SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXII
NAS TUAS MÃOS Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro noutras mãos uma guarida Onde a chama que sou não tenha preço. Eu, ave, só te entrego o que não peço; Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu nem sonharias e eu não meço. E que outra ave marinha of`receria Tão extrema e profundíssima alegria? Que outra alma se daria em seda pura? As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de sonho e de ternura? Maria João Brito de Sousa – Maio 2007 LEITORA COMPULSIVA Em que ficamos nós? Que hei-de fazer Se o sol quiser nascer enquanto a lua Me instiga a que desvende o que eu puder De um livro que tem vida e geme e sua? Enquanto esta leitura me quiser, Procurarei razões que esta alma estua E entenderei, no fim, que sou mulher A viajar nos versos de alma nua À hora em que sol nasce deslumbrado, Entendo finalmente que é escusado Tentar chegar ao...