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A mostrar mensagens de janeiro, 2014

MÃO

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  (Soneto em decassílabo heróico)   A mão que esboça o verso, ampara a vida, Transporta o saco cheio, amassa o pão, Cava o torrão mais duro e, mesmo f`rida, Prefere a dor sentida a não ser mão,   Renasce a cada causa antes perdida E tece e fia e doba e faz questão De, sobre a tela pronta e já tecida, Lavrar, do próprio gesto, a criação.   A mão trabalha ainda, a mão persiste E até quando algemada ela se agita; Ou se livra da peia… ou lhe resiste!   Será por cada mão que não desiste Que a força de que o mundo necessita Justifica a razão que ao povo assiste!     Maria João Brito de Sousa – 29.01.2014 – 14.43h     "Cueva de las Manos" - Pintura Rupestre, Patagónia, Argentina

TENTANDO COMEMORAR - COM OS QUATRO DIAS DE ATRASO QUE AS CIRCUNSTÂNCIAS JUSTIFICAM - O SEXTO ANIVERSÁRIO DO "POETA PORQUE DEUS QUER"

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SONETO CON(M)SENTIDO     (Em decassílabo heróico)     A mão morre na praia, o gesto hesita E a voz vai-me cedendo às avarias Que minam quanta carne o estro habita, Um pouco mais e mais, todos os dias,   Porém, lembrando as horas mais sadias, Renegando essa dor em si se agita, Tenta o verso ir mantendo as ousadias E canta pr`afirmar qu`inda acredita!   Saudades? Já vou tendo, o tempo voa E voam, nestas rimas conquistadas Às horas em que a dor a carne arpoa,   As palavras que, embora maltratadas, Conseguem, nessa voz que em dor se escoa, Sonhar com quantas mais nasçam cantadas!         Maria João Brito de Sousa – 18.01.2014 – 13.51h   IMAGEM - "Solstício de Verão" (xilogravura) - Manuel Ribeiro de Pavia, 1942    

SONETO A UM NOVO/ANTIGO SONHO

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  (Em decassílabo heróico)   Eu trago um sonho antigo, omnipresente, Como um grito vermelho no meu peito Erguido contra a voz, que nunca aceito, De quem a torna infame ou prepotente! Mais alto elevo o sonho transparente, Mais longe o levo intacto e sem defeito, E é com el` que partilho o duro leito Que cabe a quem não sonha impunemente. Razões? Há tantas mil pr`a tê-lo aceso E tantas mais crescendo, a dar-lhes peso, Se ousamos ver a crua realidade De quem já descobriu, mesmo indefeso, Que um sonho, se for livre, é morto ou preso Tão só porque evocava a liberdade!       Maria João Brito de Sousa – 04.01.2014 – 18.16h   Reprodução de uma tela de Júlio (nome artístico de Júlio dos Reis Pereira, irmão de José Régio)