CALAR PALAVRAS...
Calar quando as palavras se me adentram E me correm nas veias galopando, Calar quando, ind` além do que comando, Sou razão das razões que elas concentram Se, nunca me bastando, mais me tentam E mais me justificam se, cantando, Nos dedos que são meus, frutificando, Me crescem, me revelam, me sustentam... Como calar-me, então, sem ser calada, Mesmo por força bem intencionada, Por falta de que sei estar inocente? Como tornar-me, então, neutra, indif`rente E reduzir-me, em vida, a quase nada, Antes de assim sentir-me amordaçada? Maria João Brito de Sousa - 28.10.2015 - 21.06h Gravura de Cipriano Dourado