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CORAÇÃO REMENDADO

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Tela de Salvador Dali * CORAÇÃO REMENDADO *   "Coração cansado num corpo despido" Pulsa ao meu ouvido tal qual trina um fado No peito guardado pra ser repetido Sem ser desmentido, sem ser conspurcado. * Velho e remendado coração traído Quando enlouquecido pulsas assombrado Não sei se enlevado, não sei se rendido, Não sei se perdido, nem sei se encontrado... *   Coração quebrado, logo recomposto Tal qual fosses mosto de selecta casta Que ninguém arrasta do seu firme posto *   Não te seja imposto quanto a ti te agasta E que digas, - basta!, se intenso o desgosto Furtivo e sem rosto que de mim te afasta. *   Mª João Brito de Sousa 21.04.2023 - 15.50h *** Soneto criado a partir de um verso de Albertino Galvão.

NEM VIVA, NEM MORTA...

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  Não jogo, não jogo, não jogo nem morta! Retiro-me absorta, não brinco com fogo! Se quase me afogo na maré mais torta, A Barca suporta tudo o que lhe rogo,   Porque, logo, logo, me salva e conforta, Abrindo-me a porta, vencendo outro jogo, Nunca o que me arrogo... esse pouco importa, Nem viva, nem morta, lhe aceito o regougo!   Ó Barca cativa das minhas algemas, Guarda-me, não temas as penas que eu viva Se a sorte me priva de embalar poemas   Mantém-te passiva nas tardes amenas, Sonha com fonemas na noite furtiva, Mas sê sempre altiva; não cedas, nem tremas!       Maria João Brito de Sousa – 14.11.2017 – 17.05h     NOTA - Soneto em verso hendecassilábico, rima encadeada e acentuação tónica na quinta sílaba métrica.