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A mostrar mensagens de julho, 2025

SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA - Reedição

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Imagem gerada pelo ChatCPT * SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA * Se hoje escrevo com alma de trovão E o chicote do raio me ilumina, São as minhas memórias de menina Que, debruçadas no meu coração, * Me acendem, das razões que há na razão, A improvável vela que, à bolina, Singra agora, indomável peregrina Dos ventos fortes, rumo ao furacão * Lembras-te, avô poeta, desses dias Das grandes chuvas e de ventanias Que saudávamos sempre fascinados? * Das vergastas de luz que ribombavam, Colorindo as rajadas que sopravam Nos nossos rostos mudos, assombrados? * © Maria João Brito de Sousa Julho, 2020 (no dia a seguir à grande trovoada de Verão)

IRÁS COMIGO ONDE EU FOR

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Tela de minha autoria * Venha comigo, por favor

IMPACTO AMBIENTAL - Reedição

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Aqui, por favor

PARÁBOLA DA FIANDEIRA E SEUS NOVELOS BRANCOS

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Levante, por favor,  a tampa do meu baú

NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA - Reedição

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Imagem Pinterest * NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA * Silenciada esquina, eterno vento, Ninguém cruza a alameda, ninguém passa, Apenas uma pomba que esvoaça Lhe imprime alguma vida e movimento. * Um homem sobe agora, sonolento, Os degraus com que a escada me ameaça: Caí na escadaria da desgraça E, devendo arriscar, nem mesmo o tento! * Sopra o vento. Mais zune e mais fustiga As casas desta esquina de que é dono... Por detrás da vidraça que me abriga * O bocejo das pedras faz-me sono, Induz-me esta dormência que me intriga Tanto ou mais do que a rua, ao abandono. *   Maria João Brito de Sousa 22.07.2018 – 11.11h ***

FERA E DONO - Reedição

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Imagem prcessada pelo ChatGPT * FERA E DONO * Tu estavas de joelhos frente à fera, Ao titã que rugia e que rosnava... Na tua face impávida, severa, Nem sombra de temor se adivinhava * A fera ali espreitando, à tua espera, E cada gesto teu a ignorava, Como se protegido pela esfera Do aço que a vontade em ti forjava * - A fera é o Soneto!, afiançaste. Não sei bem se o domaste, ou não domaste, Porque a noite caiu, fiquei com sono * E fui dormir. Ainda vislumbrei Em sonho os vossos vultos mas não sei Qual de vós dois passou de fera a dono. *   Maria João Brito de Sousa 16.07.2018 -13.06h *** Nota - Este soneto, embora tecido em verso decassilábico, foi dirigido ao célebre soneto Alexandrino, o mais difícil e complexo de todos os tipos de soneto

ALICE - Reedição

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Avó Alice e eu fotografadas por meu pai *   ALICE * Amei-te tanto, tanto, minha avó! Louvavas-me os “murais” da grande sala Quando com suave e modulada fala Me garantias: - “Nunca estarás só, * Transbordas vida até chegar ao nó De quanto em ti se exalta e vibra e estala.” A doce voz, porém, depressa cala, Que quem assim me fala há muito é pó... * Eras, Alice, a minha avó paterna, Mais maternal que muitas ternas mães, E assim que percebi não ser`s eterna * A tua voz, a voz que ainda tens, Doeu-me tanto, que hoje alço a lanterna E sondo céus e Terra, a ver se vens... *   Maria João Brito de Sousa 26.07.2018 – 17.59h ***

CONCEBO CARTAZES - Soneto reformulado

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Imagem processada pelo ChatGPT * CONCEBO CARTAZES * Conserta castelos, corais conspurcados, Chaves, cadeados, cristais e capelos. Compra caramelos contrabandeados, Comanda cruzados, conduz os camelos * Com claros cabelos castanhos, cortados, Crescem-lhe os cuidados. Quem sabe contê-los? Ciúmes ou “celos”? Castelhanizados, Cuidam os coitados de compreendê-los. * Colava cartazes com cola cuspida. Comprava comida. Compunha cabazes. Contratos capazes? Confiante? Cumprida? * Cresceste e, crescida, certinha comprazes Carismas com crases de (in)compreendida... Contas, consumida :- Concebo cartazes... *   Maria João Brito de Sousa 21.07.2018 – 15.21h *** Soneto hendecassilábico com rima entrançada Reformulado

SILÊNCIO II - Reedição

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António de Sousa, o meu avô poeta fotografado pelo meu pai * SILÊNCIO II *   Silêncio! Nem protestos nem queixumes   Soltam os versos mortos insepultos:   Perdem-se nos desertos dos ocultos   As aves desgarradas, quando implumes. *     Não há escudos pra espadas de dois gumes   Nem há contra-veneno para insultos   E o meu silêncio nunca paga indultos   Nem serve a desistência em que o presumes *     Arranco um verso ao prazo ultrapassado   De um mísero estertor dos meus sentidos   Que a ferro e fogo foi reconquistado *     E já perdi a conta aos que, perdidos,   Deixei ficar pra trás... Ah, naufragado,   No teu silêncio afogo os meus gemidos! *     Maria João Brito de Sousa    25.07.2021 - 13.22h *

SINA DE SIBILANTE

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Imagem processada pelo ChatGPT * SINA DE SIBILANTE * (a António Giacomo Stradivari) * A sílaba sustém-se (as)silabada, Silente ou simplesmente sussurrante, Ciente da ciência soluçante, Suavíssima, secreta, (en)simesmada. * Submete-se à sessão silenciada, Subtil solfejo de aço, sibilante, Subverte a situação, insinuante, Supinamente só, sobressaltada * Solta silvos, (a)ssusta, serpenteia, (A)ssume a suave essência da sereia, Semeia, sábia, a sã sabedoria * Suprime ou sobrestima a suspensão, Sofre os silêncios, sofre a submissão... Subitamente explode em sinfonia! *   Maria João Brito de Sousa *** In CLAUSURA, Junho de 2022 * Obra de Laurinda Rodrigues na qual  o poeta Fernando Augusto Cunha de Sá e eu fomos convidados a participar

APONTAMENTO- Reedição

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Imagem Pinterest *** APONTAMENTO *   Conversei com lagartas, centopeias, Bichos-de-conta, formigas com asas... Vi aranhas tecendo as suas teias, Caracóis carregando as suas casas * Abelhas, no cuidado da colmeias, Pulgas-do-mar saudando as marés-vazas, Corais que eram bordados de sereias, Medusas a sulcar as águas rasas... * Vi, deste mundo, um ror de coisas belas, E até às portuguesas caravelas Saudei, sem recear-lhes o veneno * Os meus olhos, então amplas janelas, Cobriram-se de grades, como as celas Que algum espaço nos cedem, mas pequeno... * Maria João Brito de Sousa 04.07.2018 – 10.59h *** NOTA - Soneto escrito quando aguardava a cirurgia às cataratas

VERMELHO.TU - Reedição

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VERMELHO.TU * Há tempo no meu gesto, esse indomado, Pra beber o café que me trouxeste. Amargo e doce porque assim mo deste. Vermelho tu. Vermelho o teu cuidado. * Também trouxeste pão. Um pão roubado À fome urgente com que amanheceste No dia em que do pão nada comeste. Quando por tua mão fora amassado. * Na tensão do teu espanto o levedaste E num vermelho forno o cozinhaste. Vermelho tu. Vermelho esse teu pão. * Vermelho como tu. teu franco abraço. E no teu livro. infindo embora escasso. Coube íntegra e vermelha. a tua mão. * Maria João Brito de Sousa 16.07.2018 – 13.25h * Ao poeta Filipe Chinita. Ao seu livro "Vermelho eu". ***

STACCATO - Reedição II

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Imagem processada pelo ChatGPT *** STACCATO * Silva a serpente, salta o saltarico, Saracoteia, samba, soma e segue! Sento-me. Sábia sou se o sacrifico? Serena, saboreio sonho e sede * Sétimo selo. Sétimo salpico. Somo silêncios sob a seca sebe, Sinto-me suja se solidifico, Sobrevivo ao suplício, se sucede... * Sintaxe sabe a sexo sem suor Somado à sordidez de se supor Solfejo, sopro, sigla, sol, sulfato... * Súbito, um som suspira sofredor... Sublime, o socorrista sapador Supera a situação. Stop e Staccato! * Maria João Brito de Sousa 22.07.2018 – 19.22h ***   Soneto ligeiramente modificado

CONVOCATÓRIA - Reedição

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Eu, fotografada por meu pai, na varanda da casa do Dafundo * CONVOCATÓRIA * Convoco-te, poema, em cada verso, em cada estrofe, enquanto não tecida, em cada afirmação, no seu reverso, no sopro que conduz o verbo à vida * E sempre que comigo, em mim disperso, te encontro e te desfolho, já rendida, perder-te-ei depois, depressa imerso num mar cuja maré me traz perdida * Mas essa sensação de, em tempo adverso, estar presa, acorrentada e sem saída num beco já distante e bem diverso * Quando olhada de frente, foi vencida mal pus um fim ao fim deste universo no qual me multiplico dividida. *   Maria João Brito de Sousa 20.07.2015 – 14.34h ***  

VÊS MOINHOS? SÃO DRAGÕES! - Reedição

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Imagem gerada pelo ChatGPT *** VÊS MOINHOS? SÃO DRAGÕES! * São moinhos de vento, estes meus dedos, E os meus olhos lanternas apagadas A semi-vislumbrar cifras toldadas E a adivinhá-las, como se a segredos * Austeras fragas, disformes rochedos, Sombras sinistras, loucas revoadas De visões imprecisas, desgarradas Ou enredadas em estranhos enredos * Não fora a desmedida teimosia Que a decifrar tais vultos desafia Esta semi-cegueira (ir)reversível(?) * E eternizada pela pandemia... Ah, não vos sei dizer quanta a arrelia, Mas tento transformá-la em brado audível! * Maria João Brito de Sousa 20.07.2020 - 11.30h ***   NOTA - Este poema foi escrito durante a reclusão imposta pela pandemia, no meu terceiro ano de espera por uma cirurgia às cataratas  

PETISCO DE TUBARÃO

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Imagem Pinterest * PETISCO DE TUBARÃO * Surfei ondas de lava em Krakatoa, Fui capitã de barcos quebra-gelo, Desci o Niagara de canoa E cruzei o Alaska nua, em pêlo * De areia construí o meu castelo, Tão alto o construí que me atordoa Lembrar que sendo alto e forte e belo Ruiu com a maré, qual coisa à toa... * Na Amazónia domei um jacaré Que levei pela trela a ver o mar E ao qual dei lições de natação * Ó triste sorte, lá perdi um pé... Não fui pró jacaré um bom jantar, Fui um "pé-tisco" para um tubarão! * Mª João Brito de Sousa 29.07.2025 - 19.30h *** Ao Carlos Ricardo Pela irónica, perdão, notória vitimização e pela sugestão do tema: "Ai que perdi um pé!"  

GUERRA; FOME; PESTE E MORTE

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  Imagem gerada pelo ChatGPT * GUERRA, FOME, PESTE E MORTE * I * Hão-de vir Guerra, Fome, Peste e Morte, Quatro cavalgaduras cavalgando As montadas que sob o seu comando Nos deixarão sem voz e sem suporte * Falo de quatro porque, de outra sorte, Estaria o velho mito atraiçoando, Mas muitos, muitos mais virão trotando, Que os bobos correm sempre atrás da corte... * Assim o fim dos Tempos se anuncia Aos homens que ao ouvirem as trombetas Terão seu julgamento derradeiro... * Por mim, à Guerra e à Peste, expulsaria, À Fome, a livraria das dietas E à Morte a açoitaria um ano inteiro * II * Quanto às sete trombetas, as encheria De betume ou cimento, tanto faz, Para que mudas deixassem a Paz Reinar em espanto e graça e harmonia * Às bestas que hoje reinam, lançaria Um feitiço que sei ser eficaz: Mil anos a dormir como a que jaz Numa história infantil de bruxaria... * Ah, se assim fosse, as tais cavalgaduras Jamais cavalgariam contra nós, Não quebraria o Anho os sete sêlos * E todos nós, human...

SUPOSIÇÃO II - Reedição

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Imagem gerada pelo ChatGPT * SUPOSIÇÃO * Se um anjo houvesse que, achado ou perdido, Espetasse a seta no meu nó cordial E desse pelo nome de Cupido E usasse asas de espanto e de cristal... * Se um arco todo em pasmo concebido Pra varar alvos feitos de metal Do mais duro que alguém houvesse obtido Nas forjas de versão tradicional * Se o pressuposto fizesse sentido Ou fosse claramente intencional, Talvez valesse a pena eu ter tangido * A minha etérea veia musical... Mas suponho que um anjo distraído Me transformou num alvo acidental *   Maria João Brito de Sousa 01.07.2020 - 12.58h ***

PELAS VÍTIMAS DA GUERRA

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Imagem processada pelo ChatGPT *** PELAS VÍTIMAS DA GUERRA * GAONESA DECASSILÁBICA EM ARTE MAIOR *   Aos que precocemente foram mortos E aos filhos e esposas que hoje os choram Até que a morte irrompa sem aviso Pelos casebres frágeis em que moram, Escondidos, no maior dos desconfortos, Sempre temendo um míssil mais certeiro Que despedace as traves com que escoram As tábuas que os separam do morteiro Que os semeia em pedaços pelos hortos Não mais pessoas mas caldo impreciso De carne, de ossos, sangue e humano cheiro Que tinge de vermelho o chão que eu piso * Mª João Brito de Sousa 06.07.2025 - 19.30 ***    

AMOR II - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Imagem processada pelo ChatGPT * AMOR II * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * Amor é um desejo que se sente De ter junto de nós a nossa amada Um só até chegar a madrugada E, vindo o dia, não se vai da mente * Amor conjuga amor eternamente É bem que se transforma na jornada Em ânsia de ter tudo e não ter nada Que culpe a nossa vida impenitente * Se sofres tu não sentes amargura Espelho dum amor que traz candura E também, cada dia, um novo alvor * Abris de primavera a florescer Em ti eu tenho tudo a renascer Transformo tudo em mim com teu amor * Custódio Montes 10.7.2024 *** 2. * "Transformo tudo em mim com teu amor" Dizia o vate enquanto a mão beijava Da bela Ninfa que então recuava, A doce face tinta de rubor * "Não sei que responder-vos, meu Senhor... Jamais alguém me disse que me amava E receio de amor vir a ser escrava, Eu, que nasci do húmus como a flor, * Que nada sei da dor nem do desejo, Sinto na mão o ardor do vosso beijo E só poss...