CANTA-ME UM FADO
Fotografia de Moira, 2026 * CANTA-ME UM FADO * I * Canta-me um fado louco e rouco e tosco Ao som de uma guitarra há muito gasta, Num beco antigo e sob o brilho fosco De uma gambiarra à porta de uma tasca * Canta-me um fado enquanto em ti me enrosco Pra me esquecer do pouco que me basta, Um que venha depois viver connosco E seja um genuíno fado rasca! * Canta-me um só de quantos nunca ouvi Que mostre o que ganhei, o que perdi E me faça sorrir enquanto choro * Um que dê voz aos meus sonhos traídos E devasse os sentidos proibidos De quanto não vivi e que hoje ignoro * II * Não peço que me seja dedicado, Baste que chegue até ao meus ouvidos Em tom boémio ou triste e tão magoado Que os acordes me soem a gemidos * Vá lá! Canta-me um fado sussurrado Que seduza os meus versos mal medidos, Que me desminta os sonhos tresloucados E me traga de volta os já perdidos * Um fado nado numa velha rua Que uma viola parisse à luz da lua, Sem pressas nem cuidados nem parteira * Nascido pra amar ou pra morr...