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A mostrar mensagens com a etiqueta um soneto sempre que eu puder

PING-PONG

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    Quem, querendo dar-me vida, a perde assim Decerto desconhece o que sobrou Desta anímica força que há em mim, Ou desconhece mesmo quem eu sou… Desconhece este jogo até ao fim E o treino de o jogar que me ficou Depois de ter vencido, ao dizer; - Sim! A partida a que a morte me forçou… Mas, sendo assim tão frágil, todos pensam Que o que eu vos relatar será mentira, Exagero, talvez… mera invenção! Neste Ping-pong, à espera que me vençam, Troféu que já ganhei, ninguém me tira! [bolinha que cair… fica no chão!]     Maria João Brito de Sousa     Imagem retirada da internet

PORQUE VIVER É TRANSFORMAR...

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        Deixo-te, mundo meu, a minha vida Igual a muitas outras – tantas mais...- Neste leque de sonhos virtuais Em jeito de quem esteja de partida.     Deixo-te, mundo meu, na despedida, O meu baú de ossadas de ancestrais, E um hino, por amor dos animais, Antes que seja tarde e que eu, rendida,     Não possa mais dizer-te que existi, Que, por motivos que hoje desconheço, Morri qu`rendo deixar-te o que deixei,   Por isso, mundo meu, te deixo aqui O que me fez pagar tão caro, em preço, Quanto ao ser-me legado eu transformei.         Maria João Brito de Sousa – 16.10.2010 – 16.20h  

O POEMA QUE O CORPO ME RECUSAVA

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  Se um poema dependesse só de mim E não desses milhares de variáveis Que se não sabe quando têm fim E que jamais se tornam dispensáveis,   Ou se escrevê-lo fosse sempre assim, Tão certo quanto os meus inevitáveis... Mas não! Erva que cresça num jardim Expr`imenta mil destinos improváveis...   Agora, neste alívio de proscrita Que aqui vai renegando o seu castigo, A tactear, como se se espantasse,   Deixo, enfim, um poema que acredita E que agora mostrou ser meu amigo Por muito que o meu corpo o recusasse...       Maria João Brito de Sousa

HUMANO

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  Humano, desse barro primitivo Com o qual fui moldado de nascença, Quantas vezes pergunto se estou vivo, Se é realmente minha esta presença   Humano ser, passível de fraquezas, Enfrentando os limites de quem sou, Penso, por vezes, vir das profundezas De um mundo qu`inda agora começou   Inquieto ser de gelo à beira-fogo, Correndo como os rios que atravessei, Subindo aos altos cumes do meu ser…   Se neste mar me afundo, se me afogo, Foi nele que, em sobressalto, me encontrei Quando era ainda tempo de escolher…         Maria João Brito de Sousa   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

A JUSTIFICAÇÃO DA SAUDADE

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  Vem-me da Lusa Mãe, este mistério Que, ao inundar-me a alma como um mar, Me deixa nesta condição lunar, Apanágio dos vates deste império...   Herdei do fácil verbo o ministério Das mil coisas que estão por inventar E esta introspecção, este sonhar, Que um dia há-de levar-me ao cemitério...   Esta alma lusitana que me invade, Preenche as mil lacunas do meu ser E faz justificar esta ilusão;   Se fomos criadores da tal "Saudade", Sejamos também donos do poder De transformar em "Causa" uma paixão.         Na foto - Minerva.

IN EQUAÇÃO

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(IN)EQUAÇÃO * Sou a soma de todos os momentos Que passaram por mim sem me matar Elevada à vontade de lutar Do mais rudimentar dos elementos.  * Recuso a submissão aos tais lamentos Que são, da poesia, o mais vulgar E faço a divisão do que sobrar Pelas parcelas nuas de argumentos *   Triângulo imperfeito, insubmissão Na explosão da palavra aleatória Em átomos que arranco ao que é comum,  * Serei sempre a aberrante inequação Da aritmética vã, contraditória, Em que o poema e eu somos só um. *   Mª João Brito de Sousa Abril, 2010 ***          

O EGO DESTRONADO

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      Não fora esta tensão, esta impaciência, Este ego destronado a flutuar Sobre as águas salgadas de algum  mar, Não fora a tentação duma insurgência…   Não fora esta estranhíssima apetência De nunca mais parar, de nem mostrar Esta saudade em mim, quase a chorar, Nas fronteiras da humana permanência,   Não fora este ego louco, imprevisível, Que me transporta a alma até ao fim Nos caminhos da terra, ou mais além…   Ah! Pudera eu ser menos (im)possível! Pudera a chama viva, acesa em mim, Ao apargar-se enfim, ser Eu também!     Maria João Brito de Sousa - 08.10.2009 - 14.58h      Imagem retirada da internet      

