Mensagens

SONHOS E FILHÓS

Imagem
  SONHOS & FILHÓS * Memórias e Singularidades Da Casa do Dafundo * Quão pálida era a lua e longínqua era a voz Que chamava por nós na esquina dessa rua Em que o som desagua em rio sem mar nem foz... Junto de seus avós cresceu ardente e crua *   Quem hoje os perpetua em sonhos e filhós: Tudo passa veloz, tudo em paixões se estua, Mas nada desvirtua os que morreram sós, Fechados como a noz sobre a memória sua * O tempo não recua assim tão facilmente, Nem se rende a semente à mão que à terra a lança, Que a Vida, como a dança, acaba de repente * E quem bailar não tente ou rejeite a mudança, Enverga a desconfiança, amua descontente E invariavelmente a esquece enquanto avança. *                                                                  ©Maria João Brito de Sousa 20.10.2021 - 14.30 h * Soneto em verso alexandri...

GARANTO QUE CRESCI

Imagem
Eu e o meu pai no Jardim Botânico Fotografia de minha mãe * GARANTO QUE CRESCI *   Perdidamente amei, perdidamente cri Naquilo que perdi do tanto que encontrei E evoco o que não sei se vi ou se não vi Até que encontre aqui quanto aqui procurei. *   Tentando honrar a lei que não reconheci, Jamais lhe resisti, jamais a confrontei, Mas se pouco lhe dei, bem menos lhe pedi E se acaso menti, a mim me castiguei * Amo o chão que pisei, a terra em que nasci, A chama em que aqueci os sonhos que engendrei E as rimas que entrancei nas cordas que teci * Dos versos que escandi às telas que pintei, Do quanto gargalhei às mágoas que engoli, Garanto que cresci... E juro que gostei! *   ©Maria João Brito de Sousa 13.06.2020 – 17.39h ***   Soneto em verso alexandrino com rima entrançada

SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA

Imagem
  "A Tia" Tela de minha autoria * SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA ou PEQUENA ARTE DE CONTRADIZER FAMOSOS ou APOLOGIA DE UM ATREVIMENTO * (Em genuíno verso alexandrino) * Minha Musa rebelde embora talentosa, Pedir-te que jamais te afastes de quem sou É qu`rer guardar na mão uma manhã ventosa Ou ir roubar ao mar o sal que o mar salgou * Mas se és mera invenção - segundo o Abrunhosa... - E se só eu te sinto em mim ou se só estou, Terei que te negar embora estando ansiosa Por procurar em ti quanto de mim restou * Ah, sim, sei que o trabalho é mais do que importante E que sem trabalhar nada de bom se faz Mas sem sentir-te em mim de mim fico ignorante *   E escrevo à martelada ou quedo-me incapaz De escrever tanto quanto o fez o grande Dante Que nunca me deu mais do que o que tu me dás! * ©Maria João Brito de Sousa   * Sorrindo muito, às quinze horas do vigésimo terceiro dia do ano da graça de MMXXIII

A GRANDE PREDADORA

Imagem
  Eu Fotografia de António Pedro Brito de Sousa * A GRANDE PREDADORA *   Sacio-me no verbo! Sou, talvez, Do verso, o mais voraz dos predadores... As palavras, pra mim, são como as cores Que induzem em perfeita embriaguez *    Atenta, em cada som vejo uma rês Cujo troféu será prós editores, Que eu nunca quis matar ou causar dores A rimas que alvejasse... em Português *   Nas paredes da alma, os meus troféus Não perderam a vida na caçada: Ganharam o direito de existir! *   Quando os releio, sei que são só meus Mas devo partilhar esta coutada Com cada predador que a queira ouvir.  *   ©Maria João Brito de Sousa Fevereiro, 2008 *       .  

UMA ESPÉCIE DE PERFIL

Imagem
  Tela de minha autoria fotografada e digitalizada por ´ Vítor Martinez * UMA ESPÉCIE DE PERFIL  * Amigo, sou apenas poetisa, Noutras vezes pintora. É dote inato Pois de dentro me nasce o que retrato: Sou coisa que a si própria se improvisa *   Sou pobre como poucos, mas a brisa Vem sussurrar-me os versos que relato: Pode faltar comida no meu prato Mas sobra-me este vento que me avisa *   Este sopro (ir)real que engendra o verso E vai somando à música da vida O que me mata a fome, além do pão *   E assim brota de mim o meu inverso: Moldo, do nada, a coisa pressentida Na qual sacio mente e coração. * ©Maria João Brito de Sousa 11.02.08 - 10.00h UMA ESPÉCIE DE PERFIL  * Amigo, sou apenas poetisa, Noutras vezes pintora ...Um dote inato Pois de dentro me nasce o que retrato: Sou coisa que a si própria se improvisa *   Sou pobre como poucos, mas a brisa Vem sussurrar-me os versos que relato: Pode faltar comida no meu prato Mas sobra...

QUÍMICA(S)

Imagem
  A minha sala em 2008 QUÍMICA(S) * Eu canto os sons que andarem por aí, Que o mundo vai deixando ao deus dará E os pequenos fonemas que, por cá, Vão compondo as canções que já escrevi *   Mil olhos devo ter, pois não perdi Um átomo sequer de quantos há E a química, a seguir, combinará Nos versos que vos deixo por aqui... *   Há versos a pulsar por toda a parte À espera de um olhar que os possa ver E que entenda juntá-los, dar-lhes vida *   Numa combinação de engenho e arte: Há sempre mil razões pra se escrever Mesmo quando a razão andar perdida. *   ©Maria João Brito de Sousa   12.02.2008 ***

SINFONIA DA VIDA

Imagem
Fotografia de minha autoria *    SINFONIA DA VIDA *   No sereno horizonte da razão O verbo é o cometa que procuro, Astro-menino em rota de ascensão que um dia alcançará porto seguro *     Melodia do tempo em vibração, Vislumbre ou pauta etérea do futuro... Se o mundo continua a ser canção, O homem nem o sabe, porque é surdo! *   Voz de Deus ou matéria mais sublime Em revoada de asas de andorinha, Canta a chuva na água que a redime *   Os rouxinóis encantam, à tardinha, E todo este planeta canta e exprime A sua gratidão, que é como a minha. *   ©Maria João Brito de Sousa     03.02.2008 - 15.13h                                                                               ...