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NOITE - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Tela de Paul Cézzane NOITE * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * A noite tem mistérios e encantos Encontram-se os amigos e as amigas Dança-se a par e ouvem-se cantigas Encobrem-se os amores nos seus mantos * Escondem-se na sombra muitos prantos Indómitos valentes sem fadigas Tecem-se muitos contos e intrigas Há demónios que fingem ser uns santos * De dia vê-se ao longe a claridade De noite vê-se bem mas só ao perto Encobre-se a fraqueza e a idade * Embala-nos o sonho que, desperto, Enfeita tudo à volta. A mocidade Anda durante a noite a céu aberto * Custódio Montes * 30.11.2022 *** 2. * "Anda durante a noite a céu aberto" Um velho e anquilosado sem abrigo Tão gasto quanto um móvel muito antigo Pla pátina do tempo hoje coberto * Pra esse a noite é um local deserto P`rigoso para quem não sente o p`rigo, Mas suave se encontrar um velho amigo Que caminhe ao acaso ali por perto *   E caminhando juntos, juntos olham O céu cheios de estrelas. Que os nã...

DEIXAI QUE A NOITE ENTRE...

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    (Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)   ***   Deixai que a noite entre, que eu morro de sono E em doce abandono me entrego a Morfeu, Que, tal como eu, nunca ousou ser meu dono, Só dono do sono que me adormeceu     Num berço só meu, neste suave abandono... Se abuso e ressono, que o faça só eu Na noite de breu em que ao dia me abono Se embarco sem dono, sem sonhos, sem véu,   Nem medo escusado das coisas do escuro; Não sei que futuro, mas trago um passado E ao que houve de errado tornei já seguro   Pois, saltando o muro, deixei-o de lado, Perdido, olvidado. Amigos, vos juro Que o meu sono é puro, nunca amargurado...         Maria João Brito de Sousa – 28.12.2017 – 13.59h       Na sequência do soneto “Deixai que a Noite Entre!” de Maria da Encarnação Alexandre (MEA)   Imagem -"Le Berceau", Berthe Morrisot