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A mostrar mensagens de dezembro, 2015

RAZÕES PARA TODAS AS MÃOS DESTE MUNDO - Sonetilho imperfeito

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RAZÕES PARA TODAS AS MÃOS DESTE MUNDO *   O Mundo, sem ter razão, Tem tanta que eu já pensei Render-me à contradição Deste mundo em que ela é lei *   Faltou-me razão, porém, Pra tão estranhas intenções E às razões que o mundo tem Venho opor minhas razões; *   Ao nascer de cada dia Opõe-se o gesto contrário Que o quebra em monotonia * E passa o pão que a mão cria Das mãos do Poeta-Operário Prás mãos que alguém lhe estendia *   Maria João Brito de Sousa - 29.09.2011 - 11.30h       NA FOTOGRAFIA - Manuel Ribeiro de Pavia, 1956

UM SONETO PARA FLORBELA

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  A ti que mais não podes pois te pesa Um não sei quê, que nunca me pesou E, quão mais livre, mais te sentes presa A tudo quanto, a mim, me libertou,   Mas que, da poesia, és chama acesa Que em tantos anos nunca se apagou, A ti, mão criadora da beleza Que em teus sonetos se manifestou,   Que consegues chorar como quem reza Pois vais rezando como quem chorou Cada palavra que é servida à mesa   Do verso heróico que te consagrou; Quem, de pura amargura e de incerteza, Te fez morrer... mas nunca te matou?     Maria João Brito de Sousa - 12.12.2015 -12.33h   IMAGEM - Fotografia de Florbela Espanca retirada do Google    

A SINTAXE DO ADRO...

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    TRAGICOMÉDIA, NUM ÚNICO SONETO EM DECASSÍLABO HERÓICO (...infelizmente muito real...)     Agora é que começa o vislumbrado Do acto derradeiro, a apoteose Que culmina no mais que anunciado Momento de curvar-me em grata pose,   Na mira de alcançar a parca dose Dessoutro bem maior que, a chão firmado, Permitirá que suba... desde que ouse Negar, da Língua-mãe, génio e legado...   - "E qual das variáveis negarás?", Indaga-me um leitor, já sonolento... - "A todas achincalham! Tanto faz   Que a uma ou outra escolha! Ah, desalento, Que assim me matas, pois não tentarás Quem da língua (bem) escrita herdou sustento!!!"     Maria João Brito de Sousa - 05.12.2015 -14.23h     PS - Não li o "famoso" romance, nem vi o filme. Nunca.    

PROJECTO PARA UM IMPROVISO FIGURATIVO

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    (Soneto em decassílabo heróico)   Reajo ao dia certo, ao tempo exacto, Ao ângulo perfeito, à luz correcta, Ao chispar da fagulha no contacto Entre o círculo, o ponto, a linha recta,   E a tela que consinta o estranho facto, Tornando-se mais útil, mais concreta, De deixar-se impregnar do som, do tacto, Do que a mão me alcançar, sem rumo ou meta...   Nesse processo, nunca me apaixono Por traços que não exprimam, claramente, Pessoas como eu sou, sem fama ou dono...   Nem sempre lá estarei, mas será gente Quem exponho numa tela em que abandono Quanto, em me urgindo a chama, a mão consente...       Maria João Brito de Sousa – 01.12.2014 – 20.01h