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SOMBREADO A GIZ

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SOMBREADO A GIZ * Pus-te as malas à porta. Fiquei nua Na fria solidão do hall de entrada Quando, nu, caminhaste pela estrada Que se estendia além da nossa rua. * Lá longe, um barco velho, uma falua Desfeita em claridade enevoada, Compunha aquela tela inusitada Prolongando uma sombra, que era a tua. * Alguém pintou o quadro. Eu nunca o fiz. Destes traços serei mero aprendiz, Que noutros fui esboçando o que encontrava * Nas águas do que quis, quando o não quis. Larguei o lápis, sombreando a giz As sombras que outra barca projectava. Maria João Brito de Sousa – 12.07.2018 – 12.33h