem estiver por perto, quem comigo Possa sentir que isto é disfuncional,   É porque esta procura se demora Na esquina dos minutos que há na hora, Ao longo duma rua que não finda.   Procurando, caminho estrada fora E enquanto caminho, como agora, Descubro o que em procura se deslinda…       Maria João Brito de Sousa              

A CRIAÇÃO DO MAR II - Eros/Tanathos

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         Não semeaste Tu, nas ondas bravas, A espuma de corcéis jamais domados? Dos profundos abismos que criavas Erguiam-se eles, depois, espumando irados…   E nesse imenso sonho em que moldavas No futuro os penhascos planejados, Que imensa força em Ti mesmo encontravas Nesse acto de engendrar os  incriados?   Depois, desses corcéis de branca espuma Que galgavam planícies infindáveis, Eclodiria a vida primitiva   Que se acrescentaria e que, uma a uma, Conquistando os vazios mais improváveis, Morreria tão só pr`a ficar viva…       Maria João Brito de Sousa – 14.06.2010 – 23.28         IMAGEM RETIRADA DA INTERNET  

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XI

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        OURO NEGRO, NEGRO...     Enquanto o “ouro negro” se derrama Nas águas de um Pacífico inquinado, Há um que é indiferente, um que reclama E outro que já morreu envenenado.   Nasce de novo o sol, mas morre a chama E apaga-se o pavio enquanto o fado Se faz ouvir por quem tanto o declama E adormece depois de declamado…   E borbulhando sobe, esse ouro negro Que deixa um rasto bem mais negro ainda Manchando as mãos de quem o não deteve,   Deixando o mundo num desassossego E pondo tanta gente na berlinda Porquanto muito tendo, `inda mais deve…   Maria João Brito de Sousa – 07.06.2010, 12.21h     AS FLORES DE MAÇAPÃO     Se as flores de maçapão fizessem contas Acerca dos sabores, das sensações Que podem suscitar, as pobres tontas, Custariam bem mais que alguns tostões…   Fossem de maçapão as soltas pontas Que nos vão impedindo as soluções E eu teria sempre as coisas prontas Em vez de andar perdida em tentações…   Se muitas coisas se “ antitetizassem” Ou mudassem, tão só, de direcção Por...

3º PRÉMIO DOS JOGOS FLORAIS DA AVSPE

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    AOS OLHOS DE DEUS   Sou humilde, sou pobre e, no entanto, Sou uma filha amada desse Deus Que a Terra fez surgir do caos dos céus E semeou a vida em cada canto Aprendi a sonhar e sei, portanto, Mais do que hão-de alcançar os olhos meus Que, sendo apenas olhos, são ateus E, cegos de paixão, derramam pranto Eu, assim pobre, humilde, pequenina E, muito embora humana, sonhadora, Sei o que é ser feliz desde menina E nada do que faço é tão excessivo Que me torne pior, mais pecadora Do que vós, meus irmãos, com quem convivo …       Maria João Brito de Sousa       Parabéns à Poetisa e Patronesse da AVSPE , Efigénia Coutinho  -   à Poetisa Gislaine Canales e Poeta Fahed Daher e a todos os participantes, em especial, ao 1º  Prémio - Soneto de Áurea Miranda, ao 2º Prémio - Soneto de Nelson Fontes Carvalho  e à 1ª Menção Honrosa - Soneto de Humberto Rodrigues Neto, 2ª Menção Honrosa - Soneto de Lino Vitti e à nossa amiga, Rosa Maria Silva, AZORIANA que obteve a terceira Menção Honrosa. Muito ...

O MILAGRE DO MAR INTERIOR

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  E que me interessa a mim ir ver o mar Se tenho um outro mar dentro de mim Nas altas ondas que hei-de conquistar Antes que o meu mar seque e chegue ao fim?    Não penses que me podes encantar Com líquidas promessas de delfim… Aquilo que me importa é navegar E eu só sei navegar se for assim…   Por minutos, por horas [ eu sei lá…], Posso dar-te atenção. Tento ajudar-te Mais, talvez, do que tu possas fazê-lo.   Depois, é no casulo que se dá O milagre do mar… tudo isto é Arte E é neste mar que a Arte sabe sê-lo…     Maria João Brito de Sousa – 07.06.2010 – 19.17h     Imagem retirada da internet

SÁBADO, DOMINGO, FERIADO MUNICIPAL E TERÇA FEIRA

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  PALAVRAS SEM PALAVRA     Ele há tantas palavras traiçoeiras… Palavras que prometem mas não dão E outras tantas palavras prisioneiras Das outras que prometem dar-lhe pão…   Palavras, como o fogo das fogueiras, Consumidas, quais achas de carvão Que nada pedem, que se dão inteiras, Que acreditam ser úteis – e que o são! -   E as outras que, enganando, as entretêm Nesse nunca acabar da sua entrega Tendo humílimo lucro em tanta lavra,   Que dela vão bebendo e que não vêem Que a palavra, em se dando, fica cega… Falo-vos das palavras sem palavra.     Maria João Brito de Sousa – 30.05.2010, 12.22h     PALAVRAS COM RAIZES DE EMBONDEIRO  - Espólio e Escólio     Das muitíssimas coisas que não sei, Umas há que me chamam, que me prendem, Que apenas vislumbrando aprenderei [isto é o que alguns nunca compreendem…].   Haja Sol sobre a Terra e se gorei Algumas expectativas… que pretendem? Jamais admitirei que vos não dei As coisas que vos faltam [ mas não vendem…].   Falei-vos de” projectos para a mo...

O CIENTISTA E O PRESO POLÍTICO

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  Sou excêntrico, talvez, mas ocupado! Concentração, trabalho e… mil respostas Que passam pelo crivo ao ser dispostas Com máximo rigor, maior cuidado!   A dúvida metódica é decerto O caminho correcto, o mais preciso, E, sem desistir nunca,  sou conciso Até que o “longe” me pareça “perto”!   Alguns dizem de mim: - “Que distraído!”, Mas o que hei-de fazer se esta procura É a razão suprema dos meus dias?   Bom dia para si, que aqui convido Pra toda esta alvorada de aventura Do eterno pesquisar das sintonias!  2010      O PRESO POLÍTICO * Estou preso mas não sou vulgar ladrão! Estou preso por lutar, ter ideais, Por ter sonhos, por tentar fazer mais Por este povo meu, nesta nação   Estar preso nem sempre é uma questão De ser, ou não, culpado entre os demais… Eu, o Preso Político, jamais Roubei fosse o que fosse, a um irmão!   Talvez sacrificasse a minha vida Na luta por um mundo bem mais justo, Por um mundo que sonho promissor,   Mas fiz o que devia! Na corrida, O sonho  pode ter um alto cu...

CASAL DE VELHINHOS

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      Quantos anos por nós já se passaram? Que rugas, que cabelos ralos, brancos? Já perdemos a conta, somos francos, Mas nossos braços sempre trabalharam!   Pouco fazemos já, mas ensinamos O muito que a experiência nos deixou… Sabemos bem aquilo que mudou O mundo nestes loucos, novos anos…   Idosos mas ainda bem capazes De mudar, de sonhar, de renascer Ao lado do melhor dos nossos netos,   Sabemos que este mundo é dos audazes E é por isso que queremos ver crescer Mil sonhos e outro tanto de projectos!       Maria João Brito de Sousa     NOTA - Peço desculpa mas o editor de posts não está no seu melhor e eu já me cansei de tentar configurar a letra e a imagem.