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A mostrar mensagens de janeiro, 2017

APOGEU POÉTICO AVL -1º Lugar

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  APOGEU POÉTICO AVL Tema: GRATIDÃO Segmento: Clássico Patrono: Florbela Espanca Académica: Maria João Brito de Sousa Cadeira: 06 GRATIDÃO    (..."... não saiba a tua mão esquerda, o que faz a tua mão direita" - Mateus, 6, 3) Que maior recompensa pode haver Pr`a quem possa estender a mão que ajuda, Do que saber que uma aflição se muda Num momento de alívio e de prazer? Há quem só saiba dar pr`a receber Aplauso, ou recompensa bem choruda, Porque não sabe dar. Que não se iluda; Joga segundo as regras do poder! Que importa quem receba o recebido, Se mesmo estando grato, é bem sabido Que pressente o que anseia aquela mão Que se lhe estende enquanto jaz caído À qual, aliviado, mas dorido, Expressa, contudo, a sua gratidão? Maria João Brito de Sousa - 29.12.2016 - 17.45h        

GLOSANDO ANTÓNIO CODEÇO II

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FOLHAS OUTONAIS     Julguei pintar imagens outonais De folhas moribundas pelo chão Soando nos meus pés tão musicais De acordes dados pela solidão   Sombrios rostos tornam-se banais Passam por mim, tremenda confusão Na falsa ilusão serem imortais Esquecemos que há no corpo um coração   Caem folhas dos ramos do meu peito As folhas outonais já ressequidas De tanto sol que enfrentam diariamente   Conseguirei dobrar este conceito Ser rei dum reino de árvores despidas Ser cego e mesmo assim ver toda a gente?   António Codeço     AUTO-RETRATO   "Julguei pintar imagens outonais", Mas foi o meu retrato que pintei Em pinceladas quase acidentais Sobre o branco da tela em que as lancei.   "Sombrios rostos tornam-se banais" E na banalidade me espelhei, Confundindo esses traços vegetais Com este, muito humano, em que os pensei.   "Caem folhas dos ramos do meu peito" Quando o vento outonal sopra a favor Desta minha cegueira indesmentida...   "Conseguirei dobrar este...

GLOSANDO FRANCISCO RODRIGUES LOBO

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  FERMOSO TEJO MEU...     Fermoso Tejo meu, quão diferente te vejo e vi, me vês agora e viste: turvo te vejo a ti, tu a mim triste, claro te vi eu já, tu a mim contente.   A ti foi-te trocando a grossa enchente a quem teu largo campo não resiste; a mim trocou-me a vista, em que consiste o meu viver contente ou descontente.   Já que somos no mal participantes, sejamo-lo no bem. Ó quem me dera que fôramos em tudo semelhantes!   Mas lá virá a fresca primavera: tu tornarás a ser quem eras d'antes, eu não sei se serei quem d'antes era.     Francisco Rodrigues Lobo - 1580/1622     (Apud Carolina Michaëlis de Vasconcellos, "As Cem Melhores Poesias Líricas da Língua Portuguesa"— Londres, 1910). Nota - Soneto e dados bibliográficos retirados do blogue "O Secular Soneto"         ROUBANDO UM BEIJO AO TEJO   "Fermoso Tejo meu, quão diferente" me pareces do rio que outrora amei; vejo-te tão distante que nem sei se deste estranho amor ficaste ausente...   "...

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XIII

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    PALCO DA VIDA É imensa esta estrada este caminho É um palco real com bastidores Onde actores fizeram o seu ninho Nas brancas asas de ágeis beija-flores   Encenam seus papéis em desalinho Que a fadiga provoca-lhes as dores Que albergam em seu peito num cantinho Mitigadas um pouco plos amores   Sem saberem da peça qual o fim Lutam pelo seu próprio camarim E fazem desta luta seu sustento   Quando se acaba a peça desce o pano Acaba-se o teatro do engano Sobra apenas cansaço e desalento     MEA 24/01/2017 IMPROVISO(S) Sabendo que é perfeita, a analogia, Em nada a contradigo e se a acrescento É porque prometi que assim faria, Se me sobrasse um nada de talento; Escrevo umas linhas, nesta tarde fria, Para o papel da vida em que me invento E abuso duma mão que mal me guia Na criação de enredo e de argumento... Neste palco da vida, é sempre assim, Mesmo na solidão do camarim, Actuo e vou da lágrima aos sorrisos, Mas quando cai o pano é mesmo o fim, Não da Peça da Vida, mas de mim, Das minhas...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXIX

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  REPENSANDO O VAZIO Entrei no meu vazio escurecido Por túneis que cavei e construí E onde guardei oculto meu bramido Que em abrigos de plumas eu escondi   Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido E ao esvoaçar de mim sei que cresci E sonhei-me num porto já esquecido Moldando do mar ondas que vesti   Entrancei nos cabelos o luar Que descendo tirou o sono ao mar E neles me encontrei em novo eu   Raiei de rouxinol e voei calma Dei ao vazio tons que trago na alma Dos túneis e ruínas fiz meu céu   MEA 25/012017   NEGANDO O VAZIO ABSOLUTO "Entrei no meu vazio escurecido" E logo o preenchi da claridade Do verbo, nesse instante pressentido, E da sua sonora intensidade... "Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido" Fiz ecoar, nas ruas da cidade, A canção, muito acima do ruído E o sonho, muito acima da ansiedade... "Entrancei nos cabelos o luar", Com mil cuidados, fi-lo então brilhar Como um pequeno sol, quanto bastasse; "Raiei de rouxinol e voei calma" Porque o...

AO PÃO QUE O DEMO AMASSOU

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  Eu, que não roubei pão, nem o vendi, Da mesma forma tenho de o comer, Mas fá-lo-ei tão só pr`a não morrer, Que a morte (in)certa nunca eu me rendi   E sempre afirmarei que, se o comi, Foi só para o poder contradizer; Ao pão que o demo amassa pr`a vender E à rija côdea com que o cubro aqui.   Não lha vendo, nem compro, e se lha como, É na clara intenção de ver se o domo Usando a minha imensa teimosia,   Mas porque todo o pão contém fermento, Da mesma levedura eu me alimento E dela me acrescento a cada dia...       Maria João Brito de Sousa 25.01.2017 - 15.27h     Nota - Soneto escrito na sequência da leitura do poema "Esse Mesmo Pão" de Vergílio de Sena.    

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XI

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  JORNAIS....     Folhas! Um maço delas, cor da neve! Pouco a pouco elas vão ficando escuras Com as letras pintadas duma greve, Das guerras ou até legislaturas     Em letras garrafais ali se escreve Para que se façam rápidas leituras. Em pormenor também lá se descreve Impressas as imagens de amarguras     Nessas folhas há tanta informação Palavras escritas cheias de emoção De análise, censura, sentimento     Serão por vezes falsas, outras reais Há, porém, nas palavras dos jornais Um excessivo poder, algo sedento     MEA 23/01/2017 O QUARTO PODER Não fora a mão que o doma a dos burgueses E os ricos quem lhe paga os ordenados, Seria, o Poder Quarto, as mais das vezes, A voz dos povos livres, revoltados, Mas pelas leis do lucro, quer "fregueses" E explode em escandaleiras, dando brados, Contradizendo, alguns dos que mais prezes, Outros, bem menos lidos e comprados. Quer saibamos, quer não, tem o poder De moldar-nos conforme convier Às ambições do grande capital E, pr`a fazer de ...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXVIII

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  QUISERA SER…   Quisera ser a brisa perfumada Que vem da rama fresca do pinheiro Fazer dos teus cabelos a morada E soprar-te ao ouvido o dia inteiro   Quisera ser a onda bem picada Se nela te fizesses marinheiro E lá no alto mar de vela içada Nosso barco do amor, nosso veleiro   Quisera ser a chuva de Verão Orvalhando teu rosto de paixão E em teus lábios deixar frugal pecado   Quisera ser o ar, a luz das estrelas Fragrância duma flor, chama de velas Para mais te sentires remansado     MEA 22/01/2017 ----------------------------------------------------------------------- "TAKE ONE" (Luzes, Câmaras, Acção!) "Quisera ser a brisa perfumada", Ou mesmo uma nortada que, em crescendo, Fosse, às tantas, tangendo entusiasmada, As espias que a Barca vão sustendo. "Quisera ser a onda bem picada" Que por um quase nada a está vencendo, Porquanto de repente, agigantada, Da proa até à gávea a vai escondendo... "Quisera ser a chuva de Verão" Pr`a chorar-te, em s...

