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CONVICÇÕES

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  CONVICÇÕES * Retorcera-se em espasmos de incerteza, Lutara contra espanto e convulsões E já sentara um espectro à sua mesa Para uma ceia a dois, sem confusões. *   Cozinhara um cozido à portuguesa Nas chamas apagadas de uns tições, Porque o que para muitos é surpresa, Dependeu, para si, das convicções. *   Sai à rua e... faz sol sempre que chove! Das suas ilusões, nada o demove; Tudo é real porque ele assim o viu. *   Não precisa de nada que comprove Que a Terra é uma esfera que se move, Nem crê que uma nascente acabe em rio. *   Maria João Brito de Sousa – 12.07.2018 -09.53h **  

DAS TOURADAS E DAS GRANDES CONVICÇÕES - Carta aberta ao meu avô poeta

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… e depois, António, eles benzer-se-ão e partirão gloriosos para a mortandade sem que os tenhamos podido desculpar e agradecerão as palmas com a consciência do ritual cumprido e haverá crianças - crianças como eu era quando, ao vê-los,  fugia do ecrã da televisão… -, haverá crianças, António, que também baterão palmas e que crescerão embaladas pela apoteótica matança, abençoadas pelo deus a que eles se confiaram e em que eu nunca acreditarei porque, perdoa-me, António, eu não posso, nem quero, acreditar nesse mesmíssimo deus cruel e estúpido, se ele for tão estúpido e tão cruel que abençoe a ritualização da tortura…       Ou fomos nós que sempre estivemos enganados? Ou fomos nós que errámos quando condenámos a raiz comum de todas as descriminações e de todas as atrocidades? Ou éramos só nós que víamos, nos olhos do touro, a mesma inocência dos dos cristãos novos, no Paço, dos dos negros, nos porões das naus, dos dos judeus, em Auschwitz, dos dos nossos amigos, nas masmorras da Pide?   ...

NÃO DESISTIR...

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      Se agora eu, deslumbrada, me extasio E se agradeço a Deus tão estranha fé, Depois, quando subir outra maré, Quem virá preencher-me este vazio?   Que bendita alegria irá nascer? Que dor, que desespero irá, de novo, Levar-me à desistência, que reprovo, De um caminho acabado de escolher?   Só sei que há-de sobrar-me este infinito De todos os poemas por criar, De todas as palavras por sentir   E sei que tudo aquilo em que acredito Irá permanecer, irá ficar Por cá, porque eu não hei-de desistir!     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

DEPOIS DE MIM

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Estais cansados de ouvir a lenga-lenga Daquilo que já fiz, do que não faço... Que vos pode int`ressar o meu cansaço, Este cantar-me até que a voz se renda?   Não podeis entender este feitiço (meu estranho e voluntário cativeiro...) De ser rica sem ter nenhum dinheiro... Podeis olhar-me e ver um deus postiço,   Mas reparai; se sou quanto aqui escrevo, Se o mundo, em mim, produz tão estranho enlevo, Se este cantar-me é pura compulsão,   Podeis ler-me depois de eu ter partido, No futuro, ideal mas pressentido, Dos que depois de mim me seguirão...   Imagem - "O Filho do Homem" -                  Acrílico sobre placa                  Maria João Brito de Sousa -2006

AQUILO EM QUE ACREDITO

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Há lá ouro ou poder que me convençam A ser quem nunca fui, a dizer: Sim! Se aquilo que sentir, dentro de mim, For mais forte que tudo o que m` ofereçam!   Há lá maior prazer que a coerência, Há lá maior virtude ou qualidade, Que sermos detentores de uma verdade? Humanamente NÓS, na nossa essência...   Biologicamente arquitectados, Nós somos animais desesperados Por honras e valores que não são meus...   Talvez seja dif`rente ou seja tonta, Mas, para mim, o que no fundo conta, É crer no que acredito vir de Deus!   Imagem - "Puberdade" - 40x30cm (Pastel de Óleo)                Maria João Brito de Sousa - 1999