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A mostrar mensagens de julho, 2025

SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA

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Imagem gerada pelo ChatCPT * SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA * Se hoje escrevo com alma de trovão E o chicote do raio me ilumina, São as minhas memórias de menina Que, debruçadas no meu coração, * Me acendem, das razões que há na razão, A improvável vela que, à bolina, Singra agora, indomável peregrina Dos ventos fortes, rumo ao furacão * Lembras-te, avô poeta, desses dias Das grandes chuvas e das ventanias Que saudávamos sempre fascinados? * Das vergastas de luz que ribombavam, Colorindo as rajadas que sopravam Nos nossos rostos mudos, assombrados? * © Maria João Brito de Sousa Julho, 2020 (no dia a seguir à grande trovoada de Verão)

IMPACTO AMBIENTAL

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Imagem processada pelo ChatGPT * IMPACTO AMBIENTAL * Às pragas e palavrões, Troquei-os por mil perdões Num dia de tempestade: Sopravam brutais monções E nenhuma alma se evade À Santíssima Trindade Quando enfrenta vagalhões... * Pedi, portanto, perdão Por, não tendo para o pão, Ter-me feito ao meu caminho... Não ouvi nem sim, nem não, Que o mar em redemoinho Cuspiu torreões de linho Sobre a minha embarcação * Perdão!, supliquei ao mar... Tanto dava suplicar Quanto dava estar calado: Ninguém me veio ajudar E o mar redobrava o brado Tumultuoso e zangado, Sem tempo pra perdoar * Os perdões então pedidos, Não me foram concedidos, Que isso tenho por bem certo! Dizem sábios e sabidos Que estando o céu encoberto, Entra o mar em desconcerto E nem a Deus dá ouvidos * Nada podendo fazer Sem ninguém pra me valer, Morri nesse exacto dia À hora do recolher, E aos toques da Avé Maria ... Só o mar me absolveria Pragas, pecados e ser * Afundei como os demais, Mas se...

PARÁBOLA DA FIANDEIRA E SEUS BRANCOS NOVELOS

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Imagem processada pelo ChatGPT * PARÁBOLA DA FIANDEIRA E DOS SEUS BRANCOS NOVELOS * Dobava brancos novelos Da lã mais quente e macia Que naquela aldeia havia (ninguém podia era vê-los...) Dobravam-se-lhe os cabelos Em tamanho, e - que ousadia! - Quanto mais envelhecia Mais el`s se tornavam belos... Foi dobando até esquecer-se E esqueceu-se até perder-se Nos seus novelos de lã Quando uma certa manhã, Já cansada de assim ver-se, Cortou os cabelos cerce... Alguém grita: - Ensandeceu! Se não podia mantê-los Devia optar por prendê-los Num "puxinho", como o meu... Diz uma outra: - Que sei eu? Curtos, ficam tão singelos E pra quê tantos anelos Quando assim se envelheceu? Cortou cerce a cabeleira, Mas, por sorte, aconteceu Que ela em dois dias cresceu E ficou de novo inteira... Volta a velha fiandeira Ao ofício que era o seu: Outro novelo nasceu  E outro e outro... uma carreira De enoveladas madeixas Que em vez de trazerem queixas Lhe traziam alegri...

NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA

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                                                                                Fotografia de minha autoria                                                       palmeiras destruídas por uma praga de Rhynchophorus ferrugineus * NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA * Silenciada esquina, eterno vento, Ninguém cruza a alameda, ninguém passa, Apenas uma pomba que esvoaça Lhe imprime alguma vida e movimento. * Um homem sobe agora, sonolento, Os degraus com que a escada me ameaça: Caio na escadaria da desgraça E, devendo-me erguer, nem mesmo o tento! * Sopra o vento. Mais zune e mais fustiga As casas desta esquina de que é dono... Por detrás da vidraça que me abriga * O bocej...

