LUME E CINZAS
LUME E CINZAS * "Num cair bailado, flutuante e breve" Vejo, debruçada na minha janela, Uma coisa estranha, branca, fria e bela Que nunca antes vira mas que sei ser neve... * Conhecendo-a apenas por quem ma descreve, Ao tentar tocá-la, sinto que enregela... Recuo num pulo e retiro à cautela, Que esta mão gelada a mais nada se atreve! * Confesso que minto porque, em tempos idos, Deixei sobre a neve rastos bem compridos E até um boneco moldei lá no cume * Quando, de tão jovem, nunca recuava; Viessem nevões, tempestades, lava... Como não sorrir-lhes se eu própria era lume? * Mª João Brito de Sousa 30.01.2022 - 14.40h * Soneto hendecassilábico criado a partir do verso final do soneto "Sem Fria Nortada" de MEA.