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A mostrar mensagens de julho, 2021

SILÊNCIO II

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SILÊNCIO II *   Silêncio! Nem protestos nem queixumes Soltam os versos mortos insepultos; Perdem-se nos desertos dos ocultos As aves desgarradas, quando implumes. * Não há escudos pra espadas de dois gumes Nem há contra-veneno para insultos E o meu silêncio nunca paga indultos Nem serve a desistência em que o presumes * Arranco um verso ao prazo ultrapassado De um mísero estertor dos meus sentidos Que a ferro e fogo foi reconquistado * E já perdi a conta aos que, perdidos, Deixei ficar pra trás... Ah, naufragado, No teu silêncio afogo os meus gemidos! *   Maria João Brito de Sousa - 25.07.2021 - 13.22h   *   Fotografia de António de Sousa, meu avô poeta https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_de_Sousa_(poeta )

MAR REDENTOR

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MAR REDENTOR * Só o mar que do mar nunca volta É do rio tanto cais quanto fonte E na onda que em espanto se solta Ergue um muro e também uma ponte * De água azul e de espuma revolta Entre mim e o longínquo horizonte, Essa linha amovível que escolta Cada além que ao meu sonho confronte * Quando a onda nas rochas quebrando Vem dizer-me que o mar ora é brando, Ora em fúrias e raivas se exprime * Digo a medo ou apenas segredo Que deixei de ter medo do medo E que o mar mesmo irado redime. *   Maria João Brito de Sousa - 04.06.2021 - 09.40h *    Fotografia de Nuno Fontinha  

OUSADIA

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OUSADIA * Como é precária a nossa eternidade, Ainda que a julguemos ser sem fim, Nós, folhitas caducas do jardim Da nossa muito humana veleidade... * Nem Cronos, incorpóreo, cuja idade Jamais foi calculada, entende assim Eterna a duração do seu festim E infindo o seu reinado de deidade... * Será loucura ousar falar por ele Ainda que o mal saiba definir E nunca possa, eu, vestir-lhe a pele? * Quão ousada serei por presumir Saber das mil razões que são só dele E que nem mesmo ele ousa assumir? *   Maria João Brito de Sousa - 03.07.2021 - 13.57h  

SONETO DE AMOR

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SONETO DE AMOR *   Como julguei eterno o teu sorriso E doce como mel senti teu beijo; Se eterno e doce fora o teu desejo, Ter-te-ia oferecido um paraíso... * De ti, colhi bem menos que o preciso... Ah, pudesse um de nós ter tido ensejo De mudar, por inteiro, o curso ao Tejo No tempo de uma vida e sem aviso... * Soubesse eu transformar um sofrimento Mais desconforme do que uma montanha No passe da magia de um momento *   Em nuvem passageira e vaga e estranha... Mas não o soube e, agora, não lamento Ter deixado passar paixão tamanha. *   Maria João Brito de Sousa - 01.07.2021- 12.45h  

PENEIRO DUZENTOS

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PENEIRO DUZENTOS *   Não é, a perfeição, uma entidade, Mas um conceito abstracto e relativo Criado pela própria humanidade Que nele encontra, ou não, um objectivo. * Ao prosseguir na busca da verdade, Tudo faço passar plo fino crivo Da intuição e da objectividade Que tão mais prezo quanto mais cultivo * Nesta labuta, neste meu garimpo, Cada razão tentei tirar a limpo E a todas tentei ver com nitidez... * Há porém tantas, tantas perspectivas, Que, às tantas, tornei largas, permissivas, As malhas do peneiro que em que me vês... *   Maria João Brito de Sousa - 30.06.2021 - 13.55h * Ao engº Alberto Rodrigues