PÉS DE BARRO

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  Dar-vos-ia o que tenho, nada tendo; O intenso travo a sal do mar que sou, A fonte de onde o verso me brotou, As mãos com que costuro e me remendo,   A dúvida, a certeza e quanto entendo De uns dotes com que a vida me dotou, A beleza que tive e já murchou, A musicalidade a que me prendo,   A rosa, o espinho, a força, o estro, a chama E tudo, tudo aquilo a que me agarro Pr`a manter-me de pé, fugindo à cama...   Poeta sobre humanos "pés-de-barro", - que mil vezes prefiro a ´mãos com lama`.. - Eu dar-vos-ia o céu... por um cigarro!       Maria João Brito de Sousa - 20.01.2017 - 16.11h

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXVIII

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  DEVANEANDO.... De olhos cerrados vejo o mar imenso O mar azul sem fim que beija a areia Com um véu de espuma branco e tão intenso Que tece nela favos de colmeia   Abraça a rocha e faz-se ali suspenso Em farrapos que voam como teia E afastam-se agitando fugaz lenço De rendilhados claros, em colcheia   Vai, e de novo volta noutro instante Umas vezes sereno outras gigante Naquele balouçar que me adormece   Que me enleva e me faz de mim sair Levando-me nas vagas, a dormir Nesse sonho de brisa que me aquece     MEA 19/01/2017     (RE)CONSTRUINDO     "De olhos cerrados vejo o mar imenso", Meu berço, meu amante e meu irmão De um mundo imaginado, ao qual pertenço Em toda a minha humana dimensão   "Abraça a rocha e faz-se ali suspenso", Como se eu fora a rocha, a suspensão, Ou seu cais derradeiro, o meu consenso, E a sua meta, a minha aceitação...   "Vai, e de novo volta noutro instante"; Ora explodindo em espuma, ora distante, Marcando, compassado, o seu vaivém ...

GLOSANDO ARY DOS SANTOS

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  SONETO DE MAL AMAR Invento-te recordo-te distorço a tua imagem mal e bem amada sou apenas a forja em que me forço a fazer das palavras tudo ou nada. A palavra desejo incendiada lambendo a trave mestra do teu corpo a palavra ciúme atormentada a provar-me que ainda não estou morto. E as coisas que eu não disse? Que não digo: Meu terraço de ausência meu castigo meu pântano de rosas afogadas. Por ti me reconheço e contradigo chão das palavras mágoa joio e trigo apenas por ternura levedadas. Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras' SONETO DE MAL-LEMBRAR "Invento-te recordo-te distorço" Essa velha memória desgastada Pelo tempo passado, pelo esforço, Pela estrofe que passa, desgarrada. "A palavra desejo incendiada"; Erro de paralaxe, ou óbvio escorço Duma memória em versos recriada Que é, da figura humana, apenas torso. "E as coisas que não disse? Que não digo (:)" Sobre as fomes de um pão que encontra abrigo Em quadras e sextilhas (en)cantadas? ...

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE X

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  UM MUNDO ONDE NÃO SEI ENTRAR     Há um mundo só teu que não conheço Onde não sei entrar de tão fechado Mundo misterioso, tão avesso Que te atormenta, triste e baralhado     Olhas de olhar perdido e não pareço Quem um dia andejou plo teu passado Por quem tu declaraste teu apreço Infindo, teu afecto ilimitado     Não me encontras em ti! Eu não sou eu! E procuras por mim! E a dor cresceu! E o meu sorriso dói-me ao ver-te assim     Nesse mundo onde o sol ficou tapado Deixando o teu eu sujo e sepultado Nessa amargura atroz que não tem fim     MEA 14/01/2017   UM MUNDO QUE APENAS INTERPRETO                 ou IDENTIDADE(S) Em cada um de nós, um universo, Um poço infindo, um mundo pessoal Íntimo, mas sensível e diverso Do todo que nos veste, no plural, Um algo indesvendável, controverso, Profundamente nosso, uno, integral Que, ao vestir-nos por dentro, anda disperso E que ao amargo, ou doce, é transversal. Divisível no génio, ou na loucura, Durará quanto a vida a nós nos dura E, tanto quant...

