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A mostrar mensagens de setembro, 2012

SONETO PARA SAUDAR OS AMIGOS QUE ME ACOMPANHAM

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Trago nas mãos o mesmo que tu trazes, Uns pós de um quase nada que não usas, Um punho, erguido aos dias mais audazes, E um punhado – infalível! - de recusas…   Grito nas ruas, escrevo-me em cartazes E exalto-me na cor de tantas blusas Que ninguém sonhará a quantos “quases” Reconduzo estas lutas inconclusas…   Devo, porém, dizer-te que fraquejo, Que, embora corpo e alma, o meu desejo Seria ir muito além do que consigo…   Que importa?! Ele surge sempre um novo ensejo; Se me parece pouco o que em mim vejo, Sempre há-de ser maior por estares comigo!       Maria João Brito de Sousa – 23.09.2012 – 19.14h

A JUSTIFICAÇÃO DE UMA FLOR

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Das pétalas me irrompe uma só pressa; Estender-me, transparente, intacta e pura, Entre outras flores que a morte não segura Antes que a Primavera se despeça…     Não sei se é pertinente, ou vos interessa, Que fale de quem sou, nesta loucura Em mim, tornada “eterna enquanto dura”, Mas que, em murchando, em mim se reconheça.     Interesse, ou não, só nela me defino! Sou ponte a florescer sobre um destino Que pode, ou não, ser meu… pouco me importa!     Persigo-me a mim mesma em desatino E só sei serenar se me imagino Comemorando a flor, depois de morta.       Maria João Brito de Sousa – 19.09.2012 – 21.03h

MOAXAHA - Para variar...

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AO ANIMAL CRIADOR QUE NOS HABITA     Amo as penas discretas dos pardais, Macias, leves, quase intemporais…   Amo a serena calma dos meus dias, Sem saudade, sem medo ou nostalgias, Repudiando humanas tiranias, Liberta já das cangas tão banais Do que se engendra em ciclos rituais   Devoro a manhã clara, as tardes mansas, Retorno à tal menina que usa tranças, Devolvo corpo e alma às simples danças Das coisas sem rotina, ocasionais, Que são espólio comum dos animais.   “O morto és tu, Lázaro! Surge et ambula!”     Citando António de Sousa em Mea Culpa, Mea Maxima Culpa – Livro de Bordo   Maria João Brito de Sousa – 13.09.2012 – 15.33h

UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha

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Eu, que tanto o pratico, sei tão mal As razões de voar do próprio engenho… Sinto que é muito meu, mas sei-o estranho E chego a acreditá-lo original… Por vezes, volitando, é um pardal Que por mim passa a ver quando o detenho, Sabendo que eu, sem asas, não desdenho Um timorato adejo ocasional… E logo as mãos me adejam no teclado Por causa de um pardal me ter tentado, Por obra de tão parca tentação Que é caso pr`a dizer que ter voado Tem sempre uma razão, sempre um “culpado” E as "culpas" nunca são da própria mão… Maria João Brito de Sousa – 05.09.2012 – 20.10h Imagem de pardoca, retirada da net, via Google

ESTE BICHINHO EM NÓS...

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Há sempre uma coragem que se inventa E outra que habita em nós, sempre a crescer; Uma que oferece a força àquele que tenta E outra que há-de tentar até morrer!   Há sempre um sonho mais que se acrescenta Ao rol daquilo que haja  pr`a fazer E um bichinho voraz que se alimenta Do que, antes, foi capaz de nos vencer   E há sempre uma certeza que nos move Dentro desta engrenagem sabotada, Que, às vezes, faz chorar, que nos comove,   Mas que em chegando a nós não pede nada Senão a força hercúlea que promove Assim que faz de nós sua morada...       Maria João Brito de Sousa – 01.09.2012 – 18.45       IMAGEM - Gravura de JOSÉ DIAS COELHO retirada da net, via Google