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QUE POSSO EU?

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  Que posso contra a força da consciência Se ela me eleva a mão, me exalta a voz, Se se me impõe além do que é prudência E lança ao mar na casca de uma noz?   Eu nada posso, ó clara transparência, E entrego-te este leme quando, a sós, Confio – quem o sabe? – na clemência Daqueles que chegarão depois de nós   Se pedes muito mais que o evidente, Se assim vais empurrando, sempre em frente, A vaga das palavras que aqui escrevo,   E, estando em mim, tu és de tanta gente, Como posso negar-te o meu presente Que lega no futuro o sal que eu devo?     Maria João Brito de Sousa – 03.08.2011 – 20.18h