FERA E DONO

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Imagem processada pelo ChatGPT * FERA E DONO * Tu estavas de joelhos frente à fera, Ao titã que rugia e que rosnava... Na tua face impávida, severa, Nem sombra de temor se adivinhava * A fera ali espreitando, à tua espera, E cada gesto teu a ignorava, Como se protegido pela esfera Do aço que a vontade em ti forjava * - A fera é o Soneto!, afiançaste. Não sei bem se o domaste, ou não domaste, Porque a noite caiu, fiquei com sono * E fui dormir. Ainda vislumbrei Em sonho os vossos vultos mas não sei Qual de vós dois passou de fera a dono. *   Maria João Brito de Sousa 16.07.2018 -13.06h *** Nota - Este soneto, embora tecido em verso decassilábico, é dedicado ao célebre soneto Alexandrino, o mais difícil e complexo de todos os tipos de soneto

ALICE

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Avó Alice e eu fotografadas por meu pai *   ALICE * Amei-te tanto, tanto, minha avó! Louvavas-me os “murais” da grande sala Quando com suave e modulada fala Me garantias: - “Nunca estarás só, * Transbordas vida até chegar ao nó De quanto em ti se exalta e vibra e estala.” A doce voz, porém, depressa cala, Que quem assim me fala há muito é pó * Eras, Alice, a minha avó paterna, Mais maternal que muitas ternas mães, E assim que percebi não ser`s eterna * A tua voz, a voz que ainda tens, Doeu-me tanto, que hoje alço a lanterna E sondo céus e Terra, a ver se vens. *   Maria João Brito de Sousa 26.07.2018 – 17.59h ***

CONCEBO CARTAZES

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Imagem processada pelo ChatGPT * CONCEBO CARTAZES * Conserta castelos, corais conspurcados, Chaves, cadeados, cristais e capelos. Compra caramelos contrabandeados, Comanda cruzados, conduz os camelos * Com claros cabelos castanhos, cortados, Crescem-lhe os cuidados. Quem sabe contê-los? Ciúmes ou “celos”? Castelhanizados, Cuidam uns coitados de compreendê-los... * Colava cartazes com cola cuspida. Comprava comida. Compunha cabazes. Contratos capazes? Confiante? Cumprida? * Cresceste e, crescida, certeira comprazes Carismas com crases de (in)compreendida... Contas, consumida :- Concebo cartazes. *   Maria João Brito de Sousa 21.07.2018 – 15.21h *** Soneto hendecassilábico com rima entrançada Reformulado

SILÊNCIO II - Reedição

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António de Sousa, o meu avô poeta fotografado pelo meu pai * SILÊNCIO II *   Silêncio! Nem protestos nem queixumes   Soltam os versos mortos insepultos:   Perdem-se nos desertos dos ocultos   As aves desgarradas, quando implumes. *     Não há escudos pra espadas de dois gumes   Nem há contra-veneno para insultos   E o meu silêncio nunca paga indultos   Nem serve a desistência em que o presumes *     Arranco um verso ao prazo ultrapassado   De um mísero estertor dos meus sentidos   Que a ferro e fogo foi reconquistado *     E já perdi a conta aos que, perdidos,   Deixei ficar pra trás... Ah, naufragado,   No teu silêncio afogo os meus gemidos! *     Maria João Brito de Sousa    25.07.2021 - 13.22h *

SINA DE SIBILANTE

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Imagem processada pelo ChatGPT * SINA DE SIBILANTE * (a António Giacomo Stradivari) * A sílaba sustém-se (as)silabada, Silente ou simplesmente sussurrante, Ciente da ciência soluçante, Suavíssima, secreta, (en)simesmada. * Submete-se à sessão silenciada, Subtil solfejo de aço, sibilante, Subverte a situação, insinuante, Supinamente só, sobressaltada * Solta silvos, (a)ssusta, serpenteia, (A)ssume a suave essência da sereia, Semeia, sábia, a sã sabedoria * Suprime ou sobrestima a suspensão, Sofre os silêncios, sofre a submissão... Subitamente explode em sinfonia! *   Maria João Brito de Sousa *** In CLAUSURA, Junho de 2022 * Obra de Laurinda Rodrigues na qual  o poeta Fernando Augusto Cunha de Sá e eu fomos convidados a participar

APONTAMENTO- Reedição

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Imagem Pinterest *** APONTAMENTO *   Conversei com lagartas, centopeias, Bichos-de-conta, formigas com asas... Vi aranhas tecendo as suas teias, Caracóis carregando as suas casas * Abelhas, no cuidado da colmeias, Pulgas-do-mar saudando as marés-vazas, Corais que eram bordados de sereias, Medusas a sulcar as águas rasas... * Vi, deste mundo, um ror de coisas belas, E até às portuguesas caravelas Saudei, sem recear-lhes o veneno * Os meus olhos, então amplas janelas, Cobriram-se de grades, como as celas Que algum espaço nos cedem, mas pequeno... * Maria João Brito de Sousa 04.07.2018 – 10.59h *** NOTA - Soneto escrito quando aguardava a cirurgia às cataratas

VERMELHO.TU - Reedição

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VERMELHO.TU * Há tempo no meu gesto, esse indomado, Pra beber o café que me trouxeste. Amargo e doce porque assim mo deste. Vermelho tu. Vermelho o teu cuidado. * Também trouxeste pão. Um pão roubado À fome urgente com que amanheceste No dia em que do pão nada comeste. Quando por tua mão fora amassado. * Na tensão do teu espanto o levedaste E num vermelho forno o cozinhaste. Vermelho tu. Vermelho esse teu pão. * Vermelho como tu. teu franco abraço. E no teu livro. infindo embora escasso. Coube íntegra e vermelha. a tua mão. * Maria João Brito de Sousa 16.07.2018 – 13.25h * Ao poeta Filipe Chinita. Ao seu livro "Vermelho eu". ***

STACCATO - Reedição II

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Imagem processada pelo ChatGPT *** STACCATO * Silva a serpente, salta o saltarico, Saracoteia, samba, soma e segue! Sento-me. Sábia sou se o sacrifico? Serena, saboreio sonho e sede * Sétimo selo. Sétimo salpico. Somo silêncios sob a seca sebe, Sinto-me suja se solidifico, Sobrevivo ao suplício, se sucede... * Sintaxe sabe a sexo sem suor Somado à sordidez de se supor Solfejo, sopro, sigla, sol, sulfato... * Súbito, um som suspira sofredor, Sublime, o socorrista sapador Supera a situação. Stop e Staccato! * Maria João Brito de Sousa 22.07.2018 – 19.22h ***   Soneto ligeiramente modificado

CONVOCATÓRIA - Reedição

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Eu, fotografada por meu pai, na varanda da casa do Dafundo * CONVOCATÓRIA * Convoco-te, poema, em cada verso, em cada estrofe, enquanto não tecida, em cada afirmação, no seu reverso, no sopro que conduz o verbo à vida * E sempre que comigo, em mim disperso, te encontro e te desfolho, já rendida, perder-te-ei depois, depressa imerso num mar cuja maré me traz perdida * Mas essa sensação de, em tempo adverso, estar presa, acorrentada e sem saída num beco já distante e bem diverso * Quando olhada de frente, foi vencida mal pus um fim ao fim deste universo no qual me multiplico dividida. *   Maria João Brito de Sousa 20.07.2015 – 14.34h ***  

VÊS MOINHOS? SÃO DRAGÕES!

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Imagem gerada pelo ChatGPT *** VÊS MOINHOS? SÃO DRAGÕES! * São moinhos de vento, estes meus dedos, E os meus olhos lanternas apagadas A semi-vislumbrar cifras toldadas E a adivinhá-las, como se a segredos * Austeras fragas, disformes rochedos, Sombras sinistras, loucas revoadas De visões imprecisas, desgarradas Ou enredadas em estranhos enredos * Não fora a desmedida teimosia Que a decifrar tais vultos desafia Esta semi-cegueira (ir)reversível(?) * E eternizada pela pandemia... Ah, não vos sei dizer quanta a arrelia, Mas tento transformá-la em brado audível! * Maria João Brito de Sousa 20.07.2020 - 11.30h ***   NOTA - Este poema foi escrito durante a reclusão imposta pela pandemia, no meu terceiro ano de  espera por uma cirurgia às cataratas  

PETISCO DE TUBARÃO

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Imagem Pinterest * PETISCO DE TUBARÃO * Surfei ondas de lava em Krakatoa, Fui capitã de barcos quebra-gelo, Desci o Niagara de canoa E cruzei o Alaska nua, em pêlo * De areia construí o meu castelo, Tão alto o construí que me atordoa Lembrar que sendo imenso e forte e belo Ruiu com a maré, qual coisa à toa * Na Amazónia domei um jacaré Que levei pela trela a ver o mar E ao qual dei lições de natação * Ó triste sorte, lá perdi um pé... Não fui pró jacaré um bom jantar, Fui um "pé-tisco" para um tubarão! * Mª João Brito de Sousa 29.07.2025 - 19.30h *** Ao Carlos Ricardo Pela irónica, perdão, notória vitimização e pela sugestão do tema: "Ai que perdi um pé!"  

GUERRA, FOME, PESTE E MORTE

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  Imagem gerada pelo ChatGPT * GUERRA, FOME, PESTE E MORTE * I * Hão-de vir Guerra, Fome, Peste e Morte, Quatro cavalgaduras cavalgando As montadas que sob o seu comando Nos deixarão sem voz e sem suporte * Falo de quatro porque, de outra sorte, Estaria o velho mito atraiçoando, Mas muitos, muitos mais virão trotando, Que os bobos correm sempre atrás da corte * Assim o fim dos Tempos se anuncia Aos homens que ao ouvirem as trombetas Terão seu julgamento derradeiro * Por mim, à Guerra e à Peste, expulsaria, À Fome, a livraria das dietas E à Morte a açoitaria um ano inteiro * II * Quanto às sete trombetas, as encheria De betume ou cimento, tanto faz, Para que, mudas, deixassem a Paz Reinar em espanto e graça e harmonia * Às bestas que hoje reinam, lançaria Um feitiço que sei ser eficaz: Mil anos a dormir como a que jaz Numa história infantil de bruxaria * Ah, se assim fosse, as tais cavalgaduras Jamais cavalgariam contra nós, Não quebraria o Anho os sete sêlos * E todos nós, humanas ...

SUPOSIÇÃO II - Reedição

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Imagem gerada pelo ChatGPT * SUPOSIÇÃO * Se um anjo houvesse que, achado ou perdido, Espetasse a seta no meu nó cordial E desse pelo nome de Cupido E usasse asas de espanto e de cristal... * Se um arco todo em pasmo concebido Pra varar alvos feitos de metal Do mais duro que alguém houvesse obtido Nas forjas de versão tradicional * Se o pressuposto fizesse sentido Ou fosse claramente intencional, Talvez valesse a pena eu ter tangido * A minha etérea veia musical... Mas suponho que um anjo distraído Me transformou num alvo acidental *   Maria João Brito de Sousa 01.07.2020 - 12.58h ***

AMOR II - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Imagem processada pelo ChatGPT * AMOR II * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * Amor é um desejo que se sente De ter junto de nós a nossa amada Um só até chegar a madrugada E, vindo o dia, não se vai da mente * Amor conjuga amor eternamente É bem que se transforma na jornada Em ânsia de ter tudo e não ter nada Que culpe a nossa vida impenitente * Se sofres tu não sentes amargura Espelho dum amor que traz candura E também, cada dia, um novo alvor * Abris de primavera a florescer Em ti eu tenho tudo a renascer Transformo tudo em mim com teu amor * Custódio Montes 10.7.2024 *** 2. * "Transformo tudo em mim com teu amor" Dizia o vate enquanto a mão beijava Da bela Ninfa que então recuava, A doce face tinta de rubor * "Não sei que responder-vos, meu Senhor... Jamais alguém me disse que me amava E receio de amor vir a ser escrava, Eu, que nasci do húmus como a flor, * Que nada sei da dor nem do desejo, Sinto na mão o ardor do vosso beijo E só poss...