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A mostrar mensagens de maio, 2021

"CADA DIA É UMA ETAPA"

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SONETO A UMA "CHAMA QUE ARDE SEM SE VER"

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SONETO A UMA "CHAMA QUE ARDE SEM SE VER" *   Quem pode ver amor que arde invisível se Amor se mostra avesso a definir-se e se esconde e se mostra intraduzível no instante em que começa a traduzir-se? * Se além, se muito além do que é tangível pudesse o mesmo amor baixinho ouvir-se nalgum murmúrio que tornasse audível o silêncio que deixa ao despedir-se * Diríamos que Amor, sendo sensível, passível de acender-se e consumir-se, é comburente e chama e combustível... * Mas como poderá tanto exigir-se se para a maioria é impossível entrar em combustão e não extinguir-se? * Maria João Brito de Sousa – 25.06.2015 – 17.16h * (Ligeiramente reformulado)   Fotografia de António Pedro Brito de Sousa

NOS MEUS VERSOS, NOS TEUS DEDOS...

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NOS MEUS VERSOS, NOS TEUS DEDOS... * Nas aves que se soltam dos teus dedos E pousam nos meus versos de poeta Sondando e desvendando os seus segredos Na sua intimidade mais secreta, * Nesse seu dedilhá-los, loucos, ledos, Quando bem me sabiam ser discreta, Devolvem-me antiquíssimos folguedos E, por momentos, deixam-me completa. * Sondam-mos verso a verso, toque a toque... Porquê fugir-lhes quando, não fugindo, Mais versos nascerão sem que os convoque? * E por que não frui-los se, fruindo, Mais rica fico? E basta que os evoque Pra mais e mais humana me ir sentindo. * Maria João Brito de Sousa - Março, 2016 * In A CEIA DO POETA - (inédito) *   Imagem - O meu pai, no seu escritório da casa de Algés, fotografado pela minha mãe. 1950

SONHAR, SEM ASAS?

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SONHAR, SEM ASAS? * Sentar-me a vosso lado e estar calada, Vendo o desabrochar das vossas rosas Enquanto as mãos protestam, já nervosas Por não criarem nada... mesmo nada? * Sonhar, senhor, debaixo da sacada, Enquanto há estrofes livres, generosas, Que definham até formarem prosas? Sonhar pra quê, se a tal for condenada, * Se a minha solidão for posta em causa E tudo o que me reste seja a pausa Que, para mim, define um pesadelo * Tão denso, tão concreto como um muro? Pra quê esboçar um sonho se, vos juro, Que este vôo que enceto é tão mais belo? *   Maria João Brito de Sousa - 07.08.2016 - 10.29h  

"NO AMOR, CIRURGIÃO, NA TEMPESTADE, O RAIO"

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Ao António Só , poeta. "NO AMOR, CIRURGIÃO, NA TEMPESTADE, O RAIO" * (Soneto em verso alexandrino) * "No amor cirurgião, na tempestade o raio", Na poesia, ensaio em plena orquestração, Às vezes equação, às vezes de soslaio Reinventa-se catraio em trovas sem (es)cansão * E vai-se a solidão assim que abraça Maio... Jamais será lacaio! Ainda que em tensão Cumpre a sua função não sendo rei nem aio; Corsário, se malaio, ou mero herói de acção * Será, sem solução, poeta até morrer; Ainda que sem ver, muito embora cativo Manter-se-á bem vivo, ousando renascer... * Mais não sabe fazer e ao passar, furtivo, Passa a "ser criativo", em vez de apenas ser; Porque se há-de esconder, se em verso é produtivo? *     Maria João Brito de Sousa - 24.05.2021 - 10.00h  

"MAIO É O MÊS DAS FLORES"

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CONVOCATÓRIA

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CONVOCATÓRIA * Convoco-te, poema, em cada verso, Em cada estrofe ainda não tecida, Em cada afirmação, no seu reverso, No sopro que conduz do verbo à vida * E sempre que comigo, em mim disperso, Te encontro e vou moldando, já rendida, Perder-te-ei depois, depressa imerso Num mar cuja maré me traz perdida... * Porém, a sensação de, em tempo adverso, Estar presa, acorrentada e sem saída Num barco naufragado e já submerso * Quando olhada de frente foi vencida Pela mão com que embalo o velho berço Da dor que em cada verso é redimida. * Maria João Brito de Sousa - Março 2016 In A CEIA DO POETA (inédito)

