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ESTE ESPAÇO ONDE TRABALHO...

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Não. Não é o espaço que a fotografia deixa vislumbrar... ali nascem muitos dos meus poemas, mas só aqui, neste outro espaço, eles são preparados para navegar na blogosfera, para chegarem até à Fábrica, até vós... Este outro espaço é rectangular, claro e m uito mais espaçoso... À minha frente há um computador, é evidente, ou não estaria assim, tão "em directo" convosco. Um computador e uma longa mesa dividida que se prolonga em direcção à minha esquerda até perfazer mais dois nichos de trabalho, cada um com o seu equipamento informático. Imediatamente a seguir vem um biombo verde garrafa onde foram colados alguns cartazes. O último deles é do Glue, dos Da Weasel. Leio com atenção o que está escrito sob a sua imagem: A VIOLÊNCIA É UM CICLO.                      TU PODES QUEBRÁ-LO. sigo além da mensagem e o meu olhar encontra um estante cor-de-laranja onde está a nascer uma nova biblioteca. Sorrio-lhe com todo o carinho que dedico às coisas novas e bem-vindas e continuo a passea...

AUTO-RETRATO II

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Há versos que nem sei quem os criou Porque eu sou, afinal, um instrumento Que escreve alheio a quanto desalento A vida deste mundo o condenou...   Assim sendo, escrevendo é que me sou E faço da palavra o meu sustento. Este poema é fruto e alimento Do corpo da palavra em que me dou...   Sei que digo a verdade, que não minto! Aquilo que foi dito... dito está! Este instrumento "Eu" é compulsivo...   E não sei ficcionar. Digo o que sinto! Palavra? Nunca sei quando virá Nem mesmo sei dizer porque motivo...     "Escorço - Grande Pintora a Lápis de Cor" (pormenor)   Maria João Brito de Sousa, 2007  

ALGUÉM QUE NADA VÊ OU QUE NÃO PENSA...

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Ó Mundo, eu nada sou! O Mar que o diga, Que te fale dessoutras madrugadas, Das tardes colorindo, em desfolhadas, As notas terminais de uma cantiga...   Mas, mesmo nada sendo, eu sou amiga! Percorro este meu Céu de horas doiradas, Dispenso os aviões e auto-estradas (e, noutras relações, detesto intrigas!)...   Vês, Mundo? Eu sou assim, conforme digo! Não quero a fama vã, não temo o pr`igo E moro numa casa tão imensa   Que tu cabes lá dentro (e à vontade!) E se alguém o negar é por maldade! É alguém que não vê ou que não pensa...     Fotografia da minha sala-atelier num típico dia de trabalho.

PARADOXO

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Um poema a erguer-se como um muro Diante do meu corpo aprisionado, Que me fala do mundo e do pecado E depois, como escopro abrindo um furo   Na muralha que ergueu, rasga o futuro Que num deslumbramento iluminado Me arrasta a alma inteira e, descuidado, Me deixa esta ilusão de anseio puro...   Tão paradoxalmente fascinada Me deixa este poema sedutor, Que não quero negá-lo sem saber   Que secreta magia assim gerada Poderá, de uma vez, trazer-me dor E dar, logo a seguir, tanto prazer...     Maria João Brito de Sousa - 18.08.2008 - 12.53h     Imagem - "O Último Anjo de Maria"                  Acrílico e Pastel de Óleo s/ prancha                  100x70cm                  Maria João Brito de Sousa, 1999