LAÇOS

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      Estes laços de sangue, ainda vivos, Que, ao romper-se, causaram tanta dor, São restos virtuais de um terno amor Que desconhece causas e motivos,   São laços já desfeitos entre os vivos, Quebrados, de repente, e já sem cor, Despidos, destruídos, sem vigor, Curvados, quando foram sempre altivos.   Não mais hei-de senti-los como dantes, Não mais me falarão das horas breves Das vidas que vivemos neste mundo   E os gritos que calei são  lancinantes, Mas foram-se mudando em coisas leves Que dormem no meu eu mais que profundo…     Maria João Brito de Sousa 07.12.2016  14.58h     Olá amigo(a)s,   A  reportagem que a RTP foi fazer a Cuba, sobre os tratamentos da pequena Ana Carolina Lucas foi NOVAMENTE ADIADA para terça-feira, dia 13 de Outubro . Deste vez o motivo é, na próxima terça-feira passarem um especial 'Amália' para comemorar uma década sobre o seu 'desaparecimento'. Espero que seja o último adiamento e peço desculpas por me estar a repetir... Passará na RT...

O PRAZER DA LEITURA

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          Eu lia! Eu lia muito, a tempo inteiro, Da noite ao dealbar de cada dia! Um bom livro era tudo quanto eu queria Pr`a transportar-me ao espaço derradeiro...   Um livro era o prazer que vem primeiro, O que me encheu de paz e de harmonia, Pois fazendo-me amar quanto aprendia, Era um mestre leal e verdadeiro.   Pobre de quem não saibe onde a leitura O pode transportar, pois já perdeu Um bem que não conhece, mas que existe.   Nós, os que tanto lemos - que loucura! -, Criamos asas como Prometeu; Quem teve asas pr`a ler, nunca foi triste!     Maria João Brito de Sousa - 02.10.2009 - 15.05h     Poetado para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt       SUGESTÕES DO DIA: http://trupe.blogs.sapo.pt/3074.html                                       - http://80anosdezeca.blogspot.com/            

NEGANDO O CONCEITO DE DESISTÊNCIA

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    Ante uma imposição de outra vontade, Nem sempre é preferível desistir, Recolher-se, aceitar deixar ruir Castelos de utopia e de verdade,   Mas aceitar, com calma e dignidade, Grilhetas temporárias, sem fugir E repousar , em vez de destruir,  De vez, o quanto em nós quer liberdade...   Seria bem mais cómoda a derrota Que negasse o trabalho de criar Eternamente mal compreendido   Mas melhor pode ser "fazer batota"; Não mais bater os braços, abrandar, Pr`a voltar com mais força... faz sentido!     Maria João Brito de Sousa - 01.10.2009 - 10.41h   Imagem retirada da internet         SUGESTÃO DO DIA: http://trupe.blogs.sapo.pt/3074.html     Outra sugestão - http://80anosdezeca.blogspot.com/  

CONTA-ME..

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Conta-me lá dessas segundas-feiras Que te chamavam pelas madrugadas, Dessas manhãs das horas empolgadas A correr pela sala, entre carteiras.   Fala das coisas mais aventureiras, Diz-me das aventuras mais magoadas. Conta-me lá das provas copiadas Pelas colegas que eram mais matreiras…   Conta-me do comboio à beira-mar, Das corridas, dos livros, das sebentas, Dos jogos do recreio, das conversas…   Conta-me do que já nem sei lembrar Porque as horas ficaram muito lentas E - custa-me dizê-lo… -   mais adversas…       Imagem retirada da internet   REPORTAGEM ADIADA - A reportagem sobre a ida a Cuba da pequena Ana Carolina, foi adiada para o próximo dia 6 , a seguir ao tele jornal da RTP. Vejam-na no programa 30 Minutos.

AS MIL E UMA VIDAS

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    Se eu tivesse mil vidas, quantas vidas, Dessas tantas, seriam mesmo minhas? Só mil seriam muito poucochinhas Para tantas palavras escondidas!   Palavras que só são reconhecidas Se alguém as encontrar pois, coitadinhas, Se ninguém perceber que estão sozinhas, Continuarão dispersas e perdidas.   Se eu tivesse mil vidas, cada uma Dessas palavras soltas que me encontram Haveria, por fim, de se encontrar.   Mas cada vida é única. Nenhuma Das vidas que uma a uma me confrontam, Me poderia achar sem eu deixar.         Maria João Brito de Sousa - 29.09.2009   Imagem retirada da internet     Hoje à noite, na RTP, a seguir ao telejornal, não deixem de ver e ouvir as novidades sobre a pequena Carolina Lucas e a sua -nossa- batalha por uma vida normal.

MARIA SEM CAMISA "N"

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      Maria-sem-Camisa, a tal camisa Pode fazer-te falta em vindo o frio… Se, acaso, tu sentires um arrepio, Pode ser só por causa desta brisa,   Ou pode ser que, sendo poetisa, Tudo te sintas melhor durante o Estio, Que a geada congele o velho rio Da tal rima que assim te caracteriza…   Tu veste-te, Maria! Arrefeceu E tu vais, com certeza, adoecer Bem mais do que já estás! Ouve o que digo!   Andando por aí de peito-ao-léu Arriscas-te, decerto, a nunca ter Qualquer noção de estares em grande p´rigo!   J  Imagem retirada da internet   NOTA - Lembram-se da pequena Ana Carolina Lucas? Amanhã, dia 29, a seguir ao telejornal da RTP, passará um breve documentário que nos falará dela e dos seus progressos na batalha contra a paralisia cerebral. Não percam!  