"E" de EPHEMERA

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“E” de EPHEMERA * Estranho este escuso embrionário estado Entre eras estendendo-se enlaçadas: Esculpo-me em estanho, estranho-me estanhado E endosso. Ensaio. Efeitos. Embrulhadas... * Encómios evoquei. É-me (n)egado Expor-me entre eros e ébrios. Ensonadas, Esperam-me esporos do etéreo, estipulado E encontro exaltações exacerbadas... * Escondo o ego esculpido. Enrodilho-me, Excluo “esses” e “erres”: estribilho-me E expurgo eternos erros (d)e escansão * Especializada em estrelas, ecos, entes, Executo estratégias (d)e eloquentes E emancipo-me em “E” (d)e Evolução. * Maria João Brito de Sousa – 05.08.2018 – 16.30h ***

ACRÓSTICOS A FLORBELA ESPANCA

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ACRÓSTICOS A FLORBELA ESPANCA * Primeiro poema gentilmente cedido pelo seu autor, o poeta José Manuel Cabrita Neves. * ACRÓSTICO * Fui a tristeza, a mágoa, a solidão! Longe da felicidade e da alegria, Ostentei um caminho que sabia, Reverso e controverso de paixão… * Bebendo silenciosa a nostalgia, Enquanto eu era toda adoração, Lia nalguns olhares condenação, A esse amor tão puro que sentia… * Errei pois por amar quem não devia, Seguindo a terna voz do coração, Peregrina fiel duma ilusão, Alimentando a cega idolatria… * Não creio haver sequer comparação, Com esta minha entrega doentia, Ao dedicar-me inteira ao próprio irmão!... * José Manuel Cabrita Neves * ACRÓSTICO- RESPOSTA * Fui, sim, tristeza e mágoa e solidão, Lamento de insondável nostalgia Ornato de candura e poesia, Remate de perfeita (in)confecção * Bordado a ponto-cruz sobre aflição, Errando, ou não, - conforme a disforia... -, Louca, talvez, pois muito bem sabia A que conduziria tal paixão... * Estou livre, no entanto - que...

FORÇA

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FORÇA *   Vem-nos, a força, duma alma crestada Por átomos de espanto, intemporais, E, às vezes, conseguimos fazer mais Quando julgámos não poder mais nada *   Vem improvável, mais do que adiada - à luz das consciências mais normais - Reencher-nos de sonho o velho cais Da barca eternamente naufragada * Virá de onde diríamos não vir Nem a remota sombra de um auxílio; Impossível, absurda e, no entanto, * Vem como se quisesse destruir As fronteiras reais do nosso exílio Pra vir morar connosco em qualquer canto. *   Maria João Brito de Sousa – 13.11.2010 – 13.42h      

SONETO DE ALTO RISCO

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SONETO DE ALTO RISCO (Em verso eneassilábico) *   Trago a louca impudícia das horas A tanger-me, em violinos traídos, A inocência das aves canoras Sobre arames farpados floridos. * Uso abismos sem fim como escoras Dos mais altos castelos erguidos Aos dilemas dos bagos de amoras; Meus troféus são corsários vencidos! * Conquistei terra e mar aos meus medos, Moldei estátuas com chamas de velas, Dediquei-me a estudar os segredos * Dos abismos do mito em desnorte... Encontrando maleita ou sequelas, Proporciono, ora a cura, ora a morte! *   Maria João Brito de Sousa – 26.11.2012 – 21.47h

ROCURA-SE

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PROCURA-SE * (Ideia, conceito, palavra) * Procura-se uma ideia. Uma. Isolada. Moldada em puro barro, honesta, crua, Mais do que apenas minha, apenas tua, Que dê bom fruto assim que semeada * Inda que erre dispersa, abandonada, Ou vagueie ao relento em qualquer rua Disfarçada de sol quando está nua, De lua, se de sol estiver cansada * E aguarda-se a palavra. Ela também Define cada coisa e não convém Deixar muda uma ideia procurada. * Humanizo a palavra. É ela quem Conceptualizará quanto contém A ideia que é por fim verbalizada. * Maria João Brito de Sousa - 26.10.2015 -16.17h * (Reformulado)

MATA-BICHO

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POESIA - Brevíssimo ensaio sobre o conceito de poema

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POESIA * (Brevíssimo ensaio sobre o conceito de poema) * Brota da carne, acesa, este ilusório Fruto do que se sabe, não sabendo Se chega, ou não, a ter contraditório Acerca do que pensa e vai dizendo. * Decerto, algo terá de meritório, Apesar de, ao descrer do que vai crendo, Não mais ser do que um esboço introdutório De algo que cura ainda que doendo... * Poeta é mesmo assim; sente e consente A cada poema a estranha primazia De se afirmar poema quando é gente * Que entende entrar em estreita sintonia Com o que ousar explanar e, de repente, Renasce transmutada em poesia. * Maria João Brito de Sousa - 15.04.2016 - 16.08h (Reformulado)   "Noite Estrelada" , Vincente Van Gogh

