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A mostrar mensagens de agosto, 2011

ESTRELA

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ESTRELA * Se outra estrela além daquela Que me conduz, me ilumina, Colidir, algures, com ela Tentando mudar-me a sina, *   Morrerei por minha estrela Porque ninguém me confina A estrelas diferentes dela Sob ordens de outra doutrina! *   Morro dizendo que não A qualquer imposição Que não venha desse rasto *   E do brilho milenar Que me obriga a poetar E me diz que assim me basto *     Maria João Brito de Sousa – 27.08.2011 -15.31h    

ASSIM É O POEMA

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Em qualquer noite de um qualquer Verão Vislumbrei uma estrela que passava E fixando-lhe o rasto que brilhava Fiz del` sopro de voz, poema em vão   Poema só não passa se lhe dão A cuidada atenção de quem o escava E é, tal qual vulcão rompendo em lava, Um grito, um brilho intenso, uma explosão   Mas, tanto a lava quanto a estrela errante, Podem surgir-nos a qualquer instante, Abalar-nos, tocar-nos de repente   E assim é o poema quando surge; Uma força iindomável que nos urge Como urge o alimento a toda a gente     Maria João Brito de Sousa – 25.08.2011 – 14.20h

O ELOGIO DO MÉTODO

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Minh`alma é toda feita da inocência De eternas e selvagens rebeldias Nos pontuais arbustos de impaciência Que florescem nas margens dos meus dias   Cultivo, sem cessar, inteligência, Privilegio sempre as harmonias E procuro entender – venero a ciência – Os frutos que colher por estas vias   Quando algo me transcende, eu não desisto E guardo pr`a mais tarde o nunca visto No baú dos meus sonhos de menina   Mais tarde, posso, ou não, achar respostas [se as coisas forem sendo assim dispostas no tempo a que esta vida nos confina…]       Maria João Brito de Sousa – 21.08.2011 – 15.18h

O SEU DIREITO A FALAR - Sonetilho

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Amigo, são simples telas, Todas de um branco lunar, Que vês azuis e amarelas Depois de eu as trabalhar   Se souberes olhar pr`a elas Com olhos de procurar, Verás que todas são selas De um corcel por inventar   São óleos e aguarelas Das ondas deste meu mar Que, tal como as caravelas,   Partiram pr`a conquistar, Contra todas as procelas, O seu direito a falar     Maria João Brito de Sousa – 20.08.2011 – 13.50h  

ENVOLVÊNCIA&ALARME - Sonetilho

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  Não importa de onde venha Se toda inteira me envolve Numa carícia tão estranha Que só a escrita a resolve   E, de um só golpe me apanha, De um só golpe me dissolve Numa languidez tamanha Da qual já ninguém me absolve,   Que mais valera calar-me Sem sequer tentar explicar Por que razão hei-de eu dar-me   Numa envolvência sem par Sem que soe o tal alarme Que me costuma alertar.   Maria João Brito de Sousa – 17.08.2011 – 19.21h

FLORES-POETAS ou AS ETERNAS ANALOGIAS - Sonetilho

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  Silêncio. Lá fora, as flores Dos canteiros do jardim, Não qu`rendo saber de mim, São, contudo, os meus amores...   Corolas de muitas cores E formatos sem ter fim, Parecem lembrar, assim, Que há mais sorrisos que dores   Silêncio! Uma flor morreu, Mas mil milhões desabrocham No segundo que se segue   Àquele em que a mão escreveu Sobre o que elas revelaram… Flores-poetas? Nunca o negue!       Maria João Brito de Sousa – 14.08.2011 – 21.48h

A CADA DIA A SUA ETERNIDADE

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  Já mal recordo as águas, muito claras, Das nascentes das serras percorridas Sobre penhascos, sobre duras fragas, Em cada passo gasto nas subidas Já quase nem relembro as madrugadas De todo o começar de tantas vidas Se ato, por cada verso, estas amarras Às colunas do cais de outras partidas, Mas, à noitinha, é como se tambores Semeassem no ar todas as cores Num reboar de notas sincopadas! Dormindo, eu que sou “tu”, sou tanta gente Que não tendo passado, nem presente, Adivinha o porvir destas passadas …       Maria João Brito de Sousa     Soneto premiado com Menção Honrosa no concurso Viver a Poesia no Clube dos Poetas Vivos

UM SORRISO POR PORTUGAL

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    Sorrio por esta terra que deu vida À poesia que enche as minhas veias Onde uma alma marítima e rendida Se me transmuta em espuma sobre areias   Sorrio por este mar, pela partida, Pela insurgência destas marés cheias Que, inevitavelmente, dão guarida Às naus que em mim renascem como ideias   Sorrio por este céu de azul vestido, Por cada rio de prata a desaguar No estuário do sal que lhe é devido,   Por este manto de ouro e de luar, Por quanto dele em mim fizer sentido E pelo que eu, sorrindo, recriar…     Maria João Brito de Sousa – 10.08.2011 – 12.15h

CONVITE PARA UMA DESGARRADA

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  Aqui sou o que sou! De minha graça, Poeta e portuguesa - quanto baste! - E antes que um poema se me gaste Nalgum prévio receio de ameaça,   Esqueço o tanto que sorte me anda escassa E recrio este jogo de contraste Sem ter em atenção quanto contaste, Mal uma estrofe acena ou se me enlaça!   Mas se o verso se atrasa ou se um poema Encontra, no caminho, algum problema E me obriga a ficar pr`aqui calada,   Não entro em desespero… ele há-de vir Assim que a rima espreite e que, a sorrir, Me convide a entrar na  desgarrada…       Maria João Brito de Sousa - 08.08.2011 - 18.00h     IMAGEM - Tela de Paula Rego   Reformulado a 22.10.2015

PASSA POR LÁ UM RIO...

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  Passa por lá um rio feito de anseios, De águas mansas, serenas, cristalinas, Visitado por aves que, em gorjeios, Vêm beijar as flores mais pequeninas,   Um córrego onde posso, sem receios, Banhar-me como todas as meninas… Minh`alma, pouco dada a devaneios, É nel` que encontra aspirações divinas…   Passaram tantos rios e só naquele Soube o que era sentir, à flor da pele, A estranha glória de não ter idade   Porque ele passa e passo eu com ele, Mas nunca o esquecerei porque foi nele Que fui esboçando a minha identidade...       Maria João Brito de Sousa – 05.08.2011 – 15.13h

QUE POSSO EU?

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  Que posso contra a força da consciência Se ela me eleva a mão, me exalta a voz, Se se me impõe além do que é prudência E lança ao mar na casca de uma noz?   Eu nada posso, ó clara transparência, E entrego-te este leme quando, a sós, Confio – quem o sabe? – na clemência Daqueles que chegarão depois de nós   Se pedes muito mais que o evidente, Se assim vais empurrando, sempre em frente, A vaga das palavras que aqui escrevo,   E, estando em mim, tu és de tanta gente, Como posso negar-te o meu presente Que lega no futuro o sal que eu devo?     Maria João Brito de Sousa – 03.08.2011 – 20.18h