VERSO A VERSO...
(Soneto em decassílabo heróico) Na tenaz destas coxas que te prendem Conduzo-te, poema imaginário, Por ondas e marés, doce corsário, Ao cais onde estas vagas se me rendem... Rotas hábeis que engendro e que te entendem, Levar-te-ão, poema solitário, Ao cais urgente, ao porto necessário À nau que vara as ondas que a suspendem... Afundo-te, poema, verso a verso, Firmando o leme assim que tu, disperso, Te desvias da rota e, já perdido, Recusando, talvez, morrer submerso Na doce embriaguês deste universo, Te negas ao naufrágio prometido... Maria João Brito de Sousa - Fevereiro, 2016 In A CEIA DO POETA (inédito)