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A mostrar mensagens de junho, 2023

NOTÍCIAS - 26.06.2023

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A todos os amigos e camaradas  Cheguei do HSC e estou viva, embora demasiado exausta para poder agradecer os vossos comentários.  Não sei se amanhã já me sentirei capaz de retomar as reedições mas prometo tentar. Um grande abraço para todos vós! 

NOVE ANOS POR AMOR MOLDEI; ESCULPI...

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Peça da autoria de Jorge Vieira   NOVE ANOS, POR AMOR, MOLDEI, ESCULPI... * Nove anos, por amor, moldei, esculpi, Mil formas dei ao barro da palavra: Nove anos, sol a sol, servi, qual escrava, A vontade do barro em que nasci * Nove anos, por opção, não desisti Dessa labuta que por mim clamava E nove anos a fio sobrevivi Dos parcos frutos que esse ofício dava... * Por outros nove, ou mais, resistiria Se esta vida tão só mos concedesse: Mais nove vezes nove os moldaria * No barro da palavra... se pudesse, Pois quem do barro vive, em barro cria O que da mente emerge ou alvorece. * Maria João Brito de Sousa 23.06.2016 ¨¨¨¨¨¨¨¨  Peça da autoria de Jorge Vieira

POEMA À PRIMEIRA MULHER II - Reedição

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POEMA À PRIMEIRA MULHER II * Imaculada, afirmo o que não devo: Preencho a escura cova do meu fim Com quanta flor semeie num jardim Quimérico, insondável e primevo… * Ingénua, sem sonhar que me descrevo À luz do que mais puro existe em mim, Não fora o escuro abismo ser assim, Profundo - tanto mais quão mais me elevo… - * Talvez soubesse projectar-me toda Nos sonhos que me orbitam numa roda Que aspira à mais perfeita identidade * Mas, finalmente, o germe do real Corrompe a carne preservada em sal, Desponta e vem-me impor toda a verdade. *   Maria João Brito de Sousa 20.06.2014 - 16.33h *** NOTA – Soneto recriado a partir do soneto original “Poema à Primeira Mulher” in Pequenas Utopias, Corpos Editora, 2012 Imagem- "As Três Idades do Homem", Hans Baldung Grien

DESLEIXO - Reedição

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DESLEIXO * Soneto que me nasça por favor, sem essa rebeldia indefinível dos versos que se esculpem por amor na sequência de urgência irreprimível * Bem pode ostentar forma e ter rigor, Porém não terá "garra", essa indizível, que o tempera, o reforça, dá vigor e é, no fundo, o que o torna irrepetível * Mas que posso fazer contra a vontade, transformada em rotina involuntária que me exige um soneto? Aqui o deixo, * Sabendo que ajo mal pois, na verdade, por capricho tornei-me, a mim, contrária e em vez de excelência urdi desleixo! * Maria João Brito de Sousa 17.06.2010 – 09.26h ***

ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO - Reedição

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"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!" Machado de Assis * ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO *   Gosto de cactos verdes e espinhosos, E até de rosas vaidosas e nobres... Nos mundos ideais - sonho dos pobres! - Finto sem medo maciços rochosos, * Mostrengos gigantescos, tenebrosos, - dos que não vergarão por mais que os dobres - E a todos vou metendo em meus alfobres Transmutados em nuvem, vaporosos... * Aqui termino o breve devaneio E assumo que há mostrengos que receio Ou que as rosas me ferem se algum espinho * Dos muitos que por vezes manuseio, Na carne se me crava, mesmo em cheio, Até que o sangue escorra, vermelhinho. *   Mª João Brito de Sousa 15.05.2022 - 15.50h *** Soneto concebido para um desafio de temas no Horizontes da Poesia

SONETO À MINHA LOUCA; LOUCA INSPIRAÇÃO - Reedição

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Mulher em Molho de Luar - M.J.B.S., 1999 * SONETO À MINHA "LOUCA, LOUCA, INSPIRAÇÃO" * Venho tarde e más horas porque venho de um momento lunar que desconheces no despontar da teia em que te teces há mais do que a noção que tens de antanho * Se firo, como chaga ou corpo estranho alheada do tanto que padeces, é por puro desdém das gastas preces que te confesso já, nego e desdenho! * Matéria, anti-matéria… o que me importa se, ao ser razão, de ti me quedo absorta pr` assombrar-te depois, sem mais razão * E sempre que me julgas muda ou morta te invado ao arrombar a férrea porta que usaste pra fechar-me o coração? *   Maria João Brito de Sousa 18.12.2012 - 02.47h ***

AMOR E DOR - Trilogia

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"Amor e Dor", Edvard Munch   AMOR E DOR * Trilogia * AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE *   Chegando ao Ararate, Amor e Dor, Sentaram-se, cansados da jornada. Olhando o Monte, a Dor ficou sanada E, de contente, quis curar Amor: *   Repara, Amor, que eu estava bem pior Antes de iniciar a caminhada, Que olhei o Monte e foi-se-me a pontada E sinto despontar força e vigor! *   Vem ver, para que o mal nunca te chegue, Para que a praga, ao ver-te, se te negue, E não possa haver peste que te mate! *   Ouviu-a, Amor. Olhou. Perdeu-se olhando. Voltou sozinha a Dor, de dor chorando Por se perder de Amor no Ararate. * Maria João Brito de Sousa 10.05.2018 ***   AMOR E DOR II. * Amor e Dor, brincando se entrechocam E enredam-se num fio que acaba em nó... Até então Amor vivera só E Dor, lá nas lonjuras que se evocam. * Moram juntos agora e, mal se tocam, Sentem um pelo outro um mesmo dó: Amor, que era imortal, desfaz-se em pó E Dor sucumbe à dor que os nós provocam. * Nesta paradoxal (des)un...

A QUEM SOUBER OUVIR O (EN)CANTO DOS PARDAIS

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A QUEM SOUBER OUVIR O (EN)CANTO DOS PARDAIS * Aos mortos nos covais e aos que estão por vir, Aos que estão a dormir, aos que nem dormem mais, Aos troncos verticais dos cravos a florir E a quem souber ouvir o (en)canto dos pardais, * Aos rios nos seus caudais, aos montes por subir, Às pedras por esculpir, aos mestres geniais, Às infracções verbais, aos versos por escandir E à morte que há-de vir porque somos mortais: *   O poema é uma aventura incerta e fascinante Que ninguém nos garante, infinda descoberta, Quase uma fresta aberta ao gesto vacilante * Do que ainda hesitante ousar o que o liberta Porque a fresta desperta o que o levara avante Naquele exacto instante em que ele a dá por certa. *   Maria João Brito de Sousa 17.06.2020 - 12.31h *** Em verso alexandrino com rima duplamente encadeada

NÃO ME PEÇAS PRA SER QUEM NÃO SOU

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"O Triunfo da Revolução", Diego Rivera   NÃO ME PEÇAS PRA SER QUEM NÃO SOU * Não me peças pra ser quem não sou, Nem me colhas, de ramo enxertado, Um só fruto dos frutos que dou Sem que esteja polpudo e dourado * Tão maduro do sol que o dourou Que se of`reça aos teus lábios, ousado, Sem pôr culpas na mão que o cortou, Nem remorsos por tê-la tentado! * Não me fales de medo! Não cedo A caprichos e sedes tão poucas! De outra sede fecunda procedo * E se as sedes que trazes são loucas, Também esta que cresce sem medo Expressa a sede de muitas mais bocas. *   Maria João Brito de Sousa 23.04.2016 - 22.09h * Soneto em verso eneassilábico ***

PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL - Reedição

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Gravura de Pieter Bruegel (o velho) * PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL * Amo o azul do mar, o verde da planura E quanto da lonjura alcança o meu olhar: Serei escrava de um lar que no mar se procura Enquanto esta loucura assim me cativar * E, sem me rebelar, nem franca, nem perjura, Ainda que imatura aceito este invulgar Destino de varar um mar que só me augura Os ventos da ventura em que hei-de naufragar... * Ao longe, pedra e cal, brilha um velho farol, Branco como um lençol que foi tecido em sal E se me saio mal porque um raio de sol * Derrete e faz num fole esta rota ideal Na colisão plural dos estros sem controle, Pende, do meu anzol, um peixe virtual! *   Maria João Brito de Sousa 15.06.2020 - 16.09h * Soneto em verso alexandrino com rima duplamente encadeada *  

MAR REDENTOR - Reedição

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Fotografia de Nuno Fontinha * MAR REDENTOR * Só o mar que do mar nunca volta É do rio tanto cais quanto fonte E na onda que em espanto se solta Ergue um muro e também uma ponte * De água azul e de espuma revolta Entre mim e o longínquo horizonte, Essa linha amovível que escolta Cada além que ao meu sonho confronte * Quando a onda nas rochas quebrando Vem dizer-me que o mar ora é brando, Ora em fúrias e raivas se exprime * Digo a medo ou apenas segredo Que deixei de ter medo do medo E que o mar mesmo irado redime. *   Maria João Brito de Sousa 04.06.2021 - 09.40h * ** Soneto em verso eneassilábico

MARAVILHA

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MARAVILHA O meu conceito de... * Porque a realidade maravilha Se se nos abre em todo o seu esplendor, E arrebata, porque em nós fervilha O sangue ardente do pesquisador * Que ao acender a luz que tanto brilha Vai afastando a treva em seu redor, Assumo-me inteirinha enquanto filha, Não de quanto sonhei, mas do que for! * Sempre que isso acontece e me arrebata Dá-me, da maravilha, a forma exacta E aponta-me o caminho da verdade * Mas, se um segundo o esqueço, um lapso imenso Conduz-me ao limbo róseo mas pretenso De quem despreza a própria identidade *   Maria João Brito de Sousa 29.05.2018 – 10.41h *** Soneto ligeiramente reformulado

GENETICAMENTE INSPIRADO

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GENETICAMENTE INSPIRADO * Vou pincelando, a ocres e vermelhos, Este soneto oval que me fascina E engano os meus anseios de menina Numa ressurreição de cacos velhos * Desminto a evidência dos espelhos! Deste enlevo renasço, pequenina, Crescem-me asinhas de feição divina E fico invulnerável a conselhos * Pois moldo, pinto, engendro a "obra-prima" Que vou solicitando aos meus sentidos Sem que jamais me sinta arrependida * E, a cada segundo, o que me anima É toda a profusão de coloridos Que há nesta sensação de criar vida! *   Maria João Brito de Sousa 31.01.2008 - 10.15h *** In Poeta Porque Deus Quer Autores Editora, 2009 ***

DESOBEDIÊNCIA

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DESOBEDIÊNCIA * Se se me impõe escrever, mais do que respirar e se o não consumar me faz adoecer Sem chegar a saber se me posso curar Da dor de me calar, do mal de não esquecer * Venha quanto vier, tudo irei registar Nas noites de luar, se acaso me aprouver, Ou, se escolher puder, sob o sol de rachar Das ondas do meu mar quando a maré crescer * Mas se a lua nascer e o manto lunar Vier aconchegar o meu adormecer, Vou desobedecer só pra contrariar * Morfeu que vem espreitar meu sono de mulher... Hoje, Morfeu, vou ser capaz de te ensinar, Poder-me-ás calar, mas só quando eu quiser! *   Maria João Brito de Sousa 08.06.2020- 12.26h * (Soneto em verso alexandrino)

O HOMEM NÃO PENSA NO MEIO AMBIENTE - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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O HOMEM NÃO PENSA NO MEIO AMBIENTE * Coroa de Sonetos Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * O homem não pensa no meio ambiente Anda tresloucado vive a vida a sós Não faz como outrora, como seus avós Que no seu conjunto era diferente * Cuidavam dos corgos da água corrente Que corria calma depressa ou veloz Sem poluição até chegar à foz Clara e cristalina a brotar da nascente * No solo havia plantas a crescer Nas suas entranhas lesmas, minerais Lobos e doninhas cobras a correr * A ecologia flores animais O homem vivia sem os ofender Que os actos de agora sejam tais e quais * Custódio Montes 5.6.2023 *** 2. * "Que os actos de agora sejam tais e quais" Mas como se agora se apela ao consumo E se é impossível mudarmos de rumo Porque todos qu`remos ter mais, mais e mais? * Se nesta "aventura", sendo racionais, Da Terra bebemos o sangue e o sumo Esquecendo, o sistema, que vamos a prumo Mordendo o anzol, porque somos mortais... * No fundo, no fundo, toda esta armad...