UM SONETO PARA FRIDA
UM SONETO PARA FRIDA Era Frida, não eu, quem se pintava No aço do colete que a sustinha E muito mais do que eu, Frida chorava Porque mais do que eu estou, estava sozinha. Travando a mesma luta que ela trava, Pra ela escrevo, porque à dor que é minha Descrevi-a, gritando que bastava Ouvi-la transformar-se em ladainha, Quando sinto não ser nenhuma escrava, Nem jamais aspirei a ser rainha De reino algum, do verso, ou da palavra. De Frida falo. O resto se adivinha No mesmo aço da dor que a atormentava E, em mim, se torna coisa comezinha... Maria João Brito de Sousa – 08.06.2018 – 14.23h