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A mostrar mensagens de fevereiro, 2012

ESSE LOUCO GALOPE DO CORCEL DAS PALAVRAS...

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    Prenúncio da vontade em gesto vago, Vai-me descendo a mão sobre o papel E sinto que me invade o tal corcel Da singular magia desse afago!   Dele me nasce a palavra; o resto, trago Dentro de mim, gravado com cinzel, Por baixo desta minha humana pele Onde o tempo, ao passar, fez tanto estrago   Mas que me importa a mim que o tempo passe Se dele surge a palavra, irrompe a frase Que justifica o esforço da corrida?   Não fosse esse o corcel que eu cavalgasse E – quem sabe? -  o poema me ignorasse E eu perdesse o sentido à própria vida.       Maria João Brito de Sousa – 23.02.2012 – 18.47h     Imagem retirada da net, via Google

POEMA NOSSO DE CADA DIA

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    Sei-o só porque o sei e mais não digo Que a estrofe, irredutível, se me impõe Na estranha convicção que me propõe E também na desculpa em que me abrigo…   Sei-o, tal como a terra sabe o trigo Nessa complexidade que o compõe, Tal como a razão trai se pressupõe, Por cada criação, seu rasto antigo…   Sei-o de outro saber que é muito meu A que chamo “poema” e se esqueceu De vir documentado, ou ter razões   Mas, por mais que o descreva, apenas eu Terei provado o mel que me prendeu Aos versos que me adornam de ilusões…       Maria João Brito de Sousa – 21.02.2012 – 19.07h

(DES)ARMADOS

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(DES)ARMADOS   Armados da certeza que não morre, Seremos sempre os filhos da verdade E, sobre esta injustiça que nos cobre, Semearemos cravos de vontade!   Armados, desarmados… como seja Próprio ao desenrolar deste momento, Anularemos jugo, insulto, inveja, Daqueles que nos roubaram o sustento!   Cairão sob as armas que não temos Aqueles que acreditarem que os tememos E uns tantos que se vendem ao poder   Porque amanhã decerto venceremos E (des)armados vamos porque cremos Que quem de amor se armou, tem de vencer!       Maria João Brito de Sousa – 14.02.2012 – 13.38h       Imagem retirada do mural de G Moura Moura, no Facebook

O AMOR NA VERSÃO CURTO-CIRCUITO

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    Falaste das paixões, sem ter paixão, Do imenso jejum de alma em que te viste, Da abstracta situação, confusa e triste, De enfrentares tanta vã contradição,   Ponderaste a remota solução, Mas nem sequer ergueste o punho em riste E eu já não sei sentir como sentiste, Nem posso perdoar-te essa traição...   Falaste por falar, nada sentindo E eu, calada, absorta, fui-te ouvindo A confissão gongórica e estudada   Até, por fim, dizer-te que, mentindo, Mais te não garantia seres bem-vindo Do que se não dissesses mesmo nada…         Maria João Brito de Sousa – 10.02.2012 – 18.19h

DO AMOR PARA ALÉM DE NÓS

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  Que deste amor, de havê-lo amado “além”, Me sobre, em estro, a voz para o cantar, Pois sendo amor mais vasto e mais lunar, Transcende o que me venha de outro alguém…   Se me não sei explicar, se mais ninguém Humanamente o pode adivinhar, Explicá-lo-ei à Terra, ao fundo mar, Ao claro, imenso azul que nos contém   E, quando falte azul, sobrar-me-á Desta imensa, insurrecta, convicção, No arquivo de insondáveis da memória,   Isto que, para mim, perpetuará, Em colorida-ambígua tradução, A sintetização da nossa história…     Maria João Brito de Sousa – 09.02.2012 – 19.13h NOTA - Soneto totalmente reformuladoa 15.06.2015          

O PRODUTO FINAL DE ALGUNS ANOS PASSADOS A COLHER [também...] OPINIÕES

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  Como hei-de interpretar tão estranho gesto De clara discordância e suspeição Se, no que me respeita, é sempre honesto Este acto de vos dar - ou não... - razão?   Tudo o que vos disser terá, de resto, A mesma garantia de isenção; - De quanta opinião guardar no cesto, Construirei, mais tarde, opinião...   Se o tempo escassear, duplicarei Em vontade o que falte às aptidões, Em perda o que me for escapando em ganho   Mas, enquanto viver, eu escolherei; Irei sempre arquivando opiniões, Sem antes lhes medir força ou tamanho...       Maria João Brito de Sousa - 01.02.2012 - 18.57h