PENAS...
(Soneto em decassílabo heróico) Eu tenho tanta pena de ter pena Do tanto que vou vendo destruído, Que chego a deduzir que ser serena, Se despiu de razões, perdeu sentido, Pois mais sentido faz razão pequena Que nem sequer conceba haver perdido Razões que são da pena a razão plena De nunca as ter sonhado, ou concebido, Mas... pena de mim mesma? Coisa obscena! Que fútil, ou que inútil terei sido Durante esta jornada, nunca amena, Pr`a tê-la de mil penas preenchido? Pergunto, olhando o Nada que hoje acena A Tudo o que me coube ao ter nascido... Maria João Brito de Sousa - Março, 2016 In A CEIA DO POETA - (inédito)