O MOSQUITO NA MESA DO CAFÉ

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      A culpa não é dele! É toda minha! Vem-me um medo irreal, que nem defino, Quando vejo um mosquito pequenino A pousar na cabeça da vizinha…   Eu grito, eu pulo como uma tontinha! Eu entro num completo desatino! Pode ser erro meu ou do destino Mas é mesmo a verdade – verdadinha!   Pousa um simples mosquito na parede… Eis-me numa aflição querendo fugir, Qu`rendo guardar distância desse ponto…   Perdi, já, toda a fome e toda a sede, Levanto-me num salto, estou “no ir”… Foge o pobre mosquito em voo tonto...     :)

A APOLOGIA DA VITÓRIA

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    Amigo, eu nem sei bem o que te devo, Se te devo, sequer, seja o que for… Sei que paguei em bagas de suor Cada alheia palavra que aqui escrevo.   Não sei se é nas palavras que me elevo Ou se nem delas eu posso dispor… Deixei p`ra outra as asas de condor, As charnecas em flor, o doce enlevo…   As minhas são de pomba ou de albatroz, Urbanas ou marítimas, modestas… Breves voos os seus, sem estro ou glória.   Trago, no sangue, heranças dos avós E, ao rir-me nestas horas mais funestas, Recrio a apologia da vitória…      Vitória de Samotrácia - Imagem retirada da internet    NOTÍCIAS - Proponho-vos uma visitinha ao http://trapezio.blogs.sapo.pt/95406.html   Nada como saber, em primeira mão, directamente do recém encerrado Bar da Nuvem, as últimas novidades sobre a "Gripá" ou sobre a "ASAI"...

A DANÇA!

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    Eu tenho mil certezas pequeninas… Mil dúvidas maiores me impedirão De tomar esta estranha decisão E dirigir-me a ti, que mo destinas.   Eu rodo e rodopio entre as meninas Numa dança encantada, de salão, E enfuno a minha saia de balão No vento solitário de mil esquinas…   Prudente ou imprudente… eu já não sei Se devo parar já, se rode mais… E deixo-me levar… que Deus me ajude!   Perdi a conta às voltas que já dei, Perdi o rumo aos Pontos Cardeais… Que louca, louca dança, assim me ilude!    

FAMÍLIA CÓSMICA

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      Astros deste universo, em cada céu Há outros intervalos por explorar E um cometa sempre a divagar Em busca do lugar onde nasceu.   Miríades de estrelas Deus nos deu, Miríades de sóis por encontrar Nesse espaço longínquo onde sonhar Nos leva muito além de Prometeu.   Lá longe, muito longe, onde é possível Imaginar o fim ao Infinito Onde infinitamente continua   O corpo da matéria perecível, Aonde até o sonho é interdito A nós filhos do Sol, irmãos da Lua…    Imagem retirada da internet        

HÁ POMBAS NO CÉU

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  Voam no céu, ebúrneas ou cinzentas, As pombas do pombal do bairro inteiro… Quero ver qual irá chegar primeiro Depois daquelas longas voltas lentas. Continuam voando e tu lamentas… Dizes: - Não há paciência nem dinheiro Que cheguem p`ra limpar tanto chiqueiro! Depois tentas mudar-me. Tentas, tentas… Recuso o bairro asséptico, sem vida, Que tens para of`recer-me se, tão só, Aceitasse essas regras que me impões… Há pombas neste céu. Fico rendida Olhando o bando alado e tenho dó De ti, das tuas pobres decisões…       Maria João Brito de Sousa     Às pombas das Palmeiras   Imagem retirada da internet

MONÓLOGO DO GATO VADIO

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Depois desta incerteza, que tristezas Virão ainda perturbar-me o sono Nas noites de luar deste abandono Das caçadas e de outras incertezas?   Não quero os ideais de outras grandezas! Repudio a ideia de ter dono E só Deus, lá no alto, é meu patrono! A Ele devo estes céus de horas acesas…   A Ele devo esta força que comanda, A cada movimento, o meu caminho E o pêlo de cetim com que me aqueço!   Por Ele esta existência, esta demanda E a glória de reinar, sempre sozinho, No espaço onde procrio e me abasteço!     Imagem retirada da internet  

COMPOSIÇÃO BUCÓLICA

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  Curiosa como um bando de felinos, A espreitar, imprudente, no jardim, Não se importava de ser sempre assim; Despojada, sem ordens, sem destinos...   No passeio, a brincar, estavam meninos Escondidos nos arbustos de alecrim E ela à brincadeira pôs um fim Atirando seixinhos pequeninos.   Fugiram as crianças debandando Como avezinhas tontas, assustadas, Sob a chuva de seixos que caía...   Ficou a curiosa, então, sonhando Com passarinhos de asas prateadas Saltitando na relva que crescia.     Imagem retirada da internet