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A mostrar mensagens de agosto, 2012

SONETO PARA MARCHAR, MARCHAR!

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  Sigamos, mesmo sós, fincando o pé, Erguendo o punho acima do poder, Impondo aos sortilégios da maré Esta vontade infinda de vencer!   Ergamos, libertária, a nossa fé Sobre os que estão cansados de saber Que conduzem o povo em marcha-a-ré, Alegando que assim teve de ser!   Vai-se fazendo tarde e não é hora De procurar caminhos menos duros Pois sempre que um de nós gritar; - Agora!   Saberemos que o dia não demora E, mesmo por carreiros inseguros, Havemos de ir aonde o sonho mora!       Maria João Brito de Sousa – 28.08.2012 -15.52h     Imagem retirada da internet, via Google

SONETO PARA... MORDER!

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  (...mordido em decassílabo heróico...)     Em verdade só sou quando me dou, Assim que sol e mar fervem cá dentro Transmutando-se em corpo e alimento Do poema/animal que me habitou…   Palavras, coisas vivas que se comem, São frutas que se oferecem se as procuro Numa fome perpétua que não curo Enquanto outras palavras me não domem   Mas é por esta língua, a que pertenço, Que sinto, que, por vezes, também penso, Que mordo, como tantos animais,   Sem medo do momento insano, intenso, Em que abocanho um verso… e quase o venço Esquecendo a derrocada dos demais…         Maria João Brito de Sousa – 23.08.2012 – 19.19h

JOGO DE XADREZ NUMA TARDE CHUVOSA

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  O jogo recomeça… a tarde escura Ameaçando chuva, o vento uivando… Enquanto observo a rua, o céu, chorando, Renova-me as fraquezas já sem cura…   A chuva, gota a gota, já perfura O abrigo que me estive improvisando Até que inteiramente o vai molhando E dissolvendo a frágil cobertura…   Recolho o tabuleiro. A noite chega… Mais gota, menos gota, eu acredito Que a chuva possa ter o estranho fito   De dissolver tão só quem se lhe nega… (se desisto de um jogo, assim, perdido, jogá-lo nunca fez qualquer sentido…)       Maria João Brito de Sousa – 14.08.2012 – 20.44h     IMAGEM RETIRADA DA NET, VIA GOOGLE  

CAPITALISMO - Soneto de Onze Sílabas Métricas

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  Sobram-lhe as migalhas dessoutra fartura Que o sistema cria, que o cinismo inventa, Do pouco que fia mas que o não sustenta Porque se alimenta só de “dita”… e “dura”,   Sobejam-lhe as rendas da falsa candura Que, qual maré alta, num crescendo aumenta Pr`adornar uns quantos, porque a “plebe” aguenta Os desequilíbrios desta arquitectura.     Se contra mim falo porque uma injustiça Tudo o que não calo foi trazendo à liça E, pouco fazendo, tão pouco produzo,   Levanto o meu punho como se o fizesse! Mais saudável fora, mais força eu tivesse, Mais protestaria contra os tais que acuso!         Maria João Brito de Sousa – 02.08.2012 – 15.58h       IMAGEM -  Blind Man`s Meal - Pablo Picasso, 1903   Soneto hendecassilábico