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A mostrar mensagens de dezembro, 2017

BOM ANO, BOM ANO!

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  BOM ANO, BOM ANO! * Bom ano, bom ano!, por tudo e por nada, sorrindo encantada desejo um bom ano, melhor, mais humano porque desvendada a rota enganada do meu desengano... * Bom ano, bom ano! Que o seja à chegada da noite marcada por todo este plano que sempre é sob`rano e, nos mapas traçada, vem bem orquestrada por mão de tirano... * Bom ano pr`a vós e também para mim! Que belo festim, o dos dias por vir, noites pr`a dormir e manhãs sem ter fim... * Será mesmo assim, ou terei de admitir, que o quero é sentir e só digo que sim pra “noutro latim” não ter de o desmentir? *   Maria João Brito de Sousa- 30.12.2017 – 12.23h     (Soneto em verso hendecassilábico e rima encadeada)     NOTA - O bom ano que vos desejo é do fundo do coração!!! Este soneto é que é para ser lido e pensado em termos mais latos. Peço desculpa por vos tentar fazer pensar um pouco mais profundamente, numa data tão festiva...

... E QUE O DIA NASÇA!

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  … E QUE O DIA NASÇA!     (Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)     … e que nasça o dia depressa e sorrindo, Que é sempre bem-vindo quem saiba sorrir E enquanto eu dormir não sei quem vem vindo, Se é feio, ou se é lindo... só sei quando o vir.   Virá pr`a se abrir, ou virá se cobrindo De um cúmulo-nimbo que o tenta encobrir? Não sei descobrir que manto o vai vestindo, Mas nunca prescindo de o querer pressentir   Antes da surpresa que chega ao romper Do que me couber desse dia nascendo No suave crescendo de um amanhecer...   Escolha o que escolher, estou sobrevivendo E sei que os vou tendo sem mais pretender Que um dia a nascer de uma noite morrendo...       Maria João Brito de Sousa – 29.12.2018 -15.29h    

DEIXAI QUE A NOITE ENTRE...

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    (Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)   ***   Deixai que a noite entre, que eu morro de sono E em doce abandono me entrego a Morfeu, Que, tal como eu, nunca ousou ser meu dono, Só dono do sono que me adormeceu     Num berço só meu, neste suave abandono... Se abuso e ressono, que o faça só eu Na noite de breu em que ao dia me abono Se embarco sem dono, sem sonhos, sem véu,   Nem medo escusado das coisas do escuro; Não sei que futuro, mas trago um passado E ao que houve de errado tornei já seguro   Pois, saltando o muro, deixei-o de lado, Perdido, olvidado. Amigos, vos juro Que o meu sono é puro, nunca amargurado...         Maria João Brito de Sousa – 28.12.2017 – 13.59h       Na sequência do soneto “Deixai que a Noite Entre!” de Maria da Encarnação Alexandre (MEA)   Imagem -"Le Berceau", Berthe Morrisot  

CONVERSANDO COM HELENA TERESA RUAS REIS

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  CONVERSANDO COM HELENA TERESA RUAS REIS     "De primaveras mesmo sendo Inverno", De um Verbo novo e sempre mais eterno Por cada nascituro abrindo a vida, Dar novo olhar à dor que foi vencida.   Natal feliz: um mundo p'ra o que sofre. Abaixo os sons do mal e o cheiro a enxofre! Renove-se p'la paz todo o terror Co'a Bíblia ou o Corão chamado Amor.   O sono de Jesus nos dê sossego Num berço onde a miséria enobrece E humildes nos curvamos numa prece.   Fruto terno e raiz a que me apego... Ó inverno em Natal nossa esperança, Quimera que nasceu doce criança!         Helena Teresa Ruas Reis   *********   "Quimera que nasceu doce criança" E a todas as crianças representa Fazendo, do Natal, terna mudança Que a todos nos enlaça e nos sustenta.   Calem-se, então, os loucos da matança Cuja riqueza, injusta e opulenta, Nos torna a vida dura e sem parança E sempre sacrifica alguém que tenta   Contra a ganância impor-se e dizer; Não! Que nunca, nunca mais se nasça em...

CONVERSANDO COM CARMO VASCONCELOS

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    MEU LUGAR Carmo Vasconcelos O meu lugar cativo está no Além, que este daqui, por marco provisório, tem seu tempo marcado, transitório, é morada perpétua de ninguém. Estamos de passagem, mas porém, não é caminho vão, de todo inglório, pois se revela p'ra alma sanatório de erros passados - carma que detém. Na breve estada cabe-nos saldar o "deve" e "haver" de vidas mal vividas na displicência própria dos infantes; sair da senda dos ignorantes, crescer na luz das chances concedidas, p'ra ganharmos, enfim, "nosso lugar". Carmo Vasconcelos DE TOMBO EM TOMBO ATÉ SE DESFAZER Seja Depois o meu lugar cativo, que no Tempo o concebo e não no Espaço onde inteira me entrego ao tempo escasso de amigos e poetas com quem privo. Também estou de passagem... se hoje vivo, nunca sei se amanhã se solta o laço, mas enquanto te encontro, a ti me abraço, poema que me tentas, louco e esquivo... No “deve” e no “haver”, fico a perder; devo mais do que dou, dando-me intei...

CONVERSANDO COM REGINA COELI

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       SAUDADE DO PIUÍÍÍ *   Regina Coeli   Lá longe, onde o passado jaz perdido, Sempre via um alegre trem passar; Deixava som saudoso ao meu ouvido, Um gostoso "piuííí" solto no ar... *   A criançada, olhar embevecido, Aplaudia o trenzinho em seu cantar, "Piuííí, Piuííí!", um eco repetido Até sumir sua imagem devagar... *   No relembrar de dias tão distantes Fica-me uma tristeza acre e sem fim: Jamais verei "piuííís" como vi antes... *   Um trem desliza e corre pelo chão, Circula e encanta todos, não a mim, Porque não traz "piuííí” ao coração... *   Regina Coeli   Brasil       MEMÓRIAS DO “POUCA-TERRA, POUCA-TERRA” *   Não houve “piuííís” no meu Dafundo, Mas houve um “pouca-terra, pouca-terra” Que enchia todo o meu pequeno mundo Das fantasias que outro mundo encerra... *   Passa agora um comboio, longe, ao fundo, Mais distante e tão rápido que enterra Ao passar bem veloz, num só segundo, Sessenta e cinco anos, quando berra *   Sobre os carris de fer...

SONETO-RESPOSTA A JOAQUIM SUSTELO E MEA

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  "E nasce outro dia de sonhos, de esp`rança" Desta gasta noite de desilusões Que vence o cansaço, que traz a bonança Que à beira do  palco conduz multidões...   Cantemos que o mundo ainda é criança! Crianças, nós todos, rumando às paixões Que o soneto acende... e enceta-se a dança Que o cria e partilha sem mais concessões!   Vai ficando escuro... do escuro da sala, Um verso que nasce espontâneo se exala Das pontas dos dedos, geladas, geladas...   Conversas que passam, mas nada nos cala; Se um verso nos chama, passemos à fala Que ao escuro da sala nos trouxe as chamadas.     Maria João Brito de Sousa - 19.12.2017      NOTA - O primeiro verso - entre aspas - é da autoria do poeta Joaquim Sustelo

SEGUINDO UM DESAFIO DO POETA JOAQUIM SUSTELO - AQUECE-ME A ALMA

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  AQUECE-ME A ALMA II Aquece-me a alma, que a trago gelada E há coisas de nada que a deixam quentinha; Uma palavrinha bem intencionada, Lhe basta, coitada, que está tão velhinha Esta barca minha já desmantelada, Em terra encalhada, mas do mar vizinha Que nada adivinha e que sonha calada Com onda exaltada, sendo ribeirinha... Aquece-me a alma! Quero navegar Nas ondas do mar e nas rotas do sal! Talvez faça mal, mas o meu lugar É onde eu chegar, não só o areal Onde Portugal parou para sonhar... Aquece-me, Mar, porque hoje é Natal! Maria João Brito de Sousa – 17.12.2017 – 11.12h   In horizontesdapoesia.ning.com    

SEM GARANTIAS

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  Concedo aos meus poemas, quando os faço, mui garantidamente ousar tecê-los como se foram fios de mil novelos que tivessem tombado em meu regaço. Cedo-me inteira, embora sendo escasso o tempo em que o meu colo irá sustê-los, mas... outras garantias, outros zelos, não posso conceder-lhos neste espaço Em que ao tecê-los me encho de cansaço, e de saudades me encho ao não escrevê-los... Tão pouco posso e tanto quero erguê-los, Que me escapam novelos. Solto o laço? Prendo-me a cada fio, traço por traço, e, mesmo exausta, volto a concebê-los?     Maria João Brito de Sousa – 16.12.2017 -09.27h     Oeiras, Portugal  

CONVERSANDO COM ALDA PEREIRA PINTO

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    SONATINA XII (do livro "Treva Branca") É bom que eu viva ao léu, pois me acostumo à solidão que assusta a quem não crê, pois se de algum receio eu sou mercê, passeio, canto e ando, rio e fumo. Num certo dia que virá, presumo, não tendo amigos nem sequer você, talvez que eu me lamente, só porque a sorte não nos pôs no mesmo rumo. E, se ao chegar a hora em que se apaga a luz da vida, uma saudade vaga quiser velar na minha soledade, ouvidos não darei ao seu alento, porque saudade é sempre sofrimento por mais que seja alegre uma saudade. Alda Pereira Pinto Brasil Soneto recolhido no blogue “O Secular Soneto”     ********** ENCONTRO CASUAL DE DUAS SOLISTAS     Não passeio, nem canto. Escrevo e fumo enquanto grafo um verso... talvez dois... outros doze, a jorrar, virão depois completar-me o soneto em que me assumo   Reflexo de um poema – ou seu resumo... - nos estilhaços em que o desconstróis, honesto, firme, não sonhando heróis, de ti colhendo o fruto. A polpa. O sumo.   Vi-te...

DEUSES SOMOS NÓS!

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"Pensando nos secamos e perdemos Esta força selvagem e secreta Esta semente agreste que trazemos E gera heróis, homens e poetas"   Ary dos Santos     Glosa   "Deuses somos nós!"     "Pensando nos secamos e perdemos" Mas, não pensando, iremos na colecta Do que outrem, mais astuto, nos prometa E que, no fundo e sem saber, já temos;   "Esta força selvagem e secreta" Em que, hora a hora, nos reacendemos Já que concretamente a concebemos Abstracta, de aparência, mas concreta,   "Esta semente agreste que trazemos" Nesta barca de espanto, em seus dois remos, Na vela que reclama hastes erectas   "E gera heróis,(e) homens e poetas"... Eis quanto nos define. O que seremos? Dessa mesma matéria o talharemos!     Maria João Brito de Sousa - 22.06.2017 – 16.48h   In “ERA UMA VEZ UM POETA... ARY DOS SANTOS, UM POETA ORIGINAL” Antologia Horizontes da Poesia, 2017, Euedito      

NATAIS DOS TEMPOS IDOS...

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  Montei o meu presépio em tempos idos, Em tempos idos ergui meu pinheiro, Pois tudo tem seu tempo. Os diferidos Sempre serão sequelas do primeiro, Desses originais que estão perdidos; Nenhum tem o sabor do verdadeiro, Nunca o mesmo alvoroço dos sentidos Se faz sentir depois, no corpo inteiro... Não é hábito meu falar de mim, Ou, falando de mim, fazê-lo assim, Como se eu fora o centro deste mundo, Mas... se digo a verdade, o que fazer? Chegue, ou não, ao Natal que puder ter, Nenhum será igual aos do Dafundo...(*) Maria João Brito de Sousa – 01.12.2017 – 11.21h (*) Cruz-Quebrada, Dafundo – Antiga Freguesia do Concelho de Oeiras, extinta pela reorganização administrativa de 2012/2013, sendo o seu território integrado na União de Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz-Quebrada/Dafundo.