NÃO ME PEÇAS PRA SER QUEM NÃO SOU

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NÃO ME PEÇAS PRA SER QUEM NÃO SOU * Não me peças pra ser quem não sou, Nem me colhas, de ramo enxertado, Um só fruto dos frutos que dou Sem que esteja tingido e dourado, * Tão maduro do sol que o dourou Que se of`reça aos teus lábios, ousado, Sem pôr culpas na mão que o cortou, Nem remorsos por tê-la tentado. * Não me fales de sedes! Não cedo A caprichos e sedes tão poucas; De outra sede fecunda procedo * E se as sedes que trazes são loucas, Também esta que cresce sem medo Expressa as sedes de muitas mais bocas. * Maria João Brito de Sousa - 23.04.2016 - 22.09h * (Soneto em verso eneassilábico)   Imagem -"El Triunfo de la Revolución", Diego Rivera

DE MUSA - OU ESTRO - SOBRE CAVALO SELVAGEM

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DE MUSA - OU ESTRO - SOBRE CAVALO SELVAGEM * Pérolas eu daria, se as tivera, A quem viesse ler-me e me escutasse, Mas toda sou poema em desenlace Que de lápide alguma fica à espera. * Serei a terra que alimenta a hera, Ou pó que alguém sobre ela derramasse... Que importa que a velhice me ameace Se já tão longe estou da Primavera? * Porcos não tenho e pérolas, tão pouco... Nada tenho pr`além de Musa... ou Estro E - quem sabe? - um cavalo feito louco *   Galope na vertigem que lhe empresto; Sem saber se o acalmo ou se o provoco, Faço o que posso pra negar-lhe amestro... *     Maria João Brito de Sousa- 12.05.2021 - 10.04h      

PRELÚDIO(S) & DESENLACE(S)

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  PRELÚDIO(S) & DESENLACE(S) * - Soneto e Sonata- * Vê, no soneto, que, ao tecê-lo, o escando Como se em instrumento musical O fosse, nota a nota, exp`rimentando Até que me soasse menos mal. * Outros há que em mim explodem, reboando Qual trovão que anuncia o temporal Que, num crescendo, vem relampejando, Impor-me uma Sonata acidental * Que não sei por que surge, nem sei quando, Mas que sei, vez por outra, ser fatal Nascer-me do que então estiver pensando, * Para, a seguir, deixar-me em estado tal Que nem eu própria sei se a estou tocando Ou se é dela o domínio instrumental. * Maria João Brito de Sousa - 01.06.2016

PREÇOS

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PREÇOS... * Que força tinha na ponta dos dedos! Que firmeza e que humana lucidez No quanto dissertou daquela vez Em que evocou a vida e seus segredos... * Ah! Tudo quanto fez, fê-lo sem medos, Nem sonhando que houvesse insensatez Que confrontasse o tanto que então fez E ousasse condená-lo a tais degredos. * Escreveu, tão só escreveu, nunca sonhou Quanto iria custar-lhe o que criou Ou quanto o não pensou quem deveria * E agora, amigos meus, nem sequer cria Por culpa desse instante em que voou E, depois, ao silêncio o condenou. * Maria João Brito de Sousa - Março, 2016 * In A CEIA DO POETA (inédito) * Trabalho ligeiramente reformulado

"O FIM DA GUERRA CHEGOU"

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QUANDO VIERES POR MIM - Coroa de Sonetos - Maria João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues

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QUANDO VIERES POR MIM * Coroa de Sonetos * Maria João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues * 1. * Quando vieres por mim, logo à noitinha, Com o teu negro manto aveludado, O teu trágico ceptro de rainha Não me achará tremendo ajoelhado: *   Estarei escrevendo a derradeira linha Do terceto final deste meu fado Que mais ninguém lerá. Quem adivinha O futuro de um verso assim negado? *   - Volta num outro dia... ou mês, ou ano! Olhar-me-ás atónita, bem sei, Pois nada disto estava no teu plano... * Pressuporás que também eu sou rei E partirás pra não causar-me dano: Se dano houve, eu próprio o provoquei. *   Maria João Brito de Sousa - 05.05.2021 - 13.12h *** 2. "Se dano houve, eu próprio o provoquei" morbidamente quase, quase louca... Que sensação perversa que inventei quando, em vez de beijar, mordi a boca. * E, com os lábios fechados, intentei dizer palavras que tem eco a ôca porque, sem ter pincel, assim pintei as telas que da vida são já pouca. * Se querem ver-me apenas na roup...