AI, ESTAS MENINAS DOS MEUS OLHOS...

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  Não sei se é desta névoa que se evola Das letras, sob as minhas mãos geladas, Se destas teclas, quase tão estouvadas Como as meninas, quando não há escola, Já me escapa a palavra, como a bola Rola em pátio de escola quando, ousadas, As meninas se lançam nas jogadas Com que qualquer criança se consola... Mas, sendo as dos meus olhos, são culpadas Pelo mau desempenho que as desola Depois de descoberto e, já cansadas, Guardam os versos dentro da sacola E ausentam-se da estrofe, envergonhadas; Já nem tentam "jogar", se for por esmola...   Maria João Brito de Sousa -14.01.2017 - 11.14h  

O GRANDE BANQUETE DO SONETO

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                           - Convite - Bem-vindas ao soneto, ó ruas velhas, Ó portas antiquíssimas, ó escadas, Ó casas pela vida abandonadas, Ó telhados sem gatos e sem telhas; É entrar, ó banheiras que sois selhas, Ó janelas sem vidros, nem portadas, Ó cortinas de tela, empoeiradas, Ó espelho ainda inteiro que me espelhas! É entrar verso a verso e com cuidado Na estrofe que vos cedo por momentos, Que eu tenho a mesa posta e colocado Sobre a condicional dos meus intentos, Prontinho, à vossa espera, o meu teclado, E ao abrigo de um sonho, os meus talentos. Maria João Brito de Sousa - 12.01.2017 -19.22h  

VESTINDO O SONETO

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    (Em verso heróico) Catorze versos simples, comedidos, Erguidos com paixão, mas bem concretos, Vão compondo a estrutura dos sonetos Que primorosamente são tecidos Utilizando todos os sentidos De quem esboce os seu talhes mais correctos Na firme confecção dos seus projectos Metódicos, convictos, assumidos. Da estrutura falei; serão esqueletos, Os catorze pilar`s que estão erguidos, Mas tão mais belos são, quão mais completos Se mostrem, na textura, os seus vestidos De cortes simples, clássicos, discretos, Nem demasiado curtos, nem compridos.   Maria João Brito de Sousa - 12.01.2017 - 10.15h    

CICLO(S)

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 GLOSANDO ULISSES DUARTE   "Lentamente a lua empalidece Uma gaivota desce pela bruma... Não tarda muito tempo, a vida aquece Até que a tarde venha e se consuma" Ulisses Duarte (Estrofe retirada da compilação "Memórias", feita pelo poeta Albertino Galvão) CICLO(S)     "Lentamente a lua empalidece" Dizendo adeus às casas que, uma a uma, Esperam que ela esmoreça e que se suma No mais azul de um céu que nunca a esquece...   "Uma gaivota desce pela bruma (...)", Saúda o Sol nascente e permanece Até que o dia abrace o que conhece; A areia, onde ela beija um mar de espuma...   "Não tarda muito tempo, a vida aquece", E toda a Natureza se abastece Conforme um novo dia reassuma "Até que a tarde venha e se consuma" E, nesse infindo ciclo, recomece Outro reino; o lunar, que aos sonhos tece...       Maria João Brito de Sousa - 04.09.2016 - 12.43h      

TALVEZ...

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(Soneto Petrarquiano) Talvez um dia - eu posso lá saber... -, No culminar do ser, que é toda a morte, Um verso suavemente me conforte E a morte, em vez de dor, me dê prazer... Talvez, talvez, talvez... ouso dizer, Apesar de saber ser certa a sorte De me perder da bússola e do Norte, Talvez nem dê por ela, se a escrever E, deixando por cá quanto me importe, Pouco importe, depois, quando vier E seja a morte apenas um transporte, Ou seja quanto eu dela pretender Quando, cansada de mostrar-me forte, Puder ficar cansada de viver... Maria João Brito de Sousa - 12.01.2017 - 12.05h     Imagem - "Nu, feminino" , Manuel Ribeiro de Pavia    

