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MEMÓRIAS DE ABRIL

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Imagem gerada pelo Chat GPT a partir da leitura/processamento do poema * MEMÓRIAS DE ABRIL * Soneto de Coda * No tempo em que se abriram tantas portas Que os muros vacilaram e tombaram, Fomos os alquimistas que assomaram Do que antes fervilhava nas retortas *   Recolhemos do chão as folhas mortas Dos medos que secaram e murcharam E plantámos ideias que vingaram Enchendo de esperança as nossas hortas * Fomos meninos que, de extasiados, Acreditámos ter na nossa mão A força dos antigos condenados * Que em tempos libertámos da prisão... Hoje, meninos velhos e cansados, Perdemos o vigor, nunca a paixão * Que outrora nos tornou, da Paz, soldados E op`rários em perfeita construção *: Mortos, talvez, mas nunca derrotados! *   Mª João Brito de Sousa 29.01.2025 - 14.00h *** * Referência ao poema O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO de Vinicius de Moraes

FRACÇÃO

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  (Soneto de coda ou estrambote em decassílabo heróico)     FRACÇÃO * O Tempo, esse tirano, esse vilão A quem, teimosos, nunca aceitaremos, É quem gere, afinal, tudo o que temos Na nossa humana bio-condição  * Mas, longe de aceitar que tem razão, Que da sua passagem dependemos, Chegamos a negar quanto aprendemos Ser fruto dessa vasta produção  * E contra a própria vida nos erguemos Se, esquecido o percurso que fizemos, Cairmos nessa vã contradição   De achar que, por mais voltas que engendremos, Por mais que o próprio tempo confrontemos Em busca da perfeita solução , *   À Vida pouco importa o que inventemos, Nem pensa em resolver quanto vivemos; O Tempo é que o traduz numa fracção. *       Maria João Brito de Sousa – 21.05.2014 – 20.08h     Imagem - A Persistência do Tempo - Salvador Dali

HOLOGRAMA

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  (Soneto “de coda” em decassílabo heróico)     Conserto o desconcerto, acerto o passo, Pinto, esculpindo o verso que me ocorre. As coisas que aqui faço, ou que não faço, Vão transcendendo a carne que me cobre…   Mas, se à própria razão retiro o braço Se o gesto me preguiça, a mão não corre, Se, já rendida à dor, verga ao cansaço, Perco o rumo à razão que me socorre.   Que me não faltes, mão dos gestos leves, Que esculpes, que constróis, que remodelas, Que, sem hesitações, aqui te atreves   A dissecar miséria e coisas belas E a arder nos mil pavios do que não deves, Porque há quem vá negar-te a luz das velas,   Quem queira dar-te fama e voz, tão breves Que ocultem o sentido ao barro, às telas, Para honrar com néons quanto nem escreves!       Maria João Brito de Sousa – 09.02.2014 – 17.07h     Imagem - "Genesis" - Jacob Epstein

SONETO DE CODA II

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À Dona Elite de Oligarquia & SA   (Em verso eneassilábico)     Das migalhas que ao povo deixava Dona Elite, pensando melhor, Entendeu que era muito o que dava E que ao povo sobrava vigor   Porque, quando a migalha abundava, Ele podia crescer, ser maior E atrever-se a sonhar que mandava Em si próprio, apesar de “inferior”…   Dona Elite, prevendo o pior, Sem cuidar do que ao povo faltava Foi comendo o que, a si, lhe sobrava;   Comeu pobre e criado e senhor E, por fim, sem notar quanto inchava, Engoliu quanto mundo restava   Até ver que mais nada, em redor, Preenchia o vazio que gerava Onde, inútil, rotunda, orbitava   Em função do seu próprio fedor…       Maria João Brito de Sousa – 09.10.2013 – 18.42h       NOTA – Soneto com dupla “coda” ou “estrambote”  

SONETO DE CODA

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    (Em decassílabo heróico)     Quando o verso desponta e, de repente, Sinto que o Tejo vem, de vaga em vaga, Depor, nas rochas que em meu peito traga, Em líquido compasso, o comburente   Deste fogo maior, insano, urgente, Que ateia a poesia em qualquer fraga E, sem hesitações, rejeita e esmaga Razões de outra razão bem mais urgente   Eu, bicho, ao descobrir que o não comando, Que, sabendo porquê, nunca sei quando O fluxo se me impõe com força tal   Que dele brote o poema, agreste ou brando, E, com força de grito ou murmurando, Se afirme, em rebeldia, um bicho igual,   Deixo aberto esse espaço em que, voando, Se imponha livremente e vá brotando De geração espontânea e natural…     Maria João Brito de Sousa – 17.09.2013 – 17.05h     Nota – Este é o meu primeiro “soneto de coda”. Dedico-o ao poeta Frassino Machado pois, ao contrário do que ele imaginava, não conhecia esta “modalidade” até me deparar com alguns sonetos de coda, de sua autoria. Nasceu da forma espontânea que tão naturalme...