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SE ME FOR DADO CRER

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  Imagem gerada pelo Chat-GPT * SE ME FOR DADO CRER * Se me for dado crer, que seja assim que creia: Que a dor que me cerceia esta ânsia de viver Me não deite a perder o fio de cada ideia, Que me não falte à ceia o pão para comer * E que enquanto viver, embora gasta e feia, Castelos sobre a areia alcance ainda erguer Nos quais me recolher a cada maré cheia Do mar quando se alteia em vagas, a crescer * Caso assim possa ser, que quanto me rodeia Me seduz e me enleia enquanto eu cá estiver, Não pare de acender a luz que me norteia * E que não seque a veia, a tal que ousou tecer No tear do dever, a rubra, imensa teia Que no meu estro ondeia enquanto escolha houver. *   ©Maria João Brito de Sousa 14.06.2020 *** Soneto em verso alexandrino com rima entrançada *

O POETA DE LISBOA

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 O Velho Guitarrista Pablo Picasso * O POETA DE LISBOA *   Falou-vos de canoas e varinas, De marchas, manjericos e pregões, Contou-vos do seu mar, das orações, Das velhas conversando nas esquinas *   Contou-vos das tabernas e cantinas, Do fado, das guitarras, das canções, Das palavras acesas, dos jargões Na voz mal afinada dos ardinas *   Falou-vos de Lisboa, das colinas, Das vielas, da Sé, das procissões, Das causas e razões mais pequeninas *   Que irão ultrapassando as previsões, Dos bares e das noitadas com "meninas", Dos homens, das mulheres e das paixões! *   ©Maria João Brito de Sousa 07.11.2008    

TERCEIRO AUTO RETRATO

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                                                                            Fotografia de Abel Simões * TERCEIRO AUTO-RETRATO * Meu porte de cantiga por cantar, De ideia inacabada e já nascendo Uma outra ideia ainda por esboçar No poema que fui e que vou sendo  *   Castelo de ilusões em tom lunar, Satélite do mundo em que me centro: Se todas as janelas dão pr`o mar, Todas as portas abrem para dentro! *  Meus olhos, onde a pátina do tempo Tornou mais negro o negro do carvão, Sabem de cor a dor e o sofrimento  * Mas calam, bem calado, o seu talento De verem muito mais que outros verão Quando o olhar vagueia desatento  *   ©Maria João Brito de Sousa   18.02.2008 - 14.10h

UM CANTEIRO DE POEMAS

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Fotografia de Luísa Ribeiro *   UM CANTEIRO DE POEMAS *   Ambiciono bem mais do que dinheiro! Ostentações do mundo? Não as quero, Nem jamais entrarei em desespero Enquanto houver poemas no canteiro *   Pois se cultivo o verso a tempo inteiro, Sou feliz por saber que mais não espero E tudo o que fizer, farei com esmero, Como se cada um fosse o primeiro *    E sei que sou mais rica do que os ricos, Porque bem mais produz a minha mão No cultivo de quanto me é preciso: *   As riquezas do mundo são salpicos Ao pé deste canteiro onde o meu pão Desponta dos poemas que improviso. *     ©Maria João Brito de Sousa  08.02.2008  

UM CASTELO DE AÇUCENAS

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  UM CASTELO DE AÇUCENAS * Na paz de Deus embalo os meus poemas E desse não sei quê que vive em mim Vem-me uma lucidez que não tem fim E é, no fundo, a razão das minhas penas *   No som que delas vem, ergo as empenas Do castelo em que abrigo o meu jardim De versos cujas rimas de cetim Bordei letra por letra. E são centenas! *   No pátio dos poemas que eu herdei, Na paz que o verso em mim quis delegar, Vi florescer nas tardes mais serenas *   O pomar dos poemas que criei... Eu, que mendigo um pão pra mastigar Do alto de um Castelo de Açucenas. *   ©Maria João Brito de Sousa   17.02.2008 * In Poeta Porque Deus Quer  Autores Editora, 2009  

VESTIDO DE MENINA

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VESTIDO DE MENINA *  Da seda, branco linho, ou do tobralco De um poema nascido de outro alguém, Ficou-me imagem breve, aqui e além, De panos recoberta, como um palco . E chega-me um cheirinho a pó-de-talco, À cânfora, que usava a minha mãe, E à arca de pau-preto que ninguém Sabe ir escondendo anseios que recalco... . Vão ficando, indeléveis, na memória Palavras de cetim, ou de algodão De mui branda textura feminina   Que despertam, de forma aleatória, Ao toque da varinha-de-condão, Lembranças de um vestido de menina. *   ©Maria João Brito de Sousa 05.05.2008 - 12.58h . A um poema recitado na Galeria Verney por uma poetisa da APP.   

EU, POETA PORTUGUÊS

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  EU, POETA PORTUGUÊS   Eu tenho o nobre toque das areias Do meu pequeno-imenso Portugal E vivo em transparências de cristal S obre uma estranha fome de alcateias *     Eu, esboço de tritões e de sereias Num traço decidido, horizontal, Renasço, para o bem e para o mal, Da cópula carnal de mil ideias... *   Aqui cresci! Castelo em construção De um sonho e da raiz de uma ilusão Na qual naufraga um mar todos os dias,  *   Descrevo-me em longínquas caravelas, No sol, na lua e nos milhões de estrelas Em que a dor espanto, à força de ironias. *     ©Maria João Brito de Sousa   05.06.2008 - 11.56h ***