PEQUENA SINFONIA

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  Ulisses Duarte - Glosas "Quero cantar palavras com distancia Nos tangos de silencio e violinos Com claves de sol feitas de tranças E sombras com amores clandestinos" Ulisses Duarte "Quero cantar palavras com distância", Por muito que me nasçam das entranhas, Escandi-las e moldá-las na substância Que as torna muito minhas, sendo estranhas, "Nos tangos de silêncio e violinos", Sem coreografias de salões, Com a espontaneidade dos meninos Que arriscam tudo e nada em trambolhões, "Com claves de sol feitas de tranças" Nas indeléveis pautas dos seus dias, Sobre lagos de prata e de águas mansas, Com barcos de papel, nas tardes frias, "E sombras com amores clandestinos" Que em breve, muito em breve, irão chegar E que hão-de decompor-se em novos hinos, Pois tudo o que é menino há-de mudar... Maria João Brito de Sousa - 04.08.2016 - 17.48h   In "A ULISSES DUARTE, UM POETA DE EXCELÊNCIA" - Antologia Poética , Euedito, 2016   Nota - Este...

MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PERFEITO

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MEMÓRIAS DE UM NÁUFRAGO PERFEITO *   Do vento que sopra, da proa que afunda, Do mastro partido, do leme encravado, De ouvir os gemidos do velho costado Da barca que oscila, bojuda, rotunda, *   Na crista da onda, no mar em que abunda Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado, Escondido na espuma, submerso, acoitado Em zona que a Barca julgava profunda... *   De tudo me lembro, se bem que já esteja, No tempo passado, submerso também E seja esta imagem longínqua o que eu veja *   Da Barca que afunda nos sonhos de alguém, Apenas a sombra que passa e festeja Não ser verdadeira, nem ser de ninguém. *     Maria João Brito de Sousa - 11.01.2017 - 10.52h     Ao meu avô poeta, António de Sousa * (Soneto em verso hendecassilábico)  

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE IX

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  SAUDADE   A saudade chegou quando partiste E trouxe a solidão gelada e fria Feita flocos de neve, que persiste Tornando a madrugada tão sombria     O luar transportou sentido e triste O silêncio da voz que se queria Mas, no sol que nasceu tu me sorriste Porém de olhos fechados para o dia     Deixei teu nome esculpido de cobre Na pedra negra e dura que te encobre E da enorme paixão que te assolou     Deixei em bronze um busto de corcel Sendo o teu companheiro mais fiel Na memória feliz que me ficou     MEA 9/01/2016 FRAGMENTO(S) Tive saudades, sim, que sendo humana E não tendo, do Tempo, havido tempo Para o que realmente o Tempo sana, Em tempos, foi magoado o meu tormento, Bem como dura a dor que ainda emana Desta (in)sustentação que é meu sustento Que quanto mais me of`rece, mais me engana, Mais me transforma em folha solta ao vento, Quando aspiro à raiz que, em terra plana, Sobrevive, teimosa, ao turbulento Dos sopros com que o vento inda me abana, Das horas que me morrem num moment...

O MEU PATRONO VISTO POR MIM - AVL

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  Patrono: Florbela Espanca Académica: Maria João Brito de Sousa Cadeira: 06 Evento: "O MEU PATRONO VISTO POR MIM" A FLOR DO SONHO * A Flor do Sonho, alvíssima, divina, Miraculosamente abriu em mim, Como se uma magnólia de cetim Fosse florir num muro todo em ruína. * Pende em meu seio a haste branda e fina E não posso entender como é que, enfim, Essa tão rara flor abriu assim!... Milagre... fantasia... ou, talvez, sina... * Ó flor que em mim nasceste sem abrolhos, Que tem que sejam tristes os meus olhos, Se eles são tristes pelo amor de de ti?!... * Desde que em mim nasceste em noite calma, Voou ao longe a asa da minha`alma E nunca, nunca mais eu me entendi... * Florbela Espanca In "Livro de Mágoas" _____*_____ GLOSA COORDENADAS PARA UM VELHO/NOVO SONHO * "A Flor do Sonho, alvíssima, divina," Veio florir-me a sina, de nascença; Minha ideada irmã, estranha pertença Que não tem quem a vença, se ilumina... * "Pende em meu seio a haste branca e fina"...