TRIÂNGULO AMOROSO
TRIÂNGULO AMOROSO * (Soneto em verso alexandrino) * Sinto-me sonhadora, assumo-me seareira! Vou dar-me em sementeira e antes de ir-me embora Serei a plantadora-aspirante-a-ceifeira Que acende na lareira o verbo em que se explora. * Estatueta que decora/enfeita a prateleira Coberta da poeira e dos livros de outrora, Escravizada senhora a vida (quase) inteira, Sobrevivo hoje à beira e ao espanto da escritora. * Serei talvez pintora... ainda que assim seja, Que o verso nunca o veja! Escondo-lho sempre em vão, Que julga haver traição, explode em ciúme e inveja... * Por muito que eu proteja a dupla relação, Reclama sem razão e exige-me que esteja Tão só no que corteja ardente de paixão! * Maria João Brito de Sousa - 04.07.2020 - 16.00h