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CONCEITOS DE VIDA

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      O conceito de Vida, indiscutível, Tem, no entanto, pontos divergentes Que muitas vezes são coincidentes Com o nosso conceito de impossível…   Quem se lembra do drama das Origens? Da estranha evolução que, em mil milénios, - multiplicando mais, segundo os génios, até onde o pudermos, sem vertigens… -   Fez avançar extremófilos até Aos répteis e aos mamíferos primatas, No topo da cadeia alimentar?   Porque sempre assim foi – e ainda o é… –,    Nuns nasceram as asas, noutros, patas… [Então… por que razão querê-los matar?]          

PERCURSO IV

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São milénios, são anos, são momentos, São traços como palavras ou rugas, São os inevitáveis, são as fugas Às concretizações e aos eventos.   São as desconstuções, os desinventos, Os verbos que esqueceste, mas conjugas, A força que, não tendo, ainda alugas Em troca do que calas em lamentos.   São ondas do teu mar, essas marés Que te tornam naquilo que tu és Sobrando o que é comum a toda a gente.   São as recordações dos teus sentidos, Memórias, livros lidos e relidos, E o que de ti ficar daqui pr`á frente.     Maria João Brito de Sousa - 26.12.2008   A S.   imagem retirada da internet

O POEMA III

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E SE? * E se um verso fosse obra de ninguém, Se fosse um ser que existe só por si, Independente, atento ao que escrevi, Para ver se lhe assenta mal ou bem? * Se fosse, cada verso, um novo alguém Que aspira à vida e que se prende aqui, Que pressentisse as coisas que eu vivi E quisesse vivê-las, ele também? * Se fossem, estes versos, sopro vivo De alguém que espera pra tornar-se activo E que aguarda o momento de embarcar? * Se fosse o dar-lhe vida, o dar-lhe voz, Criar um ser tão vivo como nós Que só alguns soubessem aceitar? * Mª João Brito de Sousa 04.11.2008

DE MIM PARA COMIGO I e II

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  De mim para comigo eu quis falar E, às tantas, o luar falou mais alto E desenhou-me a sombra nesse asfalto Onde eu estava comigo a conversar   De mim para comigo... e o luar Veio deixar-me a alma em sobressalto! A sombra lá em baixo e eu tão alto, A lembrar-me da queda, se falhar...   De mim para comigo eu disse então: - Se cair voltarei, estarei no chão... Mais vale acreditar, seguir em frente!   Olhei de novo o chão, já pequenino. Voar! Voar foi sempre o meu destino! E segui, muito além do que é prudente...   II   De mim para comigo. O sonho é tudo! (se aceito, é quem me targa a alma aberta...) E vamos a viver que a morte é certa! O sonho aceita o fim. Eu não me iludo.   De mim para comigo. Estranho estudo Que levo a cabo neste eterno alerta, Pois tudo o que há em mim, em mim desperta E tudo o que desperta é conteúdo...   Das coisas que, ao passar, foram ficando, (não paro de sonhar! Eu só abrando e fico a meditar no que aqui faço...)   Há passos de luar nos meus sentidos E beijos ...

BLOGOMAR, MEU ESTRANHO BLOGOMAR...

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Não. Hoje ainda não nasceu nenhum soneto... não quer dizer que não venha a nascer ou que eu não venha, ainda, a publicar a coroa, toda seguidinha, sem repetição dos tais versos primeiros e últimos. Quer dizer que hoje me apetece divagar um pouco sobre os meus cansaços, as minhas alegrias e o que de muito estranho tem andado a acontecer ultimamente. De todas as conclusões absurdas que tenho tirado nestes últimos tempos, a mais sensata parece ser a de que fui acometida por uma estranha forma de loucura, e, como, de vez em quando me torno sensata, vou optar por ela. Já me preocupei muito, já me preocupei pouco e já me deixei de preocupar, por isso não se preocupem vocês também. Não vale a pena. Pressupondo que fui acometida por um estranho caso de loucura e constatando, diariamente, que outra coisa não pode ser, o melhor é deixar fluir e esperar que passe. Porque tudo, tudo passa nesta vida e há loucuras que são mesmo episódicas. Mulher de muita fé e teimosa como ninguém, decidi continuar...