A CRIAÇÃO DOS LAGOS
Meu estro de luar dobra a finados, Vão-se-me as mãos crispando sobre o rosto Que já desfeito em rios – em rios salgados – Dá largas à aflição de outro desgosto. Mas, dois dias depois, quando, encantados, Meus olhos se secaram, ao sol-posto, E os dedos, relaxados, mergulharam No leito do meu lago, em pleno Agosto, Não haveria rio que transbordasse, Nem nuvem que escondesse o azul do céu, Mágoa que estrangulasse a voz que trago! Não haveria, então, quem me alcançasse Na plena criação do que era meu! E assim me nasceria um novo lago. Maria João Brito de Sousa – 27.06.2010 – 18.52h IMAGEM RETIRADA